CORDEL PARAÍBA

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Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

BIG BROTHER BRASIL, UM PROGRAMA IMBECIL

          Em Big Brother Brasil o cordelista baiano, Antônio Barreto, utiliza da literatura de cordel para satirizar o reality show produzido pela Rede Globo. Barreto critica a alienação imposta pelo programa e fala dos valores invertidos reproduzidos em rede nacional.
* Antonio Barreto é cordelista, natural de Santa Bárbara (BA).
Leia mais: Em versos, cordelista Antônio Barreto desanca o Big Brother

BIG BROTHER BRASIL, UM PROGRAMA IMBECIL

Autor: Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
E vamos ficar calados
Diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

Fonte

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Professor Manoel Lopes Sobrinho produz obra em Literatura de Cordel – O Conserto da Escada.

         

          O Professor e poeta Manoel Lopes escreveu mais uma obra, desta vez intitulada O CONSERTO DA ESCADA, que traz uma espécie de sátira bem pertinente ao momento vivido pelos profissionais da educação na cidade de Redenção do Gurguéia. Manoel Lopes Sobrinho é pedagogo e professor da rede municipal de educação.
Veja algumas estrofes nesta coluna a partir de hoje

XXXVII
No mundo globalizado
Na luta do vai ou quebra
Sempre acontece zebra
Do lado injustiçado
Só o fraco é contemplado
Com a pressão da fervura
Em alta temperatura
Contra esse pessoal
Porém no salão real
A festa é beleza pura.

XXXVIII
Não se tem mais previsão
De algum setor pagar
Porque se ouviu falar
De uma crise no Japão
Uma boa ocasião
De fluir maldosamente
Uma vibração doente
Na cabeça do gestor
Para valores transpor
De trás, de lado e de frente.

XXXIX
O presente conteúdo
Mesmo assim impessoal
Tem uma visão global
Partindo do nada o tudo
É como um punhal agudo
Que calmamente se aguça
Pra ferir no fuça, fuça,
A cabeça de alguém
Mas, tão somente de quem,
Assente-lhe a carapuça.

Fonte: Meio Norte.com/Blog Redenção da Gurguéia

Imagem da internet

Estudantes de Crateús aprendem a fazer cordel

O Mestre da Cultura Popular, Lucas Evangelistas, ministra curso para alunos da rede municipal



          Crateús. Ensinar é aprender duas vezes, já diziam os antigos. É esse o sentimento do cordelista Lucas Evangelista, ao ministrar o curso "Literatura de Cordel - Versos e Cantoria" a 25 alunos da rede municipal deste Município. "É uma alegria ensinar o que sei a estes adolescentes, mostro os detalhes do cordel, como surgiu, como fazer, e quem sabe dessa turma pode até surgir algum novo cordelista aqui da região", comenta o crateuense reconhecido como Mestre da Cultura Popular, que escreve cordéis desde os 14 anos de idade.
          O projeto, realizado com apoio do Governo Federal, Governo do Estado, Banco do Nordeste, Prefeitura de Crateús, Instituto Nordeste Cidadania e Ministério da Cultura, iniciou na segunda-feira e encerrará nesta sexta, no auditório da Secretaria Municipal de Educação.
Incentivo
           O curso visa despertar o incentivo pela leitura e escrita por meio da literatura de cordel. Além disso, o projeto busca, também, incentivar a produção criativa e oralidade dos estudantes para melhor compreensão do mundo por meio da cultura popular nordestina.
          Explanação do tema por meio de textos e painéis, apresentação de folheto, apresentação e análise de cordéis, construção de versos coletivos, confecção de folhetos, produção artesanal das capas dos folhetos são abordados no projeto, cujas aulas são teóricas e práticas, coordenadas pelo próprio mestre.
"Repasso tudo sobre a arte do cordel e eles levam também cordel para ler em casa e são incentivados a reproduzirem cordel ao final do curso", diz Lucas.
          De acordo com Lucas Evangelista, que já ministrou outros cursos em outros períodos na cidade, nem todos os alunos chegam a produzir os folhetos. "Isso porque escrever cordel é dom, então, não obrigamos a escrever, tem que ser livre, mas todos saem daqui conhecendo e conscientes da literatura de cordel", comente.

Exposição
          Na última etapa do curso, sexta-feira, acontecerá uma exposição dos trabalhos para a comunidade escolar.
          O painel expositivo com a produção de cordéis do mestre Lucas chama a atenção dos alunos. Eles se detêm mais nos dois últimos: "Primeira Mulher Presidente do Brasil", que conta a história da eleição e posse de Dilma, e "Guerra do Narcotráfico na Vila Cruzeiro e no Morro do Alemão", que conta de forma popular o episódio ocorrido no fim do ano no Rio de Janeiro.
          O aluno Lucas Alves, de 12 anos, estudante da Escola Olavo Bilac, entusiasmado com o novo aprendizado, revela a vontade de escrever cordéis. "Conhecia o seu Lucas lá do Centro, onde ele fica todos os dias cantando, no entanto, não sabia que eu também podia fazer. Cordel é muito bonito. Estou pensando em escrever, só não sei ainda o assunto", diz.

Aprendizado
          Para a estudante da mesma Escola, Vitória Alves, o curso despertou a vontade de aprender mais sobre arte popular e cantoria. "Estou animada para conhecer e aprender mais sobre cordel, literatura, versos e o que gostei mais é de treinar as músicas com a viola", declara Vitória entusiasmada com o curso.

Enquete
O que acha do curso?

"Estou animada para conhecer e aprender sobre cordel, literatura, versos. O que gostei mais é de treinar músicas com a viola"

Vitória Alves
Aluna participante do curso
"Cordel é muito bonito. Não sabia que também podia fazer. Estou pensando em escrever, só não sei ainda o assunto"

Lucas Alves
Aluno participante do curso
MAIS INFORMAÇÕES

Mestre Lucas Evangelista - Apresentações, shows e Cantorias: (88) 3691.0011/ (88) 9966.6114
Secretaria de Educação: (88) 3692.3311
SILVANIA CLAUDINO
REPÓRTER

Diário do Nordeste

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Festival de Cultura Popular de Monteiro vai homenagear Ilmar Cavalcante

 

          A cidade de Monteiro, distante 319 km da Capital, vai realizar de 23 a 27 deste mês, o 2º Festival de Cultura Popular Zabé da Loca, que este ano homenageará o compositor Ilmar Cavalcante. O Governo do Estado apóia o evento, através da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur).
          Durante os cinco dias, o festival promoverá oficinas de literatura e cordel, palestras, mostra de teatro, de dança e de cinema, e lançará livros. Estão previstas também apresentações de teatro de rua, shows, gincanas culturais e festival de violeiros.
Ceguinhas de Campina - O secretário de Cultura e Turismo de Monteiro, Edcarlos Farias, informa que estão confirmadas as participações das “Ceguinhas de Campina”, protagonistas do filme “A pessoa é para o que nasce”. As três deficientes visuais, antes da consagração popular, passaram grande parte de suas vidas juntas, cantando e tocando ganzá em troca de esmolas nas cidades e feiras do Nordeste do Brasil.
          Edcarlos Farias explica que o Festival de Cultura Popular Zabé da Loca é um evento que divulga a cidade de Monteiro e o Cariri paraibano no cenário cultural brasileiro. “No ano passado, o evento contou com as presenças de nomes consagrados como Flávio José, Dejinha de Monteiro, Novinho da Paraíba, Luciene Melo e Chico César. Este ano o festival deverá contar também com grandes atrações que estarão homenageando Ilmar Cavalcante”, diz o secretário.


          Cordel nas escolas


          A cidade de Monteiro é conhecida por sua riqueza cultural, berço de grandes nomes da poesia, da literatura e da música. A secretária de Educação do município, Ana Lima Feliciano, disse que está sendo elaborado um projeto pedagógico para que a literatura de cordel seja trabalhada no currículo escolar, para dar aos alunos a oportunidade de conhecer e preservar os valores culturais da região.
A secretária informou que acontecerá entre os dias 21 a 25 deste mês uma oficina de literatura de cordel, ministrada por Abdias Campos, numa parceria entre a Funarte e a Prefeitura de Municipal. Esta será a primeira atividade para implementação do projeto pedagógico.
          A oficina terá 30 horas de trabalho e dela deverão participar professores, poetas e agentes culturais. Os trabalhos realizados durante a oficina serão expostos no Festival de Violeiros que acontecerá na noite do dia 25 de fevereiro com a presença de grandes nomes da poesia popular nordestina.

