CORDEL PARAÍBA

**

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CIRANDA CORDEL NA INTERNET

Gostaria de parabenizar as cordelistas Dalinha Catunda e Rosário Pinto do blog Cordel de Saia pela excelente iniciativa que resultou no belíssimo poema coletivo a seguir. (Manoel Belizario)

CIRANDA CORDEL NA INTERNET

Filho amado da mente nordestina,
Sempre teve o cordel grande sucesso.
Cavalgando no dorso do progresso,
Mas fiel à escola leandrina
Muitas vezes saiu da oficina,
Em notícia de impacto social.
Foi aí que o cordel se fez jornal,
Na linguagem padrão e não matuta,
Sendo a modernidade absoluta
Pode e deve o cordel ser virtual.

(Gonçalo Ferreira – Ipu/CE)

*
A internet chegou
Como grande aliada
Pro cordel abriu estrada,
E o cordelista gostou
No virtual apostou
E com tecnologia
Espalhou sua poesia
Por este mundo global
Onde o cordel tem aval
Nesta metodologia.

(Dalinha Catunda – Ipueiras/CE)
*

O cordel hoje é manchete.
Está na mídia virtual.
Antes, ele foi oral.
Passou pelo ofsete.
Namora com a internet.
Hoje, com tranquilidade,
Mostra versatilidade,
Dela tira seu proveito,
Tem com ela laço estreito.
Brinca, qual marionete.

(Rosário Pinto – Bacabal/MA)

*

O cordel tem esse jeito
De caminhar sem cair
E também de exibir
Seu talento e respeito
Mostrando com muito jeito
O saber da paciência
Alertando a consciência
Da grandeza cultural
Agora também virtual
Mantém sua coerência.

(Chico Salles – Souza/PB)

*

Pra quem procura por perto
Morada pra poesia,
Pode dizer com alegria
Que encontrou lugar certo:
A net é espaço aberto
Pra o poeta versejar
E em verso desafiar
Os quatro cantos do mundo,
Numa fração de segundo,
Sem sair do seu lugar.

(Nezite Alencar – Crato/CE)

*

O cordel na internet
Ganhou vez, voz e espaço
Internautas num abraço
Fizeram dele, vedete
Nos sites virou manchete
Nos blogs ganhou mais fama
Feliz, não mais se reclama
Nem teme o anonimato
Reconhecido de fato
Toda a rede lhe proclama.

(Josenir Lacerda-Crato/CE)

*

Graças à tecnologia
Tudo tem novo valor
Abra o seu computador
E poste a sua poesia
Aquela… que ninguém lia
E nesse mundo virtual
Com linguagem digital
O mundo vai percorrer
E você vai agradecer
A esse espaço genial.

(Nelcimá de Morais – Santa Luzia/PB)

*

O cordel na internet
É uma necessidade
Pela dificuldade
De expor nosso trabalho
Uma vaca sem chocalho
Ninguém sabe onde está
Precisamos propagar
Costumes e tradição
Deixe o corisco e o trovão
Explodir no meio do mar.

(Ivamberto Albuquerque-Alagoa-Grande/PB)

*

Está na universidade
Aqui e em outras nações,
Falando das tradições
Pra gente de toda idade;
Invadiu sertão, cidade
Cresceu e virou manchete
Qualquer assunto reflete
De forma mais verdadeira
Ultrapassou a fronteira
E brilha na internet !

(Bastinha Job – Santo Amaro Assaré/CE)

*

Quem pensa que folhetos de papel
E impressão com rasteira qualidade
É a forma, com exclusividade,
De se ver publicado o cordel
Não percebe que o grande carrossel
Deste mundo não para de girar.
O cordel, para se modernizar,
A mudança do mundo ele reflete,
Foi assim que o cordel na internet
Começou, de repente, a se espalhar.

(Marcos Mairton – Fortaleza /CE)

*

Para mim que sou do tempo antigo
INTERNET parece coisa estranha,
Porém, sei com ela o cordel ganha
Asas pra voar e, sem perigo,
Se nas feiras ontem tinha abrigo
Hoje tem por cliente o mundo inteiro,
Professor, estudante, oficineiro
Podem ler o cordel a qualquer hora
Por isso o cordel se faz agora
Acessível a todo brasileiro.

(Manoel Monteiro da Silva – Bezerros/PE)

*

Os versos de artistas tão tradicionais
Aderaldo, Patativa e também Azulão
Botado em livreto, pendurado em cordão
Prática que fez dos cordéis os jornais
Mais lidos nas feiras e também nos quintais
Hoje, esse costume ficou rarefeito
E apesar do verso se manter perfeito
É mais lido na tela de um computador
Na tal da internet veio com clamor
Adeus ao papel! Danou-se! Tá feito

(Ricardo Aragão – Ipu/CE)

*

Com o cordel na internet
Vislumbro a oportunidade
De quem faz e não promete
Viver na modernidade
E com personalidade
Mostrar a nova feição
Sem fugir à tradição
Dessa fonte cultural
Com a forma original
Para a sua criação

(Zé Walter [José Walter Pires] – Brumado/BA)

*

Publicar virtualmente
Um cordel, hoje é possível
A tecnologia é incrível
E está dando patente
A quem antes era ausente
Da cintilância da fama,
A internet é a cama
Pra o poeta deleitar
Conhecer e publicar
Essa arte que o Brasil ama.

(Raul Poeta – Juazeiro do Norte/CE)

*

Com a chegada da Internet
O cordel ganhou mais vida.
Agora não tem saída
Nós vamos pintar o sete
Na TV, rádio, manchete
Em qualquer lugar fecundo
Nosso versejar profundo
Estará mais que presente
Alegrando a toda gente
No Brasil e além mundo.

(Antonio Barreto – BA)

*

Gostaria de opinar sobre o tema
A respeito do cordel na Internet
Acho que a cada cordelista compete
Divulgar beira-mar, mourão poema
Afinal, dos versos, todo o sistema
Entendo que o cordel é soberano
Mostremos para o mundo novo plano
Se se afastar muito do passado
Lembremos cada vate renomado
Nos dez pés do martelo alagoano

(Antônio de Araújo Campinense – Campina Grande/PB)

*
O livreto pendurado
Em cordão numa barraca
Já é visão meio fraca
Que faz lembrar o passado.
Hoje muito divulgado
Em diferentes canais,
Nos saraus, em recitais
Recebe aplausos, confete
O cordel na internet
Cresce cada dia mais.

(Creusa Meira – BA)

*

Quando vi em plena feira
um cabra se esgoelando
bonitos versos cantando
fiquei ali de bobeira.
Ele desceu da cadeira
e ficou a me olhar
parecendo advinhar:
“Menino, você promete,
o Cordel na internet
sua vida vai mudar”.

(José Alberto Costa – Maceió/AL)

*

Com a inclusão digital,
Um novo leque se abriu
E dentro dele surgiu
O poeta virtual.
Acessando esse portal,
O poeta usa um teclado.
Que corrige o verso errado,
Lapida, cola e copia.
Salve a tecnologia
E o Cordel modernizado!

(Damião Metamorfose)

*

Antes do computador
Tínhamos fragilidades,
Hoje nas comunidades
O cordel tem mais valor.
Cordelista ou cantador
Quando um cordel escrevia,
Era só ele quem lia,
O caderno amofumbava.
Uma parte o mofo dava,
A outra, a traça comia.

(Eduardo Viana)

Fonte: cordeldesaia.blogspot.com
Imagem:flickr.com

I Feira de Literatura de Cordel do Sertão

Dia 25 de março/2011
No Museu do Cangaço - Serra Talhada/PE.
19h30min - Apresentação do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião
20h00min: Recital com os poetas:

* Chico Pedrosa
* Dedé Monteiro
* Edgar Diniz
* Felipe Júnior
* Caio Menezes
* Dudu Morais
* Dulce Lima
* Genildo Santana
* Adeval Soares
* Neide Nascimento
* Paulo Moura
* Gilberto Mariano
* Rui Grude
* Damião Enésio e Zé Pereira

Patrocinio :
Programa BNB de Cultura 2011
BNDES/Governo Federal
Apoio:
UBE/PE - NEC - Núcleo de Estudos do Cangaço
Academia Serratalhadense de Letras
Unicordel
Ponto de Cultura APDTA
SEBRAE

Realização:
PONTO DE CULTURA CABRAS DE LAMPIÃO

--
FUNDAÇÃO CULTURAL CABRAS DE LAMPIÃO
Rua Virgolino Ferreira da Silva, 06 - COHAB
Serra Talhada - Pernambuco - CEP: 56.909-110
Tel: (87) 3831 3860 / 3831 2041 / 9918 5533 / 9938 6035
E-mail: cabrasdelampiao@gmail.com
Site: www.cabrasdelampiao.com.br

Fonte: onordeste.com

Imagem: nataltrip.com

A CARTA DO PISTOLEIRO MAINHA À SOCIEDADE

 

Autor: Guaipuan Vieira

Eu escrevi um folheto
De grande repercussão
A respeito de Mainha
E sobre a sua prisão
Cujo folheto atingiu
A sua quinta edição
.
Por causa disso Mainha
Me mandou uma mensagem
E nela naturalmente
Salvaguarda sua imagem
Dizendo que não é rico
A custa de pistolagem
.
Eu recebi a mensagem
Enviada por Mainha
E garanto aos meus leitores
Que não é invenção minha
Porque eu sou um poeta
Que nunca fugiu da linha.

O recado que transcrevo
Só mudei mesmo o estilo
Pois eu transformei em versos
Sem guardar nenhum sigilo
Transcrevo o que me foi dito
Portanto eu fico tranquilo.