Pré-programação do Festival de Cultura Popular:

          23 de Fevereiro (Quarta-feira)
09h - Abertura Oficial (Pátio da Prefeitura Municipal)
09h30 - Apresentação da Fanfarra / Grupos Culturais e Teatro de Rua (Pátio da Prefeitura Municipal)
10h - Abertura de Exposição de Artesanato do Cariri Paraibano (Museu Histórico)
19h30 - Mostra de Teatro (Teatro Jansen Filho), com Espetáculo Teatral Grupo UEPB Monteiro: As Plêiades da Matemática; Espetáculo de Dança Clássica – Grupo UEPB Campus Campina Grande e Espetáculo Teatral: Machos (Direção Saulo Queiroz) – Grupo do Campus UEPB.
Dia 24 Fevereiro (Quinta-feira)
14h - Palestra “Cultura na Educação”, Ministrada pelo professor Antonio Rafael de Menezes (Teatro Jansen Filho)
19h30 - Apresentação cultural / Mostra de Cinema / Exibição de vídeo em homenagem a Ilmar Cavalcante
Dia 25 Fevereiro (Sexta-feira)
09h - Reunião do Fórum de Cultura e Turismo do Cariri Paraibano (Teatro Jansen Filho)
10h - Palestra Programa Mais Cultura e Sistema Nacional e Municipal de Cultura: Representante do Ministério da Cultura (Teatro Jansen Filho)
20h - Lançamento do Cordel Pinto do Monteiro: Autor Manoel Monteiro (Centro Cultural) e Festival de Violeiros – Noite dos Campeões – Pinto do Monteiro (Centro Cultural)
Dia 26 Fevereiro (Sábado)
08h - Cultura na Feira: Apresentações culturais: Banda de Pífanos Mirim Curumins da Serra / Coco de Roda Quitéria Noberto/ Banda de Pífanos Alto São Vicente / Bereta do Cavaquinho/ João de Amélia (Mercado Público)
16h - Lançamento do livro “Ciço de Luzia” de Efigênio Moura e Apresentação Cultural de Niedson Nill (Casa Progresso)
20h30 - Homenagem a Ilmar Cavalcante (Praça João Pessoa)
20h45 - Apresentação Cultural de Zabé da Loca
21h - Apresentação Banda Filarmônica
22h - Shows Musicais
Dia 27 Fevereiro (Domingo)
07h Gincana Cultural (Maratona Caracterizada)

Programação de Oficinas

23 de fevereiro
08h00: Abertura
Oficina de Vídeo: Ministrada por Asley Ravel (Escola Municipal Maria do Socorro Aragão)
Oficina de Pífano: Ministrada por Josivane Caiano e Pitó (PETI)
Oficina de Coco de Roda: Ministrada por Ivan do Coco (PETI)
Oficina de Literatura de Cordel: Ministrada por Manoel Monteiro (Secretaria de Educação)

Sobre o homenageado

          O compositor paraibano Ilmar Cavalcante nasceu no dia 19 de outubro de 1970, em João Pessoa, mas sempre morou em Monteiro. Ele é filho de Inácio Vieira da Silva (in memorian) e Lindalva Cavalcante da Silva.
          O homenageado teve a infância dividida entre os estudos, as peladas de futebol e as férias no sítio Angico, dos avôs maternos. A admiração de seu pai pela música regional, em especial pelo forró do Trio Nordestino, clareou-lhe a inspiração e fez surgir os primeiros versos em forma de canção. Com o passar do tempo, entre os 19 e os 20 anos de idade, já com alguns trabalhos desenvolvidos, Ilmar se sentia feliz tocando violão e mostrando as primeiras composições a amigos mais próximos.
          Vencendo a timidez, apresentou suas canções a alguns artistas, em especial a Flávio José e a Dejinha de Monteiro, que gravou sua primeira música intitulada "Me deixa entrar no seu mundo", de 1993.

                              Primeiros sucessos

           Depois dessa primeira vitória, a inspiração e a dedicação se redobraram. Em 1994, Ilmar teve a música “Poucas Palavras” interpretada pela cantora Eliane. Coube a Flávio José apresentar Ilmar a Eliane. A partir de então, as portas se abriram para o jovem compositor.
          Ainda em 1994, Ilmar conhece o cantor e compositor Nanado Alves e dessa parceria nasceram grandes sucessos consagrados pelo povo. Na ocasião, a Banda Magníficos, em início de carreira, gravou cinco músicas da dupla, entre elas "Xote de encomenda", "Charme especial" e "Todo dia te querer".
          No ano seguinte, Flávio José grava duas músicas que se tornariam sucessos ("Um passarinho" e "O bom do amor"). Por seu lado, a Banda Magníficos lança seu segundo trabalho com mais três músicas da dupla: "Tenda", "Alguém" e "Viver uma paixão". Começa então o reconhecimento em território nacional.

                                       Novos intérpretes

            Em 1996, o cantor Gláucio Costa grava o xote "Cheiro de nós", uma música cheia de poesia em que a letra faz homenagem ao poeta José Marcolino. A partir de 1997, Ilmar tem suas músicas executadas pelas rádios de todo o país, a exemplo de “Saudade que mata", com Genaro, e "Diálogo", com Flávio José.
          No 1º MPB Cariri, um festival de música regional realizado em Monteiro em 1998, Ilmar é o grande vencedor com a música "Quando escuto seu Luiz". Essa canção foi gravada por Flávio José no CD “Pra todo mundo”, com o nome de "Sangue nordestino". Nesse mesmo disco, encontramos o baião "Só falta você voltar".
          Com o surgimento de novas bandas de forró, a Magníficos grava em 1999 a música "Muito pra te dar" (parceria com Nanado Alves e Jorge Andrade). Já em 2000, o cantor Flávio José entra na gravadora BMG e lança um novo CD, que tem como carro-chefe "Seu olhar não mente" e o xote "A vida é você" (Ilmar Cavalcante/Nanado Alves). Dois grandes sucessos lembrados pelo público.
          No ano seguinte, a música "Amor pra mais de mil" foi gravada por mais de 30 artistas, inclusive o cantor Novinho da Paraíba e as bandas Mastruz com Leite e Raízes do Forró. Com essa canção vários desses artistas se apresentam em programas de TV (Xuxa Parque, Super Pop e A Casa é Sua, entre outros). No mesmo ano, o cantor Adelmário Coelho grava “Chega de saudade", que foi carro-chefe do CD e teve grande aceitação popular.
         Coletâneas – Em 2002, a gravadora BMG lança duas coletâneas de Ilmar Cavalcante: “As Melhores do ano” e “4 em 1”. A música "Seu olhar não mente" (Ilmar/Nanado) fizeram parte desses dois discos, que tiveram a participação de grandes nomes da música popular brasileira, como Fábio Jr., Leonardo, Daniela Mercury entre outros.
          O baiano Adelmário Coelho gravou, em 2004, "Farejador de forró", um autêntico pé-de-serra feito por encomenda. Nessa música, a parceria foi com o seu compadre João Batista.
          Em 2005, a Banda Magníficos, o cantor Novinho da Paraíba e Santanna gravaram em DVD sucessos de Ilmar Cavalcante. Dois anos depois o compositor ficou em 2º lugar no Forrofest, com o baião "Meu Lugar é meu Nordeste", interpretado por Osmando Silva.
Depois de mais de 300 músicas gravadas, e muitas outras inéditas, o compositor monteirense lança o CD "Ilmar Cavalcante, meus amigos, meu Forró". Nesse trabalho grandes artistas da música regional interpretam o poeta-compositor abrilhantando cada vez mais seu belíssimo trabalho.
         No ano passado, Ilmar lança seu segundo trabalho, contando mais uma vez com a participação especial de seus amigos e admiradores. O trabalho surge naturalmente de uma aclamação dos admiradores da boa música nordestina, autêntica e de boa qualidade. Contando nesse trabalho com novas participações a exemplo de Jorge de Altinho, Cezinha, Flávio Leandro, Geraldinho Lins e outros.
          Agradecido pelo sucesso alcançado, o poeta compõe cotidianamente. Em casa ou no trabalho, Ilmar sempre encontra tempo para ler, buscar inspiração, ouvir e aprender com os grandes mestres da música e poesia, como Luiz Gonzaga, o cantor Lindú (Trio Nordestino), Dominguinhos, Guilherme Arantes, Chico Buarque e Jansen Filho, entre outros.

Site do Governo da Paraíba

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Serra Talhada recebe I Feira de Literatura de Cordel do Sertão

          No mês de março a cidade de Serra Talhada vai sediar a “I Feira de Literatura de Cordel do Sertão”, que reunirá diversos poetas do Sertão do Pajeú na terra de Lampião. O evento realizado pela Fundação Cabras de Lampião, será engrandecido com as presenças dos poetas Dedé Monteiro, Edgar Muniz, Caio Menezes, Felipe Júnior, Dudu Morais, Dulce Lima, Genildo Santana, Adeval Soares, Neide Nascimento, Paulo Moura, Gilberto Mariano, Rui Grudi, Damião Enésio e Zé Pereira.

          O Sertão do Pajeú é conhecido em Pernambuco como a região que possui maior concentração de poetas e escritores por municípios. Serra Talhada, Tabira, Triunfo e São José do Egito são exemplos de cidades com forte identificação cultural. Só para se ter uma idéia da influência da poesia no Sertão do Pajeú, o lema do município de São José do Egito é “Berço imortal da poesia”. Importantes jornalistas também saíram da região. Magno Martins é de Afogados da Ingazeira e Inaldo Sampaio nasceu em São José do Egito.

Da redação do blog de Alvinho Patriota por Chico Gomes

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

TIRIRICA ENTREVISTADO NO BALANÇO DO CORDEL

 

Autor: Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara/BA,
residente em Salvador.

Tiririca, meu amigo
Preciso lhe entrevistar
Nesses versos de cordel
Da cultura popular
Então mostre que vai ser
Um grande parlamentar.

Reconheço o seu valor
Seu caráter, seu talento.
Então quero aproveitar
Sua fama no momento
E lhe perguntar agora:
Que achas do casamento?

T Pois casar com 3 muié
É mermo poligamia.
E se casado com duas
A gente diz bigamia.
Mas se casado com u’a:
O nome é “monotomia” !

B – Vejo que a desigualdade
No Brasil é pra valer.
Querido parlamentar
Então queira responder:
Sendo agora deputado
O que pretende fazer?

T O mundo é tão disiguá
Que di nada mais me abalo.
O que vejo no Natal
É de intortá o talo:
O peru, coitado, morre
Mas a missa é do galo!

B – Meu querido Tiririca
O seu humor me fascina
Porém seja objetivo
Não entendo patavina!
Que acha da parceria
Do Brasil com a Argentina?

T O reporti intrevistô
Um argentino do bom.
Por favor, nome completo
Fenandito Calderón
Joga bola ou é cantor?
Não sinhô, sou maricón!

B O eleitor de São Paulo
Agora lhe deu conforto
Sei da sua inteligência
Embora ande absorto.
Então dê sua opinião
A respeito do aborto.

T – Eu sou a favô do bôto
Porque vive lá no má
Ele num tem preconceito
No jeito de ingravidá
Mas se o bôto ingoli anzol
O bôto num viverá.

B Haverá segundo turno
Nesta eleição acirrada:
Temos Serra, temos Dilma
Numa peleja danada.
Qual a sua posição
Meu querido camarada?

T Um cogumelo piqueno
Ali na bêra da serra
Disse par o irmão mais véio
Já num tom de pé de guerra:
— Se você não tomar sol
Eu lhe meto a motosserra.

B Eu sei bem que Tiririca
Nunca foi doido da bola!
Sei que está preocupado
Com os rumos da escola…
E pra toda garotada
Tem projeto na cartola?

T O Juquinha ficou magro
Pariceno um canivete.
O médico com pricisão
Diagnosticou o pivete:
— O caso desse pirralho
É excesso de internet!

B Querido parlamentar
Não estou de brincadeira
Falo com seriedade
Dessa nação brasileira
Mas você não leva a sério,
Parece até Zé Limeira.

T Zé Limeira é um cabra
Que canta, dança e garimpa
Ele apoia “ficha suja”
No lugar de “ficha limpa”.
Mas o véio Tiririca
É o parlamentar supimpa!

B Tudo bem, parlamentar
O eleitor não se ilude
Compreendo que o senhor
É um homem de atitude
Então dê sua opinião
A respeito da saúde.

T Duas pulga cunvesava
Perto do Pronto Socorro.
— Vamo passiá, querida,
Se ficar aqui eu morro.
— Vamos a pé ou intão
Pongaremos num cachorro?!

B Acho que todo humorista
Não deixa de ser astuto.
Nossa origem do macaco
Não é nada absoluto.
Você é analfabeto,
Abestado ou matuto?

T O macaco muito isperto
Quis na mula infiá.
Ela, com dô de cabeça,
Não quis sabê de transá.
Ele disse: já viu mula-
Sem cabeça me inganá?

B Meu caríssimo deputado
Respeite seu eleitor
Pois São Paulo quase inteiro
Fez de ti um imperador
Um grande Macunaíma
Desse Brasil sofredor.

T Quem é filho de Sun Paulo
Bom raciocínio herda.
O aluno intão refrete
Com a professora lerda:
O político é que nem fralda,
Troco por causa da merda”.

B Já que você sacaneia
Me ironiza, me oprime,
Eu vou mudar minha prosa
Antes que me desanime.
Para emagrecer um pouco
Você vai fazer regime?

T Chocolate não ingorda
Nem, churrasco, nem patê,
Cerveja, pizza, lasanha
Costela assada, pavê,
Carneiro, bode, peru…
Quem ingorda é você!

B Meu amigo, sinto muito
Mas não posso prosseguir
Pois você não leva a sério
Queremos evoluir
Então se despeça agora:
Que o Barreto vai partir.

T – Meu inleitô abestado
Desse Brasil bananêro,
Deste os tempo de Cabral
Só tem home trambiquêro
Os dotores num faz nada
Então vou de aventurero!

B Tiririca, meu guru
Por favor, não vá embora
Mostre que sabe escrever
Ponha no papel agora
Suas últimas palavras
E depois vá dando o fora.

T – Eu sô ofobetizado
Nas arti da paiaçada
Tô fazeno “o” cum copo
Nas arêa bem sargada
Das praia desse Sum Paulo
Qui votô de forma errada!

B Deputado Tiririca
Gosto muito de você
Fico mais que emocionado
Quando o vejo na TV
Mas disseram que o senhor
Não escreve e não lê.

T Nunca frenquentê escola,
Meu nome não sei fazê;
Por incrive qui pareça
Eu nem sei o ABC
Mas agradeço a Sum Paulo
Qui acabô de mi elegê.

B – Nada mais a declarar,
Assim termina a entrevista.
Parabéns ao eleitor,
Parabéns ao humorista.
Abestado aqui sou eu:
O Barreto – cordelista!!!

FIM

Salvador, 25/10/2010

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

UEPB realizará 1ª Jornada de Estudo Internacional sobre Poéticas da Oralidade a partir desta segunda-feira (07)

         

          “Poéticas da oralidade: reinvenção e reescrituras” é o tema da 1ª Jornada de Estudo Internacional sobre Poéticas da Oralidade que a Universidade Estadual da Paraíba realizará a partir desta segunda-feira (07). O evento, que prossegue até o dia seguinte (08), terá convidados do Brasil e de outros países e abordará especialmente a literatura de cordel e poesia oral, buscando ampliar a compreensão dessas poéticas da oralidade no que concerne à sua função social, sua especificidade literária e as incursões delas no livro impresso. As atividades serão sediadas no Centro de Arte e Cultura da UEPB, localizado no Centro de Campina Grande, ao lado do Terminal de Integração.
          A 1ª Jornada de Estudo Internacional sobre Poéticas da Oralidade também propõe um espaço de discussão sobre esses novos suportes e linguagens de que dispõem hoje a literatura de cordel, o teatro popular e outras poéticas. Nesse contexto, destaca-se um exemplo local e recente com relação ao suporte do cordel em livro. É que em 2010, o músico, cordelista e rabequeiro radicado na Paraíba, Beto Brito, lançou o denominado “maior cordel do mundo”: “Bazófias”.
          Na segunda-feira, a abertura da Jornada se dará a partir das 9h, no Auditório do Centro de Arte, com a conferência da professora Ria Lemaire. A holandesa Ria Lemaire é professora emérita e diretora da equipe brasileira do Centre de Recherches Latino-Americaines da Universidade de Poitiers, França. É especialista em literatura medieval em línguas românicas e de literatura brasileira dos séculos XIX e XX. Durante os dois dias do evento, ocorrerão mesas-redondas, no período das 9 às 18h30.
          A jornada acontece graças a uma parceria efetuada entre a Pró-reitoria de Pós-graduação, a professora Joseilda de Sousa Diniz, a equipe do acervo Átila Almeida e a equipe da assessoria dos museus da UEPB. Joseilda está atuando na UEPB como professora visitante. É doutora pela Université de Poitiers, sob a orientação da professora Ria Lemaire. Graduou-se em Língua Moderna Francesa pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, língua e literatura francesas. Em dezembro de 2010, recebeu do Ministério da Cultura (Minc), o Edital-Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel na categoria Pesquisa, com a tese intitulada “José Alves Sobrinho: un poète entre deux mondes/José Alves Sobrinho: um poeta entre dois mundos”.