Ao tomar conhecimento
Do que andei escrevendo
O detento com razão
Escreveu se defendendo
Me enviando a mensagem
Que assim começo dizendo:

-"As duas grandes famílias
Com muito orgulho pertenço
Aos Maias pelo meu pai
Que sempre teve bom senso
Da mamãe herdei Diógenes
Que tem um padrão imenso.

Muitos pensam que eu sou
Um terrível pistoleiro
Um sujeito endiabrado
Perverso e arruaceiro
Pensam que eu sou também
Um filho de cangaceiro.

A mente do nosso povo
Muitas vezes é enganada
Com especialidade
Quando é mal informada
E a vítima com as notícias
É a mais prejudicada.

Eu nunca fui pistoleiro
A todos posso provar
Se matei foi por vingança
Assunto particular
Pistoleiro que eu saiba
É pago para matar.

Se eu fosse perigoso
Não teria sido preso
Pois cabra desta maneira
Tem o olhar bem aceso
Tem ouvidos de tiú
Ninguém o pega indefeso.

O bandido perigoso
de tudo está informado
Pra isto paga coiteiro
Anda muito bem armado
Nunca é preso sempre é morto
Dentro dum fogo cruzado.

Na noite em qu'eu fui preso
Pelo senhor delegado
Não reagi à prisão
Nem também estava armado
E é a pura verdade
Conforme foi constatado.

Mesmo assim a própria imprensa
Que na minha casa andou
Pesquisando a minha vida
De tudo se inteirou
Porém me deram uma fama
Que só me prejudicou.

O bandido foragido
Muda a sua identidade
Abandona a sua terra
Parte pra outra cidade
Mesmo assim vive escondido
Garantindo a liberdade.

Como então sou foragido
Se tenho a minha morada
Nela vivo com meus filhos
E minha mulher amada
Que vive sempre com medo
De eu morrer numa cilada.

Eu vivo a minha vida
De vaqueiro e agricultor
Derrubando o gado bravo
No sertão abrasador
Na fazenda de Diógenes
O meu "pai" meu protetor.

Pois seu Chiquinho Diógenes
Gostava de viajar
Para ver Exposições
Do gado bem exemplar
E quando comprava alguns
Eu sempre ia buscar.

Esta é a tal razão
De a polícia vir dizer
Que eu era um foragido
Por muitos crimes dever
Coisa que não é verdade
Todos vocês podem crer.

O crime que pratiquei
Já está esclarecido
Se matei foi por vingança
Não estou arrependido
Só dei fim no assassino
Que matou meu "pai"querido.

Pois Chiquinho para mim
Era um verdadeiro pai
Hoje quando penso nele
Meu coração se contrai
E o seu assassinato
Da cabeça não me sai.

Então digo pros senhores:
Cada uma traz uma sina
Uma que dá alegria
E outra que se arruína
Tudo depende da sorte
É ela quem determina.

Mesmo um homem sendo bom
Muitas vezes é vitimado
Pra expiar seus pecados
Carrega um fardo pesado
É um bode expiatório
Ou um desafortunado.

Pra carregar este fardo
O destino me escolheu
Como prova uma campanha
Que um grupo promoveu
Me jogou contra o povo
E só fui eu quem perdeu.

Eu perdi pelo seguinte:
Hoje tenho uma má fama
Ninguém acredita em mim
Todo mundo me difama
E querem me afogar
Num oceano de lama.

Já falei aqui do crime
Que pratiquei por vingança
Por ele estou amargando
Numa cela em segurança
Esperando a liberdade
Porque tenho confiança.

Quero voltar ao convívio
Da minha santa morada
Para rever os meus filhos
E minha mulher amada
Que certamente está triste
E chorando inconformada.

Pistoleiro perigoso
É o chefe da Nação
Que mata de fome e à bala
Parte da população
Ele é quem devia estar
Sofrendo numa prisão.

Sou um bode expiatório
Por um grupo fabricado
Que talvez este é quem seja
O bandido procurado
Que sempre vive julgando
E nunca quer ser julgado.

-Termino assim a mensagem
Enviada por Mainha
Repito o que disse antes:
Que não é invenção minha
Todos sabem que eu sou
Um cordelista de linha.
Fim

Fonte Domínio Público
Imagem: letsgolf.com

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Acopiara mantém viva a tradição do cordel

Poeta popular de Diadema difunde o gênero no ABCD e sobrevive com os versos que lembram sua infância; já publicou 8 livros

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leonardo Britos
leonardo.britos@bomdiaabcd.com.br

          A literatura de cordel, que veio junto com os portugueses para o Brasil, teve grande importância para a cultura nordestina. Antigamente considerado o jornal do sertanejo, além de poesia trazia em suas estrofes informação, noticiando grandes acontecimentos do país e do mundo.
          No ABCD, o poeta popular Moreira de Acopiara, cujo sobrenome faz homenagem à sua cidade natal, Acopiara, no Ceará, mantém viva a literatura popular do cordel na região.
           Já publicou mais de 100 cordéis e oito livros sobre a poesia popular. Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, desenvolve um trabalho como representante do cordel no ABCD realizando eventos com apoio das prefeituras da região.
            Inspirado em “causos” de infância, Moreira escreve sobre suas aventuras no Nordeste. “Escrevo sobre diversos temas, conto histórias da minha vida, algumas contadas por amigos, mas sempre procuro tratar tudo com muito humor”, diz Acopiara.
          Sobre o começo de sua carreira como escritor, explica que teve a ajuda de um dos grandes nomes do cordel, o escritor Patativa Nazaré . “O Patativa foi uma grande influência para minha carreira como escritor. Com 16 anos datilografei dois poemas e fui apresentar para ele. Na hora ele me disse que os poemas não eram bons, mas que pela minha idade, eu estava acima da média,” lembra o escritor, sorrindo.
          Acopiara diz que o cordel hoje está em alta, com grande incentivo de órgãos públicos, mas salienta que a qualidade é algo essencial. “Vejo muitos ‘escrivinhadores’ que não fazem trabalho de qualidade e prejudicam os poetas que fazem um trabalho sério,” finaliza.

Tese de doutorado criou a Peleja Virtual do cordel

          A jornalista Maria Alice Amorim teve a ideia de criar uma “Peleja Virtual” para sua tese de doutorado. O objetivo era que o poeta popular Moreira de Acopiara e o poeta Glauco Mattoso escrevessem um cordel utilizando o computador como meio de comunicação, onde cada um escrevia uma estrofe.
          Durante um mês, os escritores trocavam estrofes pelo MSN ou por e-mail. Acopiara afirma que a internet é uma grande ferramenta para o cordel. “Temos que saber usar a internet, pode ser uma grande aliada” diz.

Fonte: redebomdia.com.br

Notoriedade ao acervo de cordéis

Lourdes Ramalho, o cordelista Paulo Nunes e demais da cultura popular visitaram a biblioteca da UEPB

          Instalada no primeiro andar do prédio da Administração Central da Universidade Estadual da Paraíba, em Campina Grande, a Biblioteca Átila Almeida surge aos pesquisadores como uma valiosa opção aos que desejam analisar volumes raros e raríssimos de livros, cordéis, periódicos e jornais. Possui um acervo de mais de 8 mil cordéis, o que lhe rendeu o título de segunda maior biblioteca de literatura de cordel do Brasil, a biblioteca é grande também pela importância do material e para conferir de perto, a teatróloga campinense Lourdes Ramalho fez uma visita ao acervo e trouxe vários membros de sua família, inclusive o poeta e cordelista Paulo Nunes Batista, contemporâneo de Átila, que possui cordéis no acervo, mas nunca havia conhecido a Biblioteca atual e estava de passagem pela cidade.


A teatróloga levou membros da família para conhecer a estrutura do equipamento. Foto: Katharine Nóbrega/DB/D.A Press.

          Segundo a professora visitante da UEPB e pesquisadora da área de poéticas da oralidade, Joseilda de Sousa Diniz, a reunião causou grande satisfação entre os presentes. "São pessoas que conviveram com o professor Átila Almeida, quepossuem amizade com a sua viúva, Ruth Almeida, com o poeta José Alves Sobrinho e que tiveram e têm uma participação expressiva na cultura popular do Estado", afirmou.
           Acompanhando a visita também estava a pesquisadora holandesa, professora Ria Lemaire, que participou recentemente da 1ª Jornada de Estudo Internacional sobre Poéticas da Oralidade em Campina Grande, efetuada pela UEPB. Durante esta estadia, Lemaire terminou um livro sobre cultura popular juntamente com Lourdes Ramalho, a ser lançado este ano por uma editora espanhola.
Compuseram a visita Lourdes Ramalho, seu primo poeta e cordelista, Paulo Nunes Batista, o filho dele, Francisco Silva Batista, suas sobrinhas Marinalva Batista Pimentel e Alzinete Alencar Pimentel, e suas primas Terezinha Figueiredo, hoje professora aposentada da UEPB e Maria das Graças de Figueiredo, crítica literária.

Poetas
 

Paulo Nunes Batista      

          Paulo Nunes Batista é poeta, cordelista, advogado e jornalista. Paraibano de João Pessoa, onde nasceu em 1924, desfruta de prestígio internacional na Literatura de Cordel, figurando até na Grande Enciclopédia Delta Larousse. Autor de dezenas de livros tem textos poéticos traduzidos para o japonês. Mora em Anápolis, estado de Goiás.

José Alves Sobrinho

          Tem hoje 90 anos. Poeta, cantador, improvisador, violeiro, nômade e autodidata, Sobrinho perdeu no auge da carreira a sua voz magnífica; tornou-se pesquisador em tradições populares e terminou a carreira como docente e pesquisador da Faculdade de Letras da Universidade Federal da Paraíba, atual UFCG. Contribuiu de modo decisivo para o que representa na contemporaneidade o patrimônio de cordéis e de manuscritos da Biblioteca Átila Almeida - acervo dos mais significativos pertencente a uma instituição pública.

Fonte: diariodaborborema.com.br

Cordelista lança na próxima sexta segundo volume literário contra o crack

 “Crack… A Droga da Morte”, de Marcio Bizerril aborda sobre os prejuízos que a droga causa a sociedade

          O poeta de cordel Márcio Bizerril realiza na próxima sexta-feira, 18, um café da manhã ao ar livre, e convida toda a sociedade civil e organizada, tendo em vista o lançamento do segundo volume de sua literatura de cordel: “Crack… A Droga da Morte”.
          Como no primeiro volume, Bizerril tenta através da poesia de cordel conscientizar a população acerca dos poderes maléficos produzidos pela referida droga que vem assustadoramente dilacerando milhares de família no mundo inteiro. E, no Brasil não é diferente.
            De acordo com o cordelista guarabirense, o evento acontecerá a partir da 8h00 na praça Lima e Moura, de frente a ‘Casa da Cultura’ em Guarabira

Fonte: ivanildosantos.blogspot.com

Pedro Costa reúne títulos e lança 'Poemário de Cordéis'

Untitled-2(4)[1]

         Um registro da memória biográfica do poeta, violeiro e repentista Pedro Costa. É isso que será encontrado no "Poe-mário de Cordéis" que reúne apenas alguns dos mais de 400 títulos do poeta piauiense. Editada pela Série Coleção Nordestina da Associação Brasileira das Editoras Universitárias, a obra será lança-da amanhã, às 19h, no Cine Teatro da Universidade Federal do Piauí.
          Para o presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva, a publicação do livro representa um marco histórico na vida cultural do país e o "reconhecimento ao talento, perseverança e obstinação de um ponto do povo que ajuda a manter indeléveis as colunas de sustentação da cultura nacional".
          Logo no primeiro capítulo do livro Pedro Costa fala sobre o ciclo do cordel no Piauí com a trajetória de Firmino Teixeira do Amara, primeiro poeta da literatura de cordel do Piauí, que teve uma passagem curta pela literatura e deixou apenas 12 obras de cor-déis escritas e publicadas em Belém do Pará, lugar em que viveu e trabalhou parte de sua vida como jornalista.
           Na sequência o poeta traz o conceito de cordel. É a partir desse conceito que Pedro Costa manifesta nos títulos selecionados várias temáticas sobre saúde, esporte, política e social. Como exemplos foram publicados no Poemário de Cordéis": "A Batalha do Jenipapo", "Cartilha do Hipertenso", "Vaqueiro do Piauí", "A matemática em Cordel" entre outros que fazem uso do poema popular para tratar de forma didática e também divertida temas da história e do cotidiano.
             E para quem não consegue imaginar escrever um período sem usar a letra "A", "E" ou "O", o mestre do repente apresenta de forma inteligente e ousada os seguintes títulos: "Cordel sem a letra A", "Cordel sem a letra E" e "Cordel sem a letra O".
Para que, não conhece a obra do poeta piauiense Pedro Costa o livro que será lançado amanhã é muito além de um resumo do talento desse cordelista, mas uma rica fonte de pesquisa para a literatura de cordel.
          É por estas e outras que Pe-dro Costa é considerado um dos maiores divulgadores da literatura brasileira de Cordel e responsável por projetos que elevam essa arte como a criação da Fundação Nordestina do Cordel, a edição da Revista De Repente e ainda o Projeto Cordel nas Escolas, que tem incentivado estudantes a preservar, educar e divulgar essa cultura junto ao público jovem, além de oferecer trabalho e renda para violeiros, emboladores e corde-listas, através das oficinas e apresentações artísticas.

Fonte: 180graus.com

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Literatura de Cordel - As proezas de João Grilo

 

João Grilo foi um cristão
Que nasceu antes do dia
Criou-se sem formosura
Mas tinha sabedoria
E morreu depois das horas
Pelas artes que fazia.

[...]

João Grilo chegou na corte
Cumprimentou o sultão
Disse: pronto, senhor rei
(deu-lhe um aperto de mão)
Com calma e maneira doce
O sultão admirou-se
Da sua disposição.

[...]

- Eu tenho doze perguntas
Pra você me responder
No prazo de quinze dias
Escuta o que eu vou dizer
Veja lá como se arruma
É bastante faltar uma
Está condenado a morrer

[...]

O rei achou muita graça
Nada teve o que fazer
João Grilo ficou na corte
Com regozijo e prazer
Gozando um bom paladar
Foi comer sem trabalhar
Desta data até morrer.

E todas as questões do reino
Era João que deslindava
Qualquer pergunta difícil
Ele sempre decifrava
Julgamentos delicados
Problemas muito enrascados
O João Grilo desmanchava.

Certa vez chegou na corte
Um mendigo esfarrapado
Com uma mochila nas costas
Dois guardas de cada lado
Seu rosto cheio de mágoa
Os olhos vertendo água
Fazia pena o coitado.

Junto dele estava um duque
Que veio o denunciar
Dizendo que o mendigo
Na prisão ia morar
Por não pagar a despesa
Que fizera por afoiteza
Sem ninguém lhe convidar.

João Grilo disse ao mendigo:
E como é, pobretão
Que se faz uma despesa
Sem ter no bolso um tostão?
Me conte todo o passado
Depois de ter-lhe escutado
Lhe darei razão ou não.

Disse o mendigo: sou pobre
E fui pedir uma esmola
Na casa do senhor duque
E levei minha sacola
Quando cheguei na cozinha
Vi cozinhando galinha
Numa grande caçarola.

[...]

- O cozinheiro zangou-se
Chamou logo seu senhor
Dizendo que eu roubara
Da comida seu sabor
Só por eu ter colocado
Um taco de pão mirrado
Aproveitando o vapor.

[...]

João Grilo disse: está bom
Não precisa mais falar;
Então pergunto ao duque:
Quanto o homem vai pagar?
- Cinco coroas de prata
Ou paga ou vai pra chibata
Não lhe deve perdoar.

João Grilo tirou do bolso
A importância cobrada
Na mochila do mendigo
Ela foi depositada
E disse para o mendigo:
Balance a mochila, amigo
Pro duque ouvir a zoada.

O mendigo sem demora
Fez como o Grilo mandou
Pegou sua mochilinha
Com a prata e balançou
Sem compreender o truque
Bem no ouvido do duque
O dinheiro tilintou.

Disse o duque enfurecido:
Mas não recebi o meu;
Diz o Grilo: sim senhor
E foi isto o que valeu
Deixe de ser caloteiro
O tinido do dinheiro
O senhor já recebeu.

- Você diz que o mendigo
Por ter provado o vapor
Foi o mesmo que ter comido
Seu manjar e seu sabor
Pois também é verdadeiro
Que o tinir do dinheiro
Representa seu valor.

[...]

João Ferreira de Lima

O que li

            João Grilo é um personagem já muito conhecido do público brasileiro, notadamente depois da exibição de "O Auto da Compadecida", filme produzido no final da década de 1990 pela Globo Filmes, sob a responsabilidade do diretor Guel Arraes. Baseado na obra homônima produzida para o teatro, em 1955, pelo escritor paraibano Ariano Suassuna, "O Auto da Compadecida" o apresentou como personagem central sob a interpretação (perfeita) do ator Matheus Nachtergaele.

          As histórias de João Grilo, entretanto, datam de longas e longas datas passadas. Nascido na Europa, como personagem da literatura portuguesa, tão logo chegou ao Brasil foi adotado pela Literatura de Cordel, que tratou de livrá-lo do "ar tolo verificado nas obras d'além mar" e de transformá-lo num nordestino cheio de astúcia e muita inteligência.

          Na década de 1920 o poeta pernambucano João Ferreira de Lima, que nasceu em São José do Egito no dia 3 de novembro de 1902 e morreu em 19 de agosto de 1972, contou as aventuras do personagem em 31 sextilhas, distribuídas em oito páginas do folheto intitulado "As palhaçadas de João Grilo". Anos depois, no final da década de 1940, a obra foi ampliada para 32 páginas, na tipografia de João Martins de Athayde, pelo poeta Delmarme Monteiro, que acrescentou 95 septilhas (estrofes de sete linhas) ao texto original, que também passou a ser denominado "As proezas de João Grilo".

           Os trechos hoje destacados neste nosso "Cantinho de Cultura" da época do São João 2010 se constituem numa síntese da obra, a qual pode ser facilmente encontrada no comércio literário presente nas livrarias, sebos culturais, bancas de revista, Universidades, etc.

         De autoria de João Ferreira de Lima, além de "As proezas de João Grilo", destacam-se também "Romance de Mariquinha e José de Sousa Leão", "O Pinto Pelado", "Casamento de Chico Tingole com Maria Fumaça", "Dois glosadores - Azulão e Borborema", "O Marco Pernambucano", "O Pranto de Jovelina, a Criança que morreu numa furna medonha", "Sermão Profético do Padre Cícero Romão", "Peleja de João de Lima e Lino Pedra Azul" e "Peleja de João de Lima e João Athayde".

Grygena Targino

Fonte: auniao.pb.gov.br

Imagem: davieverton.multiply.com

II FEIRA LITERÁRIA DE BOQUEIRÃO (PB) ACONTECE DE 24 A 27 DE MARÇO

          Com o tema "Diversidade e Identidade Cultural: Preservando os saberes e fazeres de um povo", a segunda edição da Feira Literária de Boqueirão (FLIBO) homenageia o Escritor Ariano Suassuna e irá se realizar de 24 a 27 de março no município de Boqueirão. 