Redação iParaiba com Ascom

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O ALIMENTO CORDEL

Na web tem de tudo
Coisas doces como o mel.
Outras coisas são amargas
Tal qual o gosto do fel,
Mas nenhuma é tão gostosa
Quanto o sabor do cordel.

O cordel é prato cheio
De cultura brasileira.
Um produto fino desses
Não pode faltar na feira.
Quem come uma vez na vida
Quer comer a vida inteira.

Aqui na web nós temos
Um cardápio de Cordel.
Vc saboreia um site,
Um blog de menestrel
E sai com a alma leve
Pensando q está no céu.

Então alimente a mente
Com a arte popular
Se ainda não conhece
Garanto q vai gostar
Siga a vereda do link
E ñ se arrependerá.

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Autor: Manoel Messias Belizario Neto

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Literatura de cordel será trabalhada nas escolas municipais de Monteiro

Publicado em 13/01/2011, às 11h12

          Na cidade que encanta em prosa e verso, berço de grandes nomes da poesia, da literatura e da música, os segredos das técnicas de métrica e de rima serão desenvolvidos nos bancos escolares da rede municipal de educação.
          A secretária de educação do município de Monteiro, Ana Lima Feliciano, confirmou que está sendo elaborado um projeto pedagógico para que a poesia popular através da literatura de cordel seja trabalhada no currículo escolar, como forma de possibilitar aos alunos a oportunidade de conhecer e preservar os valores culturais da região.
          A primeira atividade, preparatória para um projeto mais audacioso, estará acontecendo no período de 21 a 25 de fevereiro, quando será realizada uma Oficina de Literatura de Cordel ministrada por Abdias Campos, numa parceria entre a Funarte e a Prefeitura de Monteiro. A oficina terá 30 horas de trabalho e dela deverão participar professores, poetas e agentes culturais. Os trabalhos realizados durante a oficina serão expostos no festival de violeiros que acontecerá na noite do dia 25 de fevereiro (sexta-feira) com a presença de grandes nomes da poesia popular nordestina.
          A secretária Ana Lima confirmou que o projeto pedagógico da literatura de cordel nas escolas municipais de Monteiro deverá ser referência no campo da pedagogia.

Redação iParaíba com Ascom

domingo, 30 de janeiro de 2011

Paraíba vai receber R$ 200 mil para projetos de cordel

O Ministério da Cultura (MinC), através do programa Mais Cultura, premiará nesta semana 200 iniciativas ligadas à literatura de cordel em todo o Brasil. Uma lista publicada no Diário Oficial da União em dezembro de 2010 informa a classificação de 27 propostas de gestores culturais da Paraíba. Deste total 16 estão dentro das vagas que serão financiadas pelo MinC.
O edital do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré foi lançado em junho e disponibilizou R$ 3 milhões para investimentos nos projetos selecionados. 688 iniciativas concorreram em todo o país em sete categorias.
Na Paraíba, proponentes de oito municípios foram classificados em seis categorias. João Pessoa vem em primeiro lugar com seis projetos distribuídos dentro das vagas. Em seguida está Campina Grande com quatro. Patos, Santa Luzia, Itaporanga, Picuí, Taperoá e Dona Inês aprovaram um projeto cada.
O projeto aprovado pelo jornalista Manassés de Oliveira, o único da cidade de Picuí, será executado em Campina Grande. Isso eleva o total de propostas da Rainha da Borborema para cinco.
O título da iniciativa do jornalista é “Literatura de cordel e repente: motes para o uni/verso escolar da rede pública de Campina Grande”. De acordo com Oliveira a iniciativa é inéditaporque pretende inaugurar o primeiro laboratório de cantoria do Brasil.
A proposta de Oliveira é instalar numa escola pública de Campina Grande, da rede municipal ou estadual, um laboratório de cantoria. O projeto terá ainda um jornal impresso.
Na metodologia está prevista quatro oficinas ligadas à literatura de cordel. “A ideia é ensinar aos alunos a valorizar e dar continuidade a uma modalidade artística própria do Nordeste brasileiro e que tem Campina Grande como centro de difusão”, explica.
Oliveira ainda quer levar a iniciativa para outras cidades da Paraíba. “Vamos fazer um levantamento bibliográfico que está previsto no nosso cronograma, depois executaremos o projeto em Campina com a verba do MinC. Após essa etapa, já com a experiência do projeto executado na prática, vamos propor ao governo do estado uma extensão das nossas ações em alguns municípios paraibanos”, informou Oliveira.
A ideia do jornalista é compartilhada pelo poeta e pesquisador campinense Bráulio Tavares. No documentário “Poetas do repente”, realizado pela fundação Joaquim Nabuco, Bráulio afirma que “deveria haver no Nordeste escolas, ou cursos, ou oficinas pra que os poetas passassem pra garotos e garotas o beabá da poesia popular: ensinar o que é rima, ensinar o que é métrica, ensinar o que é um verso de dez sílabas e o que é um verso de sete sílabas. Os garotos podem aprender isso. Grande parte dos cantadores aprendeu isso quando eram garotos. Garotos de dez anos de idade, morando no sítio, sem frequentar a escola”.
A divulgação final está prevista para esta semana. O MinC está avaliando os recursos interpostos pelos proponentes que foram classificados fora das vagas do edital. O resultado final depende de publicação no Diário Oficial da União.
Se todos os projetos do estado conseguirem entrar no limite de vagas que serão contempladas após os recursos, a Paraíba terá um acréscimo de R$ 261 mil e elevará o total de recursos para R$ 461 mil.

Fonte: paraiba.com.br
28/01/2011 10h49min

sábado, 29 de janeiro de 2011

Poetas niversitário,


Autor: Patativa do Assaré

Poetas niversitários
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Dêste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lêsma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.

Texto/ Imagem

sábado, 22 de janeiro de 2011

SEU LUNGA, tolerância zero


Autor: Ismael Gaião

Eu vou falar de Seu Lunga
Um cabra muito sincero,
Que não tolera burrice
Nem gosta de lero-lero.
Tem sempre boas maneiras,
Mas se perguntam besteiras,
Sua tolerância é zero!

Ao entrar num restaurante
Logo depois de sentar,
Um garçom lhe perguntou:
O Senhor vai almoçar?
Lunga disse: não Senhor!
Chame o padre, por favor,
Vim aqui me confessar.

Lunga tava na parada
Com Renata perto dele.
Esse ônibus vai pra praia?
Ela perguntou a ele.
Ele, então, disse à mulher:
- Só se a Senhora tiver
Um biquini que dê nele!

Seu Lunga tava pescando
E alguém lhe perguntou:
- Você gosta de pescar?
Ele logo retrucou:
- Como você pode ver,
Eu vim pescar sem querer,
A polícia me obrigou.

Pagando contas no Banco
Lunga viveu um dilema
Pois com um talão nas mãos,
Ouviu de Pedro Jurema:
O Senhor vai usar cheque?
- Ele disse: não, moleque,
Vou escrever um poema.

Em sua sucataria
Alguém tava escolhendo,
- Por quanto o Senhor me dá,
Essa lata com remendo?
Lunga, sem pestanejar,
Disse: não posso lhe dar,
Porque eu estou vendendo.

E ainda muito irritado
A seu freguês respondeu:
Tudo que eu tenho aqui,
Eu vendo porque é meu.
Pois se o Senhor quiser ver,
Coisas sem ser pra vender,
Vá visitar um museu.

Lunga foi comprar sapato
Na loja de Barnabé
E um rapaz bem gentil
Perguntou: é pra seu pé?
Ele disse: não esqueça,
Bote na minha cabeça,
Vou usar como boné.

Lunga carregava leite
Numa garrafa tampada
E um velho lhe perguntou:
Bebe leite, camarada?
Ele disse: bebo não!
Depois derramou no chão.
- Eu vou lavar a calçada.

Seu Lunga tava deitado
Na cama, sem se mexer.
E um amigo idiota
Perguntou, a lhe bater:
- O senhor está dormindo?
Lunga disse: tô fingindo
E treinando pra morrer!

Seu Lunga foi a um banco
Com um cheque pra trocar
Um caixa muito imbecil
Achou de lhe perguntar:
O Senhor quer em dinheiro?
- Não quero não, companheiro,
Quero em bolas de bilhar.

Lunga olhou pro relógio
Na frente de Gabriela,
Quando menos esperava,
Ouviu a pergunta dela:
- Lunga viu que horas são?
Ele disse: não, vi não,
Olhei pra ver a novela!

Seu Lunga comprava esporas
Para correr argolinha
E o vendedor idiota
Fez essa perguntazinha:
- É pra usar no cavalo?
- É não, eu uso no galo,
Monto e dou uma voltinha.

Seu Lunga tava pescando
Quando chegou Viriato
- Perguntando: aqui dá peixe?
Lunga disse: isso é boato!
No rio só dá tatu,
Paca, cutia e teju,
Peixe dá dentro do mato.

Lunga foi se consultar
Com um Doutor que era Crente
Esse logo perguntou:
- O Senhor está doente?
- Lunga disse: não Senhor,
Vim convidar o Doutor,
Para tomar aguardente.

Seu Lunga, com seu cachorro,
Saiu para caminhar
E um besta lhe perguntou:
É seu cão, vai passear?
Lunga sofreu um abalo,
Disse: não, é um cavalo,
Vou levá-lo pra montar.

Lunga trazia da feira,
Já em ponto de tratar,
Uma cabeça de porco,
Quando ouviu alguém falar:
- Vai levando pra comer?
Ele só fez responder:
- Vou levando pra criar!

Lunga foi à eletrônica
Com um som pra consertar
Lá ouviu um idiota
Sem demora, perguntar:
- O seu som está quebrado?
- Tá não, está estressado.
Eu trouxe pra passear.

Seu Lunga foi numa loja
Lá perto de Itaqui
- Tem veneno pra rato?
- Temos o melhor daqui.
Vai levá-lo? Está barato.
- Vou não, vou buscar o rato
Para vim comer aqui!

Seu Lunga tava bebendo,
Quando escutou de Tião:
- Já que faltou energia,
Nós vamos fechar irmão!
Lunga falou: que desgraça!
Eu vim pra tomar cachaça,
Não foi tomar choque não!

Lunga tava em sua loja
Numa preguiça profunda
Quando escutou a pergunta
Vindo de Dona Raimunda:
- O Senhor tem meia-calça?
- Isso em você não realça,
Ou você, tem meia bunda?

Lunga saiu pra pescar,
Quando um amigo encontrou.
Depois de cumprimentá-lo
Seu amigo perguntou:
Lunga vai à pescaria?
Seu Lunga só disse: ia.
Pegou a vara e quebrou.

Jacó estava querendo
Apostar numa milhar
Vendo Lunga numa banca
Disse: agora vou jogar!
E foi gritando dali:
- Lunga, passa bicho aqui?
- Passa sim! Pode passar.

Seu Lunga sentia dor
Procurou Doutor Ramon
Que começou a consulta
Já perguntando em bom tom:
Seu Lunga, qual o seu plano?
Lunga disse: sem engano,
O meu plano é ficar bom!

Lunga tava em seu comércio
Despachando a Zé Lulu
Que depois de escolher
A fava e o feijão guandu.
- Disse: vou levar fubá.
E o arroz como está?
Seu Lunga disse: Tá cru!

Lunga com uma galinha
E a faca pra cortar,
Seu vizinho perguntou:
Oh! Seu Lunga, vai matar?
Com essa pergunta burra,
Disse: não, vou dar uma surra,
Logo depois vou soltar.

Lunga indo a um enterro
Encontrou Zeca Passivo
- Seu Lunga pra onde vai?
Ao enterro de Biu Ivo.
- E Seu Biu Ivo morreu?
- Não, isso é engano seu,
Vão enterrar ele vivo!

Lunga mostrou um relógio
Ao filho de Biu Romão
- Posso botar dentro d’água?
Perguntou o garotão.
Lunga disse sem demora:
- Relógio é pra ver a hora,
Não é sabonete, não!

Lunga fez uma viagem
Pra cidade de Belém
E quando voltou pra casa
Escutou essa de alguém:
- Oh! Seu Lunga, já chegou?
- Eu não, você se enganou,
Chego semana que vem!

Lunga levou uma queda
De cima de seu balcão
- Quer tomar um pouco d’água?
Perguntou o seu irmão.
Lunga logo, respondeu:
Foi só uma queda, meu!
Eu não comi doce não!

Na porta do elevador
Esperando ele chegar
Seu Lunga escutou um besta
Pro seu lado perguntar:
- Vai subir nesse momento?
- Não, que meu apartamento,
Vai descer pra me pegar.

Se encontrar com Seu Lunga
Converse, mas com cuidado,
Pois ele pode ser grosso,
Mesmo sendo educado.
Eu já fiz o meu papel,
Escrevendo este cordel
Pra você ficar ligado!

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

CORDEL DO ANO NOVO

Autor: Nélson Barbosa

Cada ano que se encerra
Na mente do ser humano
Deixa um recém nascido
Nutrido de muitos planos
Sobre o ano aposentado
O povo entusiasmado
Sauda o novo ano.

É um que vai se entregando
Meia-noite é transição;
É quando outro ano nasce
Em plena comemoração
A luz acaba o escuro
Focalizando o futuro
Alentando a ilusão.

Cada um, sua razão
De chorar ou de sorrir
Por valores que perdeu
Ou não pode conseguir
Outros tanto conseguiram
Mas, todos já aderiram
Ao ano que há de vir.

Cada um sabe de si
Da perda e também da glória
Leva consigo do velho
Uma lista na memória
Munido de substâncias
Desafia as circunstâncias
Para compor sua história.

Se a colheita foi simplória
Ou abundante demais
Cada um que pede a Deus
Nos milagres que ele faz:
Amor, dinheiro e saúde
Sucesso, força e virtude
Vida, união e paz.

Como a caatinga faz
Sobretudo, o juazeiro
Renova sua folhagem
Pra a chegada de janeiro
Que seja assim nosso povo:
Na busca de um mundo novo
Vista um sonho verdadeiro.

E peça muito ligeiro
à sagrada providência
Que dê ao povo, saber
E aos políticos, consciência
Para o povo poder
Exigir e eleger
O combate a violência.

Comece a benevolência
De educar para a vida
Respeitar, compreender
Inventar alternativa
Aprender com a natureza
E trabalhar com destreza
De maneira criativa.

Deletar essa inventiva
De um tal de papai Noel
Este ilude as crianças
Dizendo que vem do céu
Nessa proposta indecente
Os pais é que dão presente
Ele que ganha o troféu.

Basta tirar este véu
Que encobre a imagem pura
Há tantos heróis de fato
Na nossa literatura
Que pintam a realidade
Com sonhos que na verdade
Acontecem com ternura.

Até porque essa usura
Que a propaganda faz
Desconsidera o prestígio
De quem se esforçou demais
Em dimensão regular
Nunca se deve ocultar
O heroísmo dos pais.

No tocante aos ideais
Façamos grande investida
Provando a capacidade
Da nossa força contida
Com feito sério e profundo
Vamos sacudir o mundo
Buscando os sonhos da vida.

Pedir bastante juízo
Ao pai de todo esse povo
Para um pensar coletivo
Sem curral e sem estorvo
Que a vida seja uma escola
Sem precisar de esmola
Na passagem de ano novo.

Fazer o menino novo
Entender isso ligeiro
Que a força do coração
É que traz bom companheiro
E torna tudo contente
Que o valor de um presente
Não se mede com dinheiro.