           Transformada durante a realização do evento na "Cidade das Rimas e Letras" o local irá receber dezenas de convidados e participantes do campo literário e editorial do Brasil, que integram a programação em debates, palestras, encontros, lançamentos, entre outras atividades.

          Nessa aventura cultural, a literatura e a linguagem, estão no foco, abrindo-se para a universalidade de uma e a amplitude da outra, bem como a condição de suas raízes, respectivamente. Motivada pelo seu tema, a FLIBO está comprometida com a integração das diversas culturas envolvidas, reconhecendo seus hábitos, costumes e literatura, com a democratização e a mobilização do acesso universal ao livro, à leitura e à produção literária.

          Diversas atividades serão realizadas, baseadas na promoção e geração de conhecimentos, sem fronteiras culturais e sociais, reunindo um público diversificado e evitando isolamentos de quaisquer naturezas. Uma verdadeira enxurrada literária irá tomar conta da cidade, com palestras, minicursos, exposições, contações de histórias, literatura de cordel, poesia, lançamentos literários e bate papo com escritores dos quatro cantos do País.

          O evento é realizado pela Prefeitura Municipal de Boqueirão, Associação Boqueirãoense de Escritores - ABES, e o Centro de Formação Artística - CEFAR.

Boqueirão

          Boqueirão, município do estado da Paraíba (Brasil), distante cerca de 53 Km de Campina Grande e 146 Km da Capital, João Pessoa. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2010 sua população era estimada em 16.889 habitantes. Área territorial de 425 km².
Boqueirão é conhecida como "Cidade das Águas" mas durante o mês de março transforma-se na "Cidade das Rimas e Letras" para receber dezenas de personalidades lítero-culturais. Conheça um pouco mais da cidade que está transformando a sua realidade através da literatura.

Da redação com FLIBO

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Artistas da cultura popular paraibana fazem visita à Biblioteca Átila Almeida da Universidade Estadual

1

          Na manhã desta segunda-feira (14), responsáveis pela Biblioteca Átila Almeida da Universidade Estadual da Paraíba, em Campina Grande, tiveram uma agradável surpresa ao receber no local artistas da cultura popular nordestina. A teatróloga campinense Lourdes Ramalho realizou uma visita ao acervo e trouxe vários membros de sua família, inclusive o poeta e cordelista Paulo Nunes Batista, contemporâneo de Átila, que possui cordéis no acervo, mas nunca havia conhecido a Biblioteca atual e estava de passagem pela cidade.
          Segundo a professora visitante da UEPB e pesquisadora da área de poéticas da oralidade, Joseilda de Sousa Diniz, a reunião causou grande satisfação entre os presentes. “São pessoas que conviveram com o professor Átila Almeida, que possuem amizade com a sua viúva, Ruth Almeida, com o poeta José Alves Sobrinho e que tiveram e têm uma participação expressiva na cultura popular do Estado”, afirmou.

2

          

           Acompanhando a visita também estava a pesquisadora holandesa, professora Ria Lemaire, que participou recentemente da 1ª Jornada de Estudo Internacional sobre Poéticas da Oralidade em Campina Grande, efetuada pela UEPB. Durante esta estadia, Lemaire terminou um livro sobre cultura popular juntamente com Lourdes Ramalho, a ser lançado este ano por uma editora espanhola.
           Compuseram a visita Lourdes Ramalho, seu primo poeta e cordelista, Paulo Nunes Batista, o filho dele, Francisco Silva Batista, suas sobrinhas Marinalva Batista Pimentel e Alzinete Alencar Pimentel, e suas primas Terezinha Figueiredo, hoje professora aposentada da UEPB e Maria das Graças de Figueiredo, crítica literária.

Mais sobre os poetas citados
          Paulo Nunes Batista é poeta, cordelista, advogado e jornalista. Paraibano de João Pessoa, onde nasceu em 1924, desfruta de prestígio internacional na Literatura de Cordel, figurando até na Grande Enciclopédia Delta Larousse. Autor de dezenas de livros tem textos poéticos traduzidos para o japonês. Mora em Anápolis, estado de Goiás.
          José Alves Sobrinho tem hoje 90 anos. Poeta, cantador, improvisador, violeiro, nômade e autodidata, Sobrinho perdeu no auge da carreira a sua voz magnífica; tornou-se pesquisador em tradições populares e terminou a carreira como docente e pesquisador da Faculdade de Letras da Universidade Federal da Paraíba, atual UFCG. Contribuiu de modo decisivo para o que representa na contemporaneidade o patrimônio de cordéis e de manuscritos da Biblioteca Átila Almeida - acervo dos mais significativos pertencente a uma instituição pública.

Confira mais informações sobre Lourdes Ramalho e a Biblioteca Átila Almeida da UEPB nos endereços : 1 e 2 

Fonte: uepb.edu.br

Secretário de Cultura do Estado participa do 3º Fórum de Cultura em Cajazeiras

          O Secretário de Cultura do Estado da Paraíba, o cantor e compositor Chico César, esteve na cidade de Cajazeiras no último sábado, 12, na ocasião em que participou do 3º Fórum de Cultura do Alto Sertão Paraibano, FOCA, que aconteceu na Câmara Municipal.
          Chico César reafirmou a importância da criação da secretaria de Cultura pelo governador Ricardo Coutinho e que os recursos por parte da secretaria só serão repassados aos municípios que já tiverem criado as secretarias de cultura, sendo que aqueles que ainda não as possuir, o governo irá trabalhar diretamente com a classe cultural.
          O secretário afirmou ainda que alguns municípios possuirão as regionais de cultura e que nelas haverá um articulador cultural, responsável pelo encaminhamento de projetos e/ou documentos feitos pela classe artística.
          Na ocasião, artistas locais e regionais, de municípios como Pombal, Sousa, Patos, Brejo do Cruz, Catolé do Rocha, Joca Claudino e outros, participaram do fórum e fizeram suas principais reivindicações junto ao secretário, bem como apresentaram projetos e idéias para que as potencialidades de cada região sejam exploradas num âmbito mais amplo por parte da secretaria de cultura.
          O Gerente Executivo de Resgate e Identidade Cultural do Estado, o cajazeirense Rivelino Martins, em conversa com a nossa reportagem, disse que se sente muito feliz em voltar à sua terra natal e falou da importância do fórum: “esse fórum foi um momento ímpar da comunidade artística sertaneja, dialogando com o secretário de cultura Chico César. Um momento em que tivemos representações de diversas cidades do alto sertão paraibano, dialogando sobre questões importantes que se fazem necessárias serem executadas por essa nova gestão. Foi uma discussão completamente democrática, onde o secretário veio de encontro aos artistas, as organizações culturais da sociedade civil, para que se possa ouvir idéias, críticas e sugestões para justamente construir o plano de ação da secretaria de cultura do governo Ricardo Coutinho”.
Após o fórum de cultura, que super lotou o plenário da Câmara Municipal de Cajazeiras, Chico César participou de um jantar promovido pelo presidente da Associação Cajazeirense de Teatro, o teatrólogo Francisco Hernandez.
          Em contato com a reportagem do Paraíba Verdade, Hernandez disse que o fórum foi um sucesso: “estou muito feliz porque Cajazeiras é uma cidade que sempre surpreende aqueles que aqui chegam. O fórum foi um verdadeiro sucesso e toda a classe artística saiu satisfeita. Foi muito proveitoso”, disse.
Visita ao Teatro ICA e participação no lançamento do CD de Gilmar Oliveira
          Após o jantar, o secretário Chico César fez uma visita ao teatro Íracles Pires e recebeu as principais reivindicações feitas pelo diretor Orlando Maia e pelo articulador cultural Osvaldo Moésia.
Para encerrar a agenda no município de Cajazeiras, Chico César participou do lançamento do CD de Gilmar Pontes, no Círculo Operário.

Agenda no Sertão e Cariri
          Nesse domingo, 13, o secretário participou de um rápido encontro com a classe artística da cidade de Sousa, no centro de Treinamento de Cultura. Às 15:00hs participa de uma reunião com artistas e representantes de movimentos, na Fundação Ernâni Sátiro, no município de Patos.
          Já nessa segunda-feira, 14, o secretário Chico César será o convidado de honra da aula inaugural que marcará o início do ano letivo 2011 do Campus VI da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), localizado em Monteiro. A atividade, que será aberta ao público, está marcada para as 11:00hs, no Auditório do Centro de Ciências Humanas e Exatas (CCHE).

Bruno de Lima, do Paraíba Verdade , fonte:apaedesaojoaodoriodopeixe.blogspot.com

Imagem: catolenews.com.br

Prefeitura divulga programação oficial do II Festival de Cultura Popular Zabé da Loca

          A Prefeitura Municipal de Monteiro, através da Secretaria de Cultura e Turismo, divulgou a programação oficial do II Festival de Cultura Popular Zabé da Loca – Homenagem a Ilmar Cavalcante, que acontecerá entre os dias 23 a 27 de fevereiro, no município de Monteiro.

          Segundo o Secretário de Cultura e Turismo, Edcarlos Farias, a programação desse ano foi bastante diversificada com mostra de teatro, palestras, lançamento de livros, mostra de artesanato, festival de cinema, festival de violeiros e apresentações culturais.

           Ele acrescentou que a homenagem a Ilmar Cavalcante tem proporcionado uma importante visibilidade ao evento pelo seu trabalho desenvolvido como compositor.