O poeta mensageiro
Com grande satisfação
Deseja muito sucesso
A toda essa nação
Tenha um feliz ano novo
Sentindo a alma do povo
E muita paz no coração.

Imagem da internet

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

TRIBUTO A 2010. BEM-VINDO 2011

2010 já está
Se aproximando a hora
De vc passar a faixa
De ano novo. Não chora!
Viemos a este mundo
Com prazo de ir embora!

2010 foi depressa
Q você passou por nós.
Como um rio caudaloso
Em busca de sua foz.
2011, porém
Vem pra não ficarmos sós.

2011 viaja
Na cauda de um cometa.
No aeroporto do tempo
Sonhos iguais borboletas
Voam renovando a vida
Q habita o nosso planeta.

2010 se despede
Vestido de emoção.
Segue à marcha funeral
Rumo à incineração.
Suas cinzas serão jogadas
Nos jardins do coração...

2010 morre firme
Despedindo-se do humano.
Dá a vida para q
Nasça em nós um novo ano
Que vem alegre varrendo
As traças do desengano.

Vinde a nós 2011
Afaste a hipocrisia
Q rege a estirpe humana
Promovendo tirania.
Fazei de nós mais humanos
No raiar do NOVO dia.

Vinde a nós 2011
Trazendo paz e união.
Acabe com a violência
Que invade o nosso chão.
Seria bom se aprendêssemos
A viver como irmãos.

Vinde a nós 2011.
Traga-nos felicidade.
Que hajamos no ano novo
Como humanos de verdade
Fazendo assim com q surja
a NOVA realidade.

Deus abençoe a nós todos
Nesta nova empreitada
De um ano novo que chega
Bradando na madrugada
Os sonhos são renovados
E a vida revigorada...

Manoel Messias Belizario Neto

                                      Imagens da Internet

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O VERDADEIRO NATAL

                                        AUTOR: AZULÃO

Publicado por Luiz Berto em REPENTES, MOTES E GLOSAS - Pedro Fernando Malta

Peço a Deus Pai Poderoso
Inspiração divinal
Com a mensagem sagrada
Da mansão celestial
Eu vou escrever rimado
O verdadeiro Natal

Natal de Jesus Menino
Templo de amor e bondade
Data santa que registra
O símbolo da cristandade
Que se resume em três coisas
Salvação, paz e verdade

Jesus o Menino Deus
Filho do Pai Criador
Que veio ao mundo tirar
As culpas do pecador
Depositando nos homens
Bondade, paz e amor

Portanto o seu nascimento
É para ser festejado
Com paz e amor ao próximo
Cumprindo o dever sagrado
De remendar o pobre
Faminto e desamparado

O verdadeiro Natal
De Jesus Nosso Senhor
É dar a criança pobre
Amparo consolador
E ter a seu semelhante
Como a si, o mesmo amor

Porém o homem de hoje
De Deus estar muito ausente
Confundindo o seu amor
Com vaidade imponente
E dando a humanidade
Outro Natal diferente

Porque o Natal de hoje
Estar sendo transformado
Em festa, luxo e banquete
Que descristianizado
Toma um sentido contrário
Do que já foi no passado

É este o Natal sem Cristo
Que o homem faz hoje em dia
Movendo festa mundana
Com baile e bebedoria
Transformando a santa festa
Em farra e desarmonia

É este o Natal que tira
A fé no cristianismo
Encarretando família
Para um cenário de abismo
Trocando a festa de Cristo
Por coisas do paganismo

Jesus não ama a riqueza
Grandeza nem burguesia
Não escolheu palacete
Princesa nem fidalguia
Nasceu de uma virgem pobre
Numa manjedoura fria

Portanto o Natal sem Cristo
É rico sem caridade
É moldura sem o quadro
Da originalidade
Que apresenta o enfeite
Porém esconde a verdade

Festa de baile e banquete
Porém sem reunião
De família, em santa paz
Sem missa, sem comunhão
Sem vida espiritual
Sem Cristo no coração

A origem do Natal
É a vinda de Jesus
É a salvação do homem
É o caminho é a luz
A redenção do pecado
Com sua morte na cruz

O Natal é a chegada
Do Salvador inocente
São os pastores louvando
O filho do Onipotente
São os três Magos seguindo
A estrela do Oriente

É a multidão de anjos
Entre as santas criaturas
Entoando os hinos sacros
Com louvores e ternuras
Salve a vinda do Messias
Hosana Deus nas Alturas

É o anjo anunciando
Cristo nasceu em Belém
É a profetiza Ana
Junto a Simeão também
Profetizando o Menino
No templo em Jerusalém

Que adianta uma festa
Em nome da cristandade
Sem missa, sem Deus Menino
Sem amor, sem caridade
Só para ostentar na vida
Opulência e vaidade

Não é brinde nem presente
Nem dança nem festival
Nem ambição por fregueses
No meio comercial
Como vem fazendo em nome
Do Sacratíssimo Natal

Este Natal transformado
Deus contra ele reclama
Porque só estar presente
Grandeza, poder e fama
O rico pisando em ouro
O pobre nadando em lama

Para a criança do rico
Tem berços e cobertores
Alcova refrigerada
Lindos tapetes em cores
E para a criança pobre
Trapos, doenças e dores

Para a salvação do homem
Jesus nasceu em Belém
E ensinou o caminho
Do bom viver, para o bem
Com o direito sagrado
De viver que todos têm

Nossa alma se engrandece
Pela fé e caridade
Cristo em nosso coração
É luz, é boa vontade
De ajudar um ao outro
Ao bem da humanidade

Jesus Cristo veio ao mundo
Para nossa redenção
O homem é o santuário
Que faz sua habitação
Pela fé e caridade
E amor no coração

Aquele que sente a dor
Que seu semelhante sente
É um galho da videira
Que dá bom fruto e semente
Possui Cristo em sua alma
Com um Natal permanente

É este o viver com Cristo
Que o próprio Jesus ensina
O homem nasce pra ser
Um membro da lei divina
E trilhar pelo caminho
Da sua santa doutrina

Então para o homem ter
Este santo seguimento
É ter comunhão com Cristo
Seguindo seu mandamento
Em preparação da alma
Por meio do Advento

Esta palavra Advento
Quer dizer, chegada ou vinda
Que a obra de Jesus
É imortal e infinda
E o que viver pra ele
Espera Jesus ainda

Para o Juízo Final
Vem julgar os pecadores
Porém não para passar
Nem humilhações, nem dores
Vai vir como Rei dos Reis
Como Senhor dos Senhores

Julgará a cada um
Pelo seu merecimento
Do bem ou mal praticado
Exterminando o tormento
E santificando aquele
Que cumpriu seu mandamento

Então devemos fazer
A nossa preparação
Com um Natal permanente
Caridade e comunhão
Pra que todo dia Cristo
Viva em nosso coração

Jesus disse aos seus discípulos
Remindo os necessitados
Dos padecimentos seus
Aquele que dá aos pobres
Está emprestando a Deus

Se te sobra alguma coisa
Não faças por jogar fora
Dai a quem necessitar
Qualquer tempo, dia ou hora
Porque este é o Natal
Que sempre se comemora

De quem pede angustiado
Devemos ouvir a voz
Procurando amenizar
Sua precisão atroz
É este o dever humano
Que tem cada um de nós

Se podemos dar um brinde
A um amigo ou parente
Comemorando o Natal
É júbilo que a alma sente
Na boa intenção de Cristo
Damos aquele presente

Se damos ceia ou festim
A parente ou visitante
Façamos com alegria
Porém o interessante
É saber que é Jesus
O aniversariante

Não devemos enganar
A criancinha inocente
Dizer que Papai Noel
Foi quem lhe trouxe o presente
Porque o que ganhar menos
Fica triste e descontente

Ensinar aos nossos filhos
É nosso dever sagrado
Quem é Jesus, pra que veio
O que é bem, ou pecado
Para evitar a criança
Trilhar o caminho errado

Ensinar o filho amar
Ao pai, à mãe, à irmã
Dando-lhe educação
De uma vida cristã
Para a criança de hoje
Ser o homem de amanhã

Devemos pedir a Deus
Os santos ensinamentos
Para que os nossos filhos
Tenham bons procedimentos
Seguindo a santa doutrina
Dos sagrados mandamentos

Aquele que vive sempre
Zelando o amor divino
Unindo a seu semelhante
Lealmente em seu destino
Ajuda sempre a fazer
O Natal de Deus Menino.