        “O II Festival de Cultura Popular com certeza será um importante evento de preservação e divulgação de nossas manifestações culturais. Através desse trabalho é que podemos proporcionar a nossa comunidade palestras e oficinas como forma de trabalharmos juntos à importância da valorização da nossa cultura raiz”, afirmou Edcarlos.

        O II Festival de Cultura Popular é uma realização da Prefeitura Municipal de Monteiro, patrocínio do Banco do Nordeste, Governo Federal e Governo do Estado, com apoio do Sebrae, UEPB, Credi Pajeú, projetos Vínculus e Dom Helder.

A programação oficial ficou definida da seguinte forma:

Dia 23 Fevereiro (Quarta-feira)

09h00 Abertura Oficial (Pátio da Prefeitura Municipal)
09h30 Apresentações Culturais: Banda Filarmônica Sebastião de Oliveira Brito/ Banda Fanfarra/ Grupo Musical Meninos do PETI/ Grupo de Dança de Rua do PETI/ Grupo Pernas de Pau (Pátio da Prefeitura Municipal)
10h00 Lançamento do Livro “A Próxima Página” de Maria Moreno (Museu Histórico)
10h30 Abertura de Exposição de Artesanato do Cariri Paraibano (Museu Histórico)
19h30 Abertura da Mostra de Teatro (Teatro Jansen Filho)
20h00 Espetáculo Teatral: Machos - Direção Saulo Queiroz (Teatro Jansen Filho)
22h00 Espetáculo de Dança da UEPB (Teatro Jansen Filho)

Dia 24 Fevereiro (Quinta-feira)

16h00 Palestra “Cultura na Educação”: Ministrada por Antonio Rafael de Menezes (Teatro Jansen Filho)
19h00 Espetáculo Teatral: As Plêiades da Matemática (Teatro Jansen Filho)
Festival de Cinema (Teatro Jansen Filho) 
Exibição de vídeo em homenagem a Ilmar Cavalcante

Dia 25 Fevereiro (Sexta-feira)

09h00 Reunião do Fórum de Cultura e Turismo do Cariri Paraibano (Teatro Jansen Filho)
10h00 Palestra Programa Mais Cultura e Sistema Nacional e Municipal de Cultura: Representante do Ministério da Cultura (Teatro Jansen Filho)
20h00 Sarau Poético (Centro Cultural Alexandre da Silva Brito)
Festival de Violeiros – Noite dos Campeões – Pinto de Monteiro (Centro Cultural Alexandre da Silva Brito) com: Sebastião Dias e Moacyr Laurentino, Sebastião da Silva e Edezel Pereira, João Paraibano e Raolino, Raimundo Borges e Gilberto Alves, Carlinhos da Prata e Zé de Jabitacá, Louro Branco e José Feitosa, João Furiba, e ainda aboiadores. Show voz e violão com Oliveira de Panelas.

Dia 26 Fevereiro (Sábado)

08h00 Cultura na Feira: Apresentações Culturais: Banda de Pífano Mirim Curumins da Serra / Coco de Roda Quitéria Noberto/ Banda de Pífano Alto São Vicente/ Bereta do Cavaquinho/ João de Amélia (Mercado Público)
16h00 Lançamento do livro “Ciço de Luzia” de Efigênio Moura (Casa Progresso)
Voz & Violão com Niedson Nill (Casa Progresso)
20h00 Homenagem a Ilmar Cavalcante (Praça João Pessoa)
21h00 Apresentação Cultural de Zabé da Loca e as Ceguinhas de Campina
22h00 Apresentação Cultural Amigos de Ilmar Cavalcante: Maciel Melo (trecho Música), Cristina Amaral (trecho música), César Amaral, Dejinha de Monteiro, Sandra Belê, Neno, Luciene Melo, Osmando Silva, Flávio Leandro, Nanado Alves e Ramon do Acordeon.
Apresentação Cultural Xodó do Cariri

Dia 27 Fevereiro (Domingo)

20h00 Exibição do Documentário “O Mundo Encantado de Zabé da Loca”, direção do jornalista Pedro Paulo (Teatro Jansen Filho)

Programação de Oficinas:
Oficina de Vídeo (Escola Municipal Maria do Socorro Aragão)
Oficina de Pífano (PETI)
Oficina de Percussão (PETI)
Oficina de Coco de Roda (PETI)
Oficina de Teatro (Escola Municipal Maria do Socorro Aragão)
Oficina de Literatura de Cordel (Secretaria de Educação)
Ascom / Midia10

Fonte: vitrinedocariri.com.br

domingo, 13 de fevereiro de 2011

AS ÁGUAS LAVAM A TERRA E LEVAM GRANDE TESOURO

 

Autora: Lílian Maial

Todo ano, quando chove,
fica na boca esse gosto,
um medo expresso no rosto,
pavor de tudo o que move.
É o fim que não se aprove
uma lei no ano vindouro!
É preciso um suadouro
pra acabá com quem emperra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Os homi num toma jeito ,
faz obra em tudo que é canto,
e nada lhes causa espanto,
nem mesmo tal desrespeito.
Os homi malsatisfeito
constrói casa e atracadouro,
como se fosse calouro
deflagrando grande guerra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Eu num posso acreditá
num tremendo despautério,
inté causo de adultério
se arresorve sem matá,
intão, praquê martratá
a terra – bem duradouro -
incitando o atoladouro
e todo o mal que se encerra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

A natureza num pensa
no que pode acontecê,
é fresquinha, igual bebê,
num faz nada por ofensa,
e nem busca recompensa,
quando cria um tragadouro,
se num tem um vertedouro,
faz caminho inté sem serra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Não se pode construí
nas encosta sem parede,
em muro não se põe rede,
sob risco de caí,
e pras água destruí,
num carece muito estouro,
basta que esse logradouro
arranque aquilo que emperra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Na virada de ano novo,
nesse tar de reveião,
o céu mandou os trovão,
pramodi assustá o povo.
Mas a cantiga do corvo,
passarim de mau agouro,
fez tremê o ancoradouro,
sob o solo a vida encerra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

As família sem seus fio,
sem o teto e sem futuro,
choram lágrimas no escuro,
num lamento tão sombrio,
de provocá calafrio,
perdê tudim e sem louro.
De repente, o escoadouro
da vida e tudo se ferra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Peço força pr’eles tudo,
muita luz, muita corage,
que essa vida é só passage,
que esse mundo é cabeludo.
Mesmo pra quem tem estudo,
quem tem grana, quem tem ouro,
nada disso amansa o touro,
quando a dor no peito berra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Texto

Imagem: substantivoplural.com.br

sábado, 12 de fevereiro de 2011

MATRIMÔNIO DE BELO & RUTH

Irei expor nesses versos
Um momento especial
Um relato muito breve
Da história de um casal
Que hoje vai contrair
Enlace matrimonial.

Falo-vos de Belizario
Meu irmão, meu camarada
Um guerreiro, um lutador
E também da sua amada
Rutimar, de Fortaleza
Pessoa muito estimada.

Eles são um par perfeito.
Gente espetacular.
Duas pessoas do bem
Q sabem aos outros agradar.
Namoraram 1 bom tempo
E hoje irão se casar

Amigos de todo canto
Vieram para o momento
Todo mundo apreensivo
Aguardando o evento
Dos corações que se unem
Hoje à noite em casamento

Todo mundo lhes deseja
Um mar de felicidade
Q este amor q hoje os cerca
Pautado pela verdade
Siga a linha do infinito
Em busca da eternidade

Manoel Messias Belizario Neto

Professor da Univap é premiado pelo Ministério da Cultura

Docente da Univap, Paulo Barja é contemplado com o Prêmio Mais de Literatura de Cordel

André Leite
São José dos Campos

           Em todos as formas de expressões artísticas, a manifestação popular encontra espaço para se fazer presente. No campos da literatura, sem dúvida o Cordel é sua principal representante. E foi com a simplicidade de seus cordéis -- poemas populares impressos em papel, mas com grande força para se propagar na oralidade -- reunidos no projeto “Cordel na Estrada e na Escola”, que o professor da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) Paulo Barja conquistou o Prêmio Mais de Literatura de Cordel, promovido pelo Ministério da Cultura. “Desde que comecei a produzir os folhetos, vejo um potencial muito grande do cordel como instrumento educativo... O cordel permite uma interação prazerosa entre pais e filhos, professores e alunos”, afirma Barja. Focado nesse potencial, o professor decidiu difundir seu trabalho -- que antes ficava restrito aos familiares e amigos -- pelas escolas da região. E com a ajuda do governo, a atividade ganhou ainda mais força e reconhecimento. “A simples criação desse prêmio significa que o governo brasileiro reconhece a importância do cordel como forma de expressão do nosso povo. E, para quem recebe o prêmio, significa apoio, confiança e uma certeza: há muito a ser feito!”, comemora. O projeto do prof. Barja foi contemplado na categoria “Formação”. Isso significa que seu trabalho é destinado tanto para a qualificação de profissionais como para a formação leitora do público em geral, por meio do Cordel (com a realização de palestras, apresentações e oficinas, entre outras atividades). O trabalho, que apresenta o Cordel como ferramenta didática, agora irá percorrer cidades como São Luís, Campinas etc. paulobarja.blogspot.com cordeisjoseenses.blogspot.com

Fonte: O Vale

Imagem: cesed.br

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Patativa do Assaré Um Crítico Do Sertão

 

calendario_02_20100518_083102

UM CONVITE PARA A BOA POESIA.