Texto, Imagem

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

MINC DIVULGA RESULTADO FINAL DO PRÊMIO MAIS CULTURA DE LITERATURA DE CORDEL “PATATIVA DE ASSARÉ”

       

         O MINC (Ministério da Cultura) divulgou ontem, dia 14, a lista final dos projetos classificados no Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel. Foi com muita satisfação que este que vos fala recebeu a notícia que ficara em 2º lugar na categoria produção e criação de folhetos de cordel. Veja abaixo a classificação dos projetos paraibanos:

Categoria Criação e Produção – Folheto de Cordel (120 projetos classificados)

2-Manoel Messias Belisario Neto, João Pessoa
4-João Batista da Silva, João Pessoa
6-Janduhi Dantas Nóbrega, Patos
18-José Medeiros de Lacerda, Santa Luzia
20-Fabio Mozar Marinho da Costa, João Pessoa
49-Vicente Ferreira de Amorim Filho, João Pessoa
56-José Valni Cordeiro Lima Júnior, Campina Grande
71-Jacquelino Souza do Nascimento, João Pessoa
77-Fundação José Francisco de Sousa, Itaporanga

Categoria Criação e Produção – Produtos (Livro, CD, DVD) (88 projetos classificados)

4-Rui Carlos Gomes Vieira, Campina Grande
29-Maria Ignez Novais Ayala, João Pessoa
35-Luiz Nunes Alves, João Pessoa
61-Grupo Teatral Arretado Produções Artísticas, João Pessoa

Categoria – Pesquisa (12 projetos classificados)

Joseilda de Sousa Diniz, Campina Grande PB

Categoria Formação - Iniciativas Existentes (59 projetos classificados)

18-Arnilson Cavalcante Montenegro Júnior, Taperoá
19-Manassés de Oliveira, Picuí
31-Mariano Ferreira da Costa, Dona Inês

Categoria Formação - Novas Iniciativas (22 projetos classificados)

1-Fundação Pedro Américo, Campina Grande
10-Eliane Tejera Lisboa, Campina Grande

Categoria Difusão - Iniciativas Existentes (85 projetos classificados)

9-Fernando Antônio F. Patriota, João Pessoa
43-Silvio Aurélio de Sá, João Pessoa
62-José Paulo Ribeiro, Guarabira
66-Deleon Souto Freitas da Silva, Patos
75-José Francisco de Sousa Neto, Itaporanga

Classificados Difusão – Novas Iniciativas (17 projetos classificados )

1-Fundação Pedro Américo, Campina Grande
10-Eliane Tejera Lisboa, Campina Grande

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Manoel Messias Belizario Neto

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

LEI MARIA DA PENHA EM CORDEL

 

Autor: TIÃO SIMPATIA.

I
A Lei Maria da Penha
Está em pleno vigor
Não veio pr’a prender homem
Mas pr’a punir agressor
Pois em “mulher não se bate
Nem mesmo com uma flor”.

II
A Violência Doméstica
Tem sido um grande vilã
E por ser contra a violência
Desta Lei me tornei fã
Pr’a que a mulher de hoje
Não seja vítima amanhã.

III
Toda mulher tem direito
A viver sem violência
É verdade, está na Lei.
Que tem muita eficiência
Pr’a punir o agressor
E à vítima, dar assistência.

IV
Tá no artigo primeiro
Que a Lei visa coibir;
A Violência Doméstica
Como também, prevenir;
Com medidas protetivas
E ao agressor, punir.

V
Já o artigo segundo
Desta Lei Especial
Independente de classe
Nível educacional
De raça, de etnia;
E opção sexual...

VI
De cultura e de idade
De renda e religião
Todas gozam dos direitos
Sim, todas! Sem exceção.
Que estão assegurados
Pela Constituição.

VII
E que direitos são esses?
Eis aqui a relação:
À vida, à segurança.
Também à alimentação
À cultura e à justiça
À Saúde e a educação.

VIII
Além da cidadania
Também à dignidade
Ainda tem moradia
E o direito à liberdade.
Só tem direitos nos “As”,
E nos “Os”, não tem novidade?

IX
Tem, direito ao esporte
Ao trabalho e ao lazer
Ao acesso à política
Pr’o Brasil desenvolver
E tantos outros direitos
Que não dá tempo dizer.

X
A Lei Maria da Penha
Cobre todos esses planos?
Ah, já estão assegurados
Pelos Direitos Humanos
A Lei é mais um recurso
Pr’a corrigir outros danos.
XI

Por exemplo: a mulher
Antes da Lei existir,
Apanhava, e a justiça
Não tinha como punir
Ele voltava pra casa
E tornava a agredir*.(Agredí-la).

XII
Com a Lei é diferente
É crime inaceitável.
Se bater, vai pr’a cadeia!
Agressão é intolerável.
O Estado protege a vítima
E também pune o responsável.

XIII
Segundo o artigo sétimo
Os tipos de Violência
Doméstica e Familiar
Tem na sua abrangência
As cinco categorias
Que descrevo na seqüência:

XIV
A primeira, é a Física
Entendendo como tal:
Qualquer conduta ofensiva
De modo irracional
Que fira a integridade
E a saúde corporal...

XV
Tapas, socos, empurrões;
Beliscões e pontapés
Arranhões, puxões de orelha;
Seja um, ou sejam dez
Tudo é Violência Física
E causam dores cruéis.

XVI
Vamos ao segundo tipo
Que é a Psicológica
Esta, merece atenção
Mais didática e pedagógica
Com a auto-estima baixa
Toda a vida perde a lógica...

XVII
Chantagem, humilhação;
Insultos; constrangimento;
São danos que interferem
No seu desenvolvimento
Baixando a auto-estima
E aumentando o sofrimento.

XVIII
Violência Sexual
Dá-se pela coação
Ou uso da força física
Causando intimidação
E obrigando a mulher
Ao ato da relação...

XIX
Qualquer ação que impeça
Esta mulher de usar
Método contraceptivo
Ou para engravidar
Seu direito está na lei
Basta só reivindicar.

XX
A 4ª categoria
É a Patrimonial:
Retenção, subtração,
Destruição parcial
Ou total de seus pertences
Culmina em ação penal...

XXI
Instrumentos de trabalho
Documentos pessoais
Ou recursos econômicos
Além de outras coisas mais
Tudo isso configura
Em danos materiais.

XXII
A 5ª categoria
É Violência Moral
São os crimes contra a honra
Está no Código Penal
Injúria, difamação;
Calúnia, etc e tal.

XIII
Segundo o artigo quinto
Esses tipos de violência
Dão-se em diversos âmbitos
Porém é na residência
Que a Violência Doméstica
Tem sua maior incidência.

XXIV
Quem pode ser enquadrado
Como agente/agressor?
Marido ou companheiro
Namorado ou ex-amor
No caso de uma doméstica
Pode ser o empregador.

XXV
Se por acaso o irmão
Agredir a sua irmã
O filho, agredir a mãe;
Seja nova ou anciã
É Violência Doméstica
São membros do mesmo clã.

XXVI
E se acaso for o homem
Que da mulher apanhar?
É Violência Doméstica?
Você pode me explicar?
Tudo pode acontecer
No âmbito familiar.

XXVII
Nesse caso é diferente
A Lei é bastante clara:
Por ser uma questão de gênero
Somente a mulher ampara
Se a mulher for valente
O homem que livre a cara.

XXVIII
E procure seus direitos
Da forma que lhe convenha
Se o sujeito aprontou
E a mulher desceu-lhe a lenha
Recorra ao Código Penal
Não à Lei Maria da Penha.

XXIX
Agora, num caso lésbico;
Se no qual a companheira
Oferecer qualquer risco
À vida de sua parceira
A agressora é punida;
Pois a Lei não dá bobeira.

XXX
Para que os eus direitos
estejam assegurados
A Lei Maria da Penha
Também cria os Juizados
De Violência Doméstica
Para todos os Estados.

XXXI
Aí, cabe aos governantes.
De cada Federação
Destinarem os recursos
Para implementação
Da Lei Maria da Penha
Em prol da população.

XXXII
Espero ter sido útil
Neste cordel que criei
Para informar o povo
Sobre a importância da Lei
Pois quem agride uma Rainha
Não merece ser um Rei.