         Centro Cultural BNB Sousa convida você para o Curso: Patativa do Assaré Um Crítico Do Sertão, que será realizado no período de 16 a 19 de fevereiro de 2011. As inscrições estão abertas na recepção do centro cultural em Sousa. O curso “Patativa do Assaré - Um Critico do Sertão” – acontecerá de quarta à sábado será direcionado aos apreciadores de poesia, professores, agentes culturais, mediadores de leitura, cordelistas, repentistas, entre outros que dialogam com a literatura de cordel e linguagens afins.

      Faça já sua inscrição, aproveite! Aproveite e faça já sua inscrição, são as últimas vagas.

Geraldo Bernardo

Fonte: Portal Progresso

BIG BROTHER BRASIL, UM PROGRAMA IMBECIL

          Em Big Brother Brasil o cordelista baiano, Antônio Barreto, utiliza da literatura de cordel para satirizar o reality show produzido pela Rede Globo. Barreto critica a alienação imposta pelo programa e fala dos valores invertidos reproduzidos em rede nacional.
* Antonio Barreto é cordelista, natural de Santa Bárbara (BA).
Leia mais: Em versos, cordelista Antônio Barreto desanca o Big Brother

BIG BROTHER BRASIL, UM PROGRAMA IMBECIL

Autor: Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
E vamos ficar calados
Diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Fonte

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Professor Manoel Lopes Sobrinho produz obra em Literatura de Cordel – O Conserto da Escada.

         

          O Professor e poeta Manoel Lopes escreveu mais uma obra, desta vez intitulada O CONSERTO DA ESCADA, que traz uma espécie de sátira bem pertinente ao momento vivido pelos profissionais da educação na cidade de Redenção do Gurguéia. Manoel Lopes Sobrinho é pedagogo e professor da rede municipal de educação.
Veja algumas estrofes nesta coluna a partir de hoje

XXXVII
No mundo globalizado
Na luta do vai ou quebra
Sempre acontece zebra
Do lado injustiçado
Só o fraco é contemplado
Com a pressão da fervura
Em alta temperatura
Contra esse pessoal
Porém no salão real
A festa é beleza pura.

XXXVIII
Não se tem mais previsão
De algum setor pagar
Porque se ouviu falar
De uma crise no Japão
Uma boa ocasião
De fluir maldosamente
Uma vibração doente
Na cabeça do gestor
Para valores transpor
De trás, de lado e de frente.

XXXIX
O presente conteúdo
Mesmo assim impessoal
Tem uma visão global
Partindo do nada o tudo
É como um punhal agudo
Que calmamente se aguça
Pra ferir no fuça, fuça,
A cabeça de alguém
Mas, tão somente de quem,
Assente-lhe a carapuça.

Fonte: Meio Norte.com/Blog Redenção da Gurguéia

Imagem da internet

Estudantes de Crateús aprendem a fazer cordel

O Mestre da Cultura Popular, Lucas Evangelistas, ministra curso para alunos da rede municipal



          Crateús. Ensinar é aprender duas vezes, já diziam os antigos. É esse o sentimento do cordelista Lucas Evangelista, ao ministrar o curso "Literatura de Cordel - Versos e Cantoria" a 25 alunos da rede municipal deste Município. "É uma alegria ensinar o que sei a estes adolescentes, mostro os detalhes do cordel, como surgiu, como fazer, e quem sabe dessa turma pode até surgir algum novo cordelista aqui da região", comenta o crateuense reconhecido como Mestre da Cultura Popular, que escreve cordéis desde os 14 anos de idade.
          O projeto, realizado com apoio do Governo Federal, Governo do Estado, Banco do Nordeste, Prefeitura de Crateús, Instituto Nordeste Cidadania e Ministério da Cultura, iniciou na segunda-feira e encerrará nesta sexta, no auditório da Secretaria Municipal de Educação.
Incentivo
           O curso visa despertar o incentivo pela leitura e escrita por meio da literatura de cordel. Além disso, o projeto busca, também, incentivar a produção criativa e oralidade dos estudantes para melhor compreensão do mundo por meio da cultura popular nordestina.
          Explanação do tema por meio de textos e painéis, apresentação de folheto, apresentação e análise de cordéis, construção de versos coletivos, confecção de folhetos, produção artesanal das capas dos folhetos são abordados no projeto, cujas aulas são teóricas e práticas, coordenadas pelo próprio mestre.
"Repasso tudo sobre a arte do cordel e eles levam também cordel para ler em casa e são incentivados a reproduzirem cordel ao final do curso", diz Lucas.
          De acordo com Lucas Evangelista, que já ministrou outros cursos em outros períodos na cidade, nem todos os alunos chegam a produzir os folhetos. "Isso porque escrever cordel é dom, então, não obrigamos a escrever, tem que ser livre, mas todos saem daqui conhecendo e conscientes da literatura de cordel", comente.

Exposição
          Na última etapa do curso, sexta-feira, acontecerá uma exposição dos trabalhos para a comunidade escolar.
          O painel expositivo com a produção de cordéis do mestre Lucas chama a atenção dos alunos. Eles se detêm mais nos dois últimos: "Primeira Mulher Presidente do Brasil", que conta a história da eleição e posse de Dilma, e "Guerra do Narcotráfico na Vila Cruzeiro e no Morro do Alemão", que conta de forma popular o episódio ocorrido no fim do ano no Rio de Janeiro.
          O aluno Lucas Alves, de 12 anos, estudante da Escola Olavo Bilac, entusiasmado com o novo aprendizado, revela a vontade de escrever cordéis. "Conhecia o seu Lucas lá do Centro, onde ele fica todos os dias cantando, no entanto, não sabia que eu também podia fazer. Cordel é muito bonito. Estou pensando em escrever, só não sei ainda o assunto", diz.

Aprendizado
          Para a estudante da mesma Escola, Vitória Alves, o curso despertou a vontade de aprender mais sobre arte popular e cantoria. "Estou animada para conhecer e aprender mais sobre cordel, literatura, versos e o que gostei mais é de treinar as músicas com a viola", declara Vitória entusiasmada com o curso.

Enquete
O que acha do curso?

"Estou animada para conhecer e aprender sobre cordel, literatura, versos. O que gostei mais é de treinar músicas com a viola"

Vitória Alves
Aluna participante do curso
"Cordel é muito bonito. Não sabia que também podia fazer. Estou pensando em escrever, só não sei ainda o assunto"

Lucas Alves
Aluno participante do curso
MAIS INFORMAÇÕES

Mestre Lucas Evangelista - Apresentações, shows e Cantorias: (88) 3691.0011/ (88) 9966.6114
Secretaria de Educação: (88) 3692.3311
SILVANIA CLAUDINO
REPÓRTER

Diário do Nordeste

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Festival de Cultura Popular de Monteiro vai homenagear Ilmar Cavalcante

 

          A cidade de Monteiro, distante 319 km da Capital, vai realizar de 23 a 27 deste mês, o 2º Festival de Cultura Popular Zabé da Loca, que este ano homenageará o compositor Ilmar Cavalcante. O Governo do Estado apóia o evento, através da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur).
          Durante os cinco dias, o festival promoverá oficinas de literatura e cordel, palestras, mostra de teatro, de dança e de cinema, e lançará livros. Estão previstas também apresentações de teatro de rua, shows, gincanas culturais e festival de violeiros.
Ceguinhas de Campina - O secretário de Cultura e Turismo de Monteiro, Edcarlos Farias, informa que estão confirmadas as participações das “Ceguinhas de Campina”, protagonistas do filme “A pessoa é para o que nasce”. As três deficientes visuais, antes da consagração popular, passaram grande parte de suas vidas juntas, cantando e tocando ganzá em troca de esmolas nas cidades e feiras do Nordeste do Brasil.
          Edcarlos Farias explica que o Festival de Cultura Popular Zabé da Loca é um evento que divulga a cidade de Monteiro e o Cariri paraibano no cenário cultural brasileiro. “No ano passado, o evento contou com as presenças de nomes consagrados como Flávio José, Dejinha de Monteiro, Novinho da Paraíba, Luciene Melo e Chico César. Este ano o festival deverá contar também com grandes atrações que estarão homenageando Ilmar Cavalcante”, diz o secretário.


          Cordel nas escolas


          A cidade de Monteiro é conhecida por sua riqueza cultural, berço de grandes nomes da poesia, da literatura e da música. A secretária de Educação do município, Ana Lima Feliciano, disse que está sendo elaborado um projeto pedagógico para que a literatura de cordel seja trabalhada no currículo escolar, para dar aos alunos a oportunidade de conhecer e preservar os valores culturais da região.
A secretária informou que acontecerá entre os dias 21 a 25 deste mês uma oficina de literatura de cordel, ministrada por Abdias Campos, numa parceria entre a Funarte e a Prefeitura de Municipal. Esta será a primeira atividade para implementação do projeto pedagógico.
          A oficina terá 30 horas de trabalho e dela deverão participar professores, poetas e agentes culturais. Os trabalhos realizados durante a oficina serão expostos no Festival de Violeiros que acontecerá na noite do dia 25 de fevereiro com a presença de grandes nomes da poesia popular nordestina.

Pré-programação do Festival de Cultura Popular:

          23 de Fevereiro (Quarta-feira)
09h - Abertura Oficial (Pátio da Prefeitura Municipal)
09h30 - Apresentação da Fanfarra / Grupos Culturais e Teatro de Rua (Pátio da Prefeitura Municipal)
10h - Abertura de Exposição de Artesanato do Cariri Paraibano (Museu Histórico)
19h30 - Mostra de Teatro (Teatro Jansen Filho), com Espetáculo Teatral Grupo UEPB Monteiro: As Plêiades da Matemática; Espetáculo de Dança Clássica – Grupo UEPB Campus Campina Grande e Espetáculo Teatral: Machos (Direção Saulo Queiroz) – Grupo do Campus UEPB.
Dia 24 Fevereiro (Quinta-feira)
14h - Palestra “Cultura na Educação”, Ministrada pelo professor Antonio Rafael de Menezes (Teatro Jansen Filho)
19h30 - Apresentação cultural / Mostra de Cinema / Exibição de vídeo em homenagem a Ilmar Cavalcante
Dia 25 Fevereiro (Sexta-feira)
09h - Reunião do Fórum de Cultura e Turismo do Cariri Paraibano (Teatro Jansen Filho)
10h - Palestra Programa Mais Cultura e Sistema Nacional e Municipal de Cultura: Representante do Ministério da Cultura (Teatro Jansen Filho)
20h - Lançamento do Cordel Pinto do Monteiro: Autor Manoel Monteiro (Centro Cultural) e Festival de Violeiros – Noite dos Campeões – Pinto do Monteiro (Centro Cultural)
Dia 26 Fevereiro (Sábado)
08h - Cultura na Feira: Apresentações culturais: Banda de Pífanos Mirim Curumins da Serra / Coco de Roda Quitéria Noberto/ Banda de Pífanos Alto São Vicente / Bereta do Cavaquinho/ João de Amélia (Mercado Público)
16h - Lançamento do livro “Ciço de Luzia” de Efigênio Moura e Apresentação Cultural de Niedson Nill (Casa Progresso)
20h30 - Homenagem a Ilmar Cavalcante (Praça João Pessoa)
20h45 - Apresentação Cultural de Zabé da Loca
21h - Apresentação Banda Filarmônica
22h - Shows Musicais
Dia 27 Fevereiro (Domingo)
07h Gincana Cultural (Maratona Caracterizada)

Programação de Oficinas

23 de fevereiro
08h00: Abertura
Oficina de Vídeo: Ministrada por Asley Ravel (Escola Municipal Maria do Socorro Aragão)
Oficina de Pífano: Ministrada por Josivane Caiano e Pitó (PETI)
Oficina de Coco de Roda: Ministrada por Ivan do Coco (PETI)
Oficina de Literatura de Cordel: Ministrada por Manoel Monteiro (Secretaria de Educação)

Sobre o homenageado

          O compositor paraibano Ilmar Cavalcante nasceu no dia 19 de outubro de 1970, em João Pessoa, mas sempre morou em Monteiro. Ele é filho de Inácio Vieira da Silva (in memorian) e Lindalva Cavalcante da Silva.
          O homenageado teve a infância dividida entre os estudos, as peladas de futebol e as férias no sítio Angico, dos avôs maternos. A admiração de seu pai pela música regional, em especial pelo forró do Trio Nordestino, clareou-lhe a inspiração e fez surgir os primeiros versos em forma de canção. Com o passar do tempo, entre os 19 e os 20 anos de idade, já com alguns trabalhos desenvolvidos, Ilmar se sentia feliz tocando violão e mostrando as primeiras composições a amigos mais próximos.
          Vencendo a timidez, apresentou suas canções a alguns artistas, em especial a Flávio José e a Dejinha de Monteiro, que gravou sua primeira música intitulada "Me deixa entrar no seu mundo", de 1993.

                              Primeiros sucessos

           Depois dessa primeira vitória, a inspiração e a dedicação se redobraram. Em 1994, Ilmar teve a música “Poucas Palavras” interpretada pela cantora Eliane. Coube a Flávio José apresentar Ilmar a Eliane. A partir de então, as portas se abriram para o jovem compositor.
          Ainda em 1994, Ilmar conhece o cantor e compositor Nanado Alves e dessa parceria nasceram grandes sucessos consagrados pelo povo. Na ocasião, a Banda Magníficos, em início de carreira, gravou cinco músicas da dupla, entre elas "Xote de encomenda", "Charme especial" e "Todo dia te querer".
          No ano seguinte, Flávio José grava duas músicas que se tornariam sucessos ("Um passarinho" e "O bom do amor"). Por seu lado, a Banda Magníficos lança seu segundo trabalho com mais três músicas da dupla: "Tenda", "Alguém" e "Viver uma paixão". Começa então o reconhecimento em território nacional.

                                       Novos intérpretes

            Em 1996, o cantor Gláucio Costa grava o xote "Cheiro de nós", uma música cheia de poesia em que a letra faz homenagem ao poeta José Marcolino. A partir de 1997, Ilmar tem suas músicas executadas pelas rádios de todo o país, a exemplo de “Saudade que mata", com Genaro, e "Diálogo", com Flávio José.
          No 1º MPB Cariri, um festival de música regional realizado em Monteiro em 1998, Ilmar é o grande vencedor com a música "Quando escuto seu Luiz". Essa canção foi gravada por Flávio José no CD “Pra todo mundo”, com o nome de "Sangue nordestino". Nesse mesmo disco, encontramos o baião "Só falta você voltar".
          Com o surgimento de novas bandas de forró, a Magníficos grava em 1999 a música "Muito pra te dar" (parceria com Nanado Alves e Jorge Andrade). Já em 2000, o cantor Flávio José entra na gravadora BMG e lança um novo CD, que tem como carro-chefe "Seu olhar não mente" e o xote "A vida é você" (Ilmar Cavalcante/Nanado Alves). Dois grandes sucessos lembrados pelo público.
          No ano seguinte, a música "Amor pra mais de mil" foi gravada por mais de 30 artistas, inclusive o cantor Novinho da Paraíba e as bandas Mastruz com Leite e Raízes do Forró. Com essa canção vários desses artistas se apresentam em programas de TV (Xuxa Parque, Super Pop e A Casa é Sua, entre outros). No mesmo ano, o cantor Adelmário Coelho grava “Chega de saudade", que foi carro-chefe do CD e teve grande aceitação popular.
         Coletâneas – Em 2002, a gravadora BMG lança duas coletâneas de Ilmar Cavalcante: “As Melhores do ano” e “4 em 1”. A música "Seu olhar não mente" (Ilmar/Nanado) fizeram parte desses dois discos, que tiveram a participação de grandes nomes da música popular brasileira, como Fábio Jr., Leonardo, Daniela Mercury entre outros.
          O baiano Adelmário Coelho gravou, em 2004, "Farejador de forró", um autêntico pé-de-serra feito por encomenda. Nessa música, a parceria foi com o seu compadre João Batista.
          Em 2005, a Banda Magníficos, o cantor Novinho da Paraíba e Santanna gravaram em DVD sucessos de Ilmar Cavalcante. Dois anos depois o compositor ficou em 2º lugar no Forrofest, com o baião "Meu Lugar é meu Nordeste", interpretado por Osmando Silva.
Depois de mais de 300 músicas gravadas, e muitas outras inéditas, o compositor monteirense lança o CD "Ilmar Cavalcante, meus amigos, meu Forró". Nesse trabalho grandes artistas da música regional interpretam o poeta-compositor abrilhantando cada vez mais seu belíssimo trabalho.
         No ano passado, Ilmar lança seu segundo trabalho, contando mais uma vez com a participação especial de seus amigos e admiradores. O trabalho surge naturalmente de uma aclamação dos admiradores da boa música nordestina, autêntica e de boa qualidade. Contando nesse trabalho com novas participações a exemplo de Jorge de Altinho, Cezinha, Flávio Leandro, Geraldinho Lins e outros.
          Agradecido pelo sucesso alcançado, o poeta compõe cotidianamente. Em casa ou no trabalho, Ilmar sempre encontra tempo para ler, buscar inspiração, ouvir e aprender com os grandes mestres da música e poesia, como Luiz Gonzaga, o cantor Lindú (Trio Nordestino), Dominguinhos, Guilherme Arantes, Chico Buarque e Jansen Filho, entre outros.

Site do Governo da Paraíba

Imagem da internet

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Serra Talhada recebe I Feira de Literatura de Cordel do Sertão

          No mês de março a cidade de Serra Talhada vai sediar a “I Feira de Literatura de Cordel do Sertão”, que reunirá diversos poetas do Sertão do Pajeú na terra de Lampião. O evento realizado pela Fundação Cabras de Lampião, será engrandecido com as presenças dos poetas Dedé Monteiro, Edgar Muniz, Caio Menezes, Felipe Júnior, Dudu Morais, Dulce Lima, Genildo Santana, Adeval Soares, Neide Nascimento, Paulo Moura, Gilberto Mariano, Rui Grudi, Damião Enésio e Zé Pereira.

          O Sertão do Pajeú é conhecido em Pernambuco como a região que possui maior concentração de poetas e escritores por municípios. Serra Talhada, Tabira, Triunfo e São José do Egito são exemplos de cidades com forte identificação cultural. Só para se ter uma idéia da influência da poesia no Sertão do Pajeú, o lema do município de São José do Egito é “Berço imortal da poesia”. Importantes jornalistas também saíram da região. Magno Martins é de Afogados da Ingazeira e Inaldo Sampaio nasceu em São José do Egito.

Da redação do blog de Alvinho Patriota por Chico Gomes

Imagem

domingo, 6 de fevereiro de 2011

TIRIRICA ENTREVISTADO NO BALANÇO DO CORDEL

 

Autor: Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara/BA,
residente em Salvador.

Tiririca, meu amigo
Preciso lhe entrevistar
Nesses versos de cordel
Da cultura popular
Então mostre que vai ser
Um grande parlamentar.

Reconheço o seu valor
Seu caráter, seu talento.
Então quero aproveitar
Sua fama no momento
E lhe perguntar agora:
Que achas do casamento?

T Pois casar com 3 muié
É mermo poligamia.
E se casado com duas
A gente diz bigamia.
Mas se casado com u’a:
O nome é “monotomia” !

B – Vejo que a desigualdade
No Brasil é pra valer.
Querido parlamentar
Então queira responder:
Sendo agora deputado
O que pretende fazer?

T O mundo é tão disiguá
Que di nada mais me abalo.
O que vejo no Natal
É de intortá o talo:
O peru, coitado, morre
Mas a missa é do galo!

B – Meu querido Tiririca
O seu humor me fascina
Porém seja objetivo
Não entendo patavina!
Que acha da parceria
Do Brasil com a Argentina?

T O reporti intrevistô
Um argentino do bom.
Por favor, nome completo
Fenandito Calderón
Joga bola ou é cantor?
Não sinhô, sou maricón!

B O eleitor de São Paulo
Agora lhe deu conforto
Sei da sua inteligência
Embora ande absorto.
Então dê sua opinião
A respeito do aborto.

T – Eu sou a favô do bôto
Porque vive lá no má
Ele num tem preconceito
No jeito de ingravidá
Mas se o bôto ingoli anzol
O bôto num viverá.

B Haverá segundo turno
Nesta eleição acirrada:
Temos Serra, temos Dilma
Numa peleja danada.
Qual a sua posição
Meu querido camarada?

T Um cogumelo piqueno
Ali na bêra da serra
Disse par o irmão mais véio
Já num tom de pé de guerra:
— Se você não tomar sol
Eu lhe meto a motosserra.

B Eu sei bem que Tiririca
Nunca foi doido da bola!
Sei que está preocupado
Com os rumos da escola…
E pra toda garotada
Tem projeto na cartola?

T O Juquinha ficou magro
Pariceno um canivete.
O médico com pricisão
Diagnosticou o pivete:
— O caso desse pirralho
É excesso de internet!

B Querido parlamentar
Não estou de brincadeira
Falo com seriedade
Dessa nação brasileira
Mas você não leva a sério,
Parece até Zé Limeira.

T Zé Limeira é um cabra
Que canta, dança e garimpa
Ele apoia “ficha suja”
No lugar de “ficha limpa”.
Mas o véio Tiririca
É o parlamentar supimpa!

B Tudo bem, parlamentar
O eleitor não se ilude
Compreendo que o senhor
É um homem de atitude
Então dê sua opinião
A respeito da saúde.

T Duas pulga cunvesava
Perto do Pronto Socorro.
— Vamo passiá, querida,
Se ficar aqui eu morro.
— Vamos a pé ou intão
Pongaremos num cachorro?!

B Acho que todo humorista
Não deixa de ser astuto.
Nossa origem do macaco
Não é nada absoluto.
Você é analfabeto,
Abestado ou matuto?

T O macaco muito isperto
Quis na mula infiá.
Ela, com dô de cabeça,
Não quis sabê de transá.
Ele disse: já viu mula-
Sem cabeça me inganá?

B Meu caríssimo deputado
Respeite seu eleitor
Pois São Paulo quase inteiro
Fez de ti um imperador
Um grande Macunaíma
Desse Brasil sofredor.

T Quem é filho de Sun Paulo
Bom raciocínio herda.
O aluno intão refrete
Com a professora lerda:
O político é que nem fralda,
Troco por causa da merda”.

B Já que você sacaneia
Me ironiza, me oprime,
Eu vou mudar minha prosa
Antes que me desanime.
Para emagrecer um pouco
Você vai fazer regime?

T Chocolate não ingorda
Nem, churrasco, nem patê,
Cerveja, pizza, lasanha
Costela assada, pavê,
Carneiro, bode, peru…
Quem ingorda é você!

B Meu amigo, sinto muito
Mas não posso prosseguir
Pois você não leva a sério
Queremos evoluir
Então se despeça agora:
Que o Barreto vai partir.

T – Meu inleitô abestado
Desse Brasil bananêro,
Deste os tempo de Cabral
Só tem home trambiquêro
Os dotores num faz nada
Então vou de aventurero!

B Tiririca, meu guru
Por favor, não vá embora
Mostre que sabe escrever
Ponha no papel agora
Suas últimas palavras
E depois vá dando o fora.

T – Eu sô ofobetizado
Nas arti da paiaçada
Tô fazeno “o” cum copo
Nas arêa bem sargada
Das praia desse Sum Paulo
Qui votô de forma errada!

B Deputado Tiririca
Gosto muito de você
Fico mais que emocionado
Quando o vejo na TV
Mas disseram que o senhor
Não escreve e não lê.

T Nunca frenquentê escola,
Meu nome não sei fazê;
Por incrive qui pareça
Eu nem sei o ABC
Mas agradeço a Sum Paulo
Qui acabô de mi elegê.

B – Nada mais a declarar,
Assim termina a entrevista.
Parabéns ao eleitor,
Parabéns ao humorista.
Abestado aqui sou eu:
O Barreto – cordelista!!!

FIM

Salvador, 25/10/2010

Imagem

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

UEPB realizará 1ª Jornada de Estudo Internacional sobre Poéticas da Oralidade a partir desta segunda-feira (07)

         

          “Poéticas da oralidade: reinvenção e reescrituras” é o tema da 1ª Jornada de Estudo Internacional sobre Poéticas da Oralidade que a Universidade Estadual da Paraíba realizará a partir desta segunda-feira (07). O evento, que prossegue até o dia seguinte (08), terá convidados do Brasil e de outros países e abordará especialmente a literatura de cordel e poesia oral, buscando ampliar a compreensão dessas poéticas da oralidade no que concerne à sua função social, sua especificidade literária e as incursões delas no livro impresso. As atividades serão sediadas no Centro de Arte e Cultura da UEPB, localizado no Centro de Campina Grande, ao lado do Terminal de Integração.
          A 1ª Jornada de Estudo Internacional sobre Poéticas da Oralidade também propõe um espaço de discussão sobre esses novos suportes e linguagens de que dispõem hoje a literatura de cordel, o teatro popular e outras poéticas. Nesse contexto, destaca-se um exemplo local e recente com relação ao suporte do cordel em livro. É que em 2010, o músico, cordelista e rabequeiro radicado na Paraíba, Beto Brito, lançou o denominado “maior cordel do mundo”: “Bazófias”.
          Na segunda-feira, a abertura da Jornada se dará a partir das 9h, no Auditório do Centro de Arte, com a conferência da professora Ria Lemaire. A holandesa Ria Lemaire é professora emérita e diretora da equipe brasileira do Centre de Recherches Latino-Americaines da Universidade de Poitiers, França. É especialista em literatura medieval em línguas românicas e de literatura brasileira dos séculos XIX e XX. Durante os dois dias do evento, ocorrerão mesas-redondas, no período das 9 às 18h30.
          A jornada acontece graças a uma parceria efetuada entre a Pró-reitoria de Pós-graduação, a professora Joseilda de Sousa Diniz, a equipe do acervo Átila Almeida e a equipe da assessoria dos museus da UEPB. Joseilda está atuando na UEPB como professora visitante. É doutora pela Université de Poitiers, sob a orientação da professora Ria Lemaire. Graduou-se em Língua Moderna Francesa pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, língua e literatura francesas. Em dezembro de 2010, recebeu do Ministério da Cultura (Minc), o Edital-Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel na categoria Pesquisa, com a tese intitulada “José Alves Sobrinho: un poète entre deux mondes/José Alves Sobrinho: um poeta entre dois mundos”.

Redação iParaiba com Ascom

Imagem da internet

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O ALIMENTO CORDEL

Na web tem de tudo
Coisas doces como o mel.
Outras coisas são amargas
Tal qual o gosto do fel,
Mas nenhuma é tão gostosa
Quanto o sabor do cordel.

O cordel é prato cheio
De cultura brasileira.
Um produto fino desses
Não pode faltar na feira.
Quem come uma vez na vida
Quer comer a vida inteira.

Aqui na web nós temos
Um cardápio de Cordel.
Vc saboreia um site,
Um blog de menestrel
E sai com a alma leve
Pensando q está no céu.

Então alimente a mente
Com a arte popular
Se ainda não conhece
Garanto q vai gostar
Siga a vereda do link
E ñ se arrependerá.

http://migre.me/3LZYM">http://migre.me/3LZYM">http://migre.me/3LZYM'>http://migre.me/3LZYM">http://migre.me/3LZYM

Autor: Manoel Messias Belizario Neto

Imagem

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Literatura de cordel será trabalhada nas escolas municipais de Monteiro

Publicado em 13/01/2011, às 11h12

          Na cidade que encanta em prosa e verso, berço de grandes nomes da poesia, da literatura e da música, os segredos das técnicas de métrica e de rima serão desenvolvidos nos bancos escolares da rede municipal de educação.
          A secretária de educação do município de Monteiro, Ana Lima Feliciano, confirmou que está sendo elaborado um projeto pedagógico para que a poesia popular através da literatura de cordel seja trabalhada no currículo escolar, como forma de possibilitar aos alunos a oportunidade de conhecer e preservar os valores culturais da região.
          A primeira atividade, preparatória para um projeto mais audacioso, estará acontecendo no período de 21 a 25 de fevereiro, quando será realizada uma Oficina de Literatura de Cordel ministrada por Abdias Campos, numa parceria entre a Funarte e a Prefeitura de Monteiro. A oficina terá 30 horas de trabalho e dela deverão participar professores, poetas e agentes culturais. Os trabalhos realizados durante a oficina serão expostos no festival de violeiros que acontecerá na noite do dia 25 de fevereiro (sexta-feira) com a presença de grandes nomes da poesia popular nordestina.
          A secretária Ana Lima confirmou que o projeto pedagógico da literatura de cordel nas escolas municipais de Monteiro deverá ser referência no campo da pedagogia.

Redação iParaíba com Ascom