XXXIII
Dizia o velho ditado
Que “ninguém mete a colher”
Em briga de namorado
Ou de “marido e mulher”
Não metia... Agora, mete!
Pois isso agora reflete
No mundo que a gente quer.

Fim!

Obs: Direitos reservados.
TIÃO SIMPATIA, cantor, compositor, repentista e arte-educador.
Autor dos temas:
- “A Lei Maria da Penha” para Campanha de Divulgação da Lei Federal nº 11.340/2006 Lei Maria da Penha.

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Maior Cordel do Brasil é escrito na Paraíba

Edilberto Cipriano de Brito entra para o RankBrasil por escrever “Bazófias de um cantador pai dégua”Maior cordel do Brasil

 

          O músico e escritor Edilberto Cipriano de Brito, conhecido por Beto Brito, da cidade de João Pessoa – PB, demorou 900 dias para escrever o maior cordel do Brasil, intitulado “Bazófias de um cantador pai dégua”. São aproximadamente 271.620 caracteres, 1.400 estrofes sem septilha, 384 páginas e 8.400 rimas.
           Beto Brito, que nasceu em Santo Antonio de Lisboa, cidade do interior do Piauí, tem 14 anos de carreira, desde o seu primeiro disco “Visões 1996”. Ele já escreveu cerca de quarenta cordéis no tamanho e formas tradicionais, alguns editados em livro, como “Sabedoria popular” e “Lendas do folclore popular”.
Quando o recordista começou a escrever “Bazófias”, a intenção era criar um cordel tradicional. “Porém, passaram seis meses e eu não havia concluído. Então descobri que este cordel poderia ser infinito, ou enquanto minha cabeça conseguisse construir estas situações. Quando percebi, já tinha escrito cerca de oitocentas estrofes”, lembra.
            Foi então que Beto Brito começou a pesquisar se existia outro cordel naquela dimensão. “Descobri uma obra de Severino Aboiador, que tinha aproximadamente oitocentos versos”, diz. O recordista decidiu então continuar escrevendo, até que chegou a um número de estrofes, onde não encontrou nenhum título do mesmo tamanho: “Daí me dei conta de que tinha escrito o maior cordel do Brasil”.
Para o recordista, o RankBrasil provoca desafios. “Eu gosto de desafios. Ver minha obra publicada nesta conceituada empresa, enobrece-me calcifica meus ossos, ilumina meu cérebro e me dá forças para caminhar no rumo de encarar outros desafios, que por ventura, sejam feitos a este bardo poeta da lira cordeliana”.

Finalidade
             A principal finalidade do maior cordel do Brasil, segundo Beto Brito, é chamar a atenção de todas as instituições, principalmente as de ensino: “O cordel tem uma importância gigantesca na formação cultural desta região. O folheto, como era originalmente chamado, teve um papel fundamental na educação de milhares de pessoas, entre elas, incontáveis poetas, compositores e habitantes excluídos das escolas do nordeste”.
            De acordo com o recordista, “o cordel é uma cultura genuína, que atravessa gerações e chega aos dias de hoje ao lado de todas as formas de mídia contemporânea, com fôlego bastante para sobreviver a todas as intempéries da tecnologia universal”.
            A Editora Construir, através do selo “Prazer de Ler”, já topou bancar o projeto junto com o recordista e editou “Bazófias”.

Agradecimentos
Pela conquista do recorde, Beto Brito agradece “ao amigo Pedro Tavares, que demonstrou coragem na publicação da obra; à família, pela paciência de me ver em centenas de tardes e noites debruçado no projeto; aos deuses de minhas orações; ao povo da Paraíba, que me acolheu; e aos conterrâneos piauienses, pelo símbolo da resistência física na luta pela vida, que tem todos os povos nordestinos.


Dificuldades e próximo passo
Beto Brito confessa que teve dificuldades em criar uma literatura tão longa e que fizesse sentido. “As estrofes não são, necessariamente, uma seqüência, em que uma dependa da outra, mas sim, um complemento entre si. O leitor pode abrir em qualquer página e iniciar a leitura”, conta.
O próximo passo, segundo o recordista, é escrever o capítulo dois das “Bazófias”. “O capítulo um tem mil e quatrocentas estrofes, mas ainda não estou satisfeito, como digo em uma de minhas bazófias: Cria dos quatro elementos, terra fogo, água e ar, porém não tô satisfeito, quero me complementar com todo hélio do sol, hidrogênio e metanol, só pra ver no que vai dar...”.

Redação: Fátima Pires

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

RESULTADO DO BNB DE CULTURA 2011 SAI AMANHÃ


Todos os agentes culturais brasileiros inscritos no BNB de Cultura 2011 estão ansiosos e atentos ao resultado que está previsto para sair amanhã (30/11). Haja coração. Vários projetos paraibanos passaram para a segunda etapa. Inclusive um de minha autoria. Desejo boa sorte a todos.
Amanhã por esta hora
Já estarão nos jornais,
A lista tão esperada
Dos agentes culturais.
Ficando de fora lembre:
Virão outros editais
Manoel Messias Belizario Neto

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

MinC divulga habilitados do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel

    

      O Ministério da Cultura  publicou neste dia 12 de novembro no Diário Oficial da União (Seção 1, páginas 4 a 8) a portaria com os projetos habilitados no Edital Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa de Assaré. Ao todo, o MinC recebeu 688 inscrições e habilitou 617. Os projetos não habilitados têm prazo de cinco dias úteis para interpor recurso.
      Serão selecionadas 200 iniciativas culturais vinculadas à criação e produção, pesquisa, formação e difusão da Literatura de Cordel e linguagens afins (xilogravura, repente, coco e embolada, entre outras) com premiação total de R$ 3 milhões. Trata-se do primeiro apoio oficial do MinC ao setor, desde a regulamentação da profissão de cordelista em janeiro deste ano.
      Os estados do Ceará (158 inscritos), Pernambuco (125) e São Paulo (82) foram os que enviaram a maior quantidade de projetos. O diretor de Livro, Leitura e Literatura do MinC, Fabiano dos Santos Piúba, explica que o prêmio é resultado das demandas apresentadas no Seminário de Políticas Públicas para Cordel, realizado em maio de 2009. “Esse prêmio vem atender a necessidade de ressaltar a Literatura de Cordel e linguagens afins como patrimônio imaterial do Brasil, entendendo sua unicidade e papel central na construção da identidade e da diversidade cultural brasileira”, diz.
      A categoria voltada para a Criação e Produção (apoio à edição e reedição de folhetos de cordel, livros, CDs e DVDs) foi a que recebeu a maior quantidade de inscrições: 323 propostas, sendo 284 habilitadas. Os estados do Ceará (85 inscritos), São Paulo (42) e Rio Grande do Norte (29) foram os que enviaram a maior quantidade de projetos nesta categoria.
      Na categoria destinada à Pesquisa (dissertações de mestrado, teses de doutorado ou reedição de livros) foram inscritos 27 projetos, sendo quatro inabilitados. O Ceará foi o estado com a maior quantidade de pesquisas inscritas: sete.
      O MinC recebeu 116 propostas para a categoria de Formação (projetos que contribuam para a formação de profissionais que atuam em áreas que dialogam com a Literatura de Cordel e suas linguagens afins, como cursos, seminários, etc), habilitando 109. Nesta categoria, o estado de Pernambuco foi o que enviou a maior quantidade de projetos (24), seguido do Ceará (22) e Rio Grande do Norte (11).
       A categoria de Difusão (eventos e produtos culturais que contribuam para a valorização e propagação da cultura popular, como feiras, mostras, festivais e outras iniciativas) foi a segunda com maior quantidade de inscrições: 217. Deste total, 201 foram habilitados. Pernambuco (49 inscritos), Ceará (44) e São Paulo (26) foram os estados com maior quantidade de projetos enviados nesta categoria.
       O prêmio é uma das ações do Programa Mais Cultura, que inclui a cultura na agenda social do País e é pautado na integração e inclusão de todos os segmentos sociais, na valorização da diversidade e do diálogo com os múltiplos contextos da sociedade. O resultado completo do edital encontra-se nos site www.cultura.gov.br e http://mais.cultura.gov.br

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

VELÓRIO NO SERTÃO (VERSO II)

  

O choro transpassa a noite
E o peito das sentinelas
Que viajam nas memórias
Aquecidas pelas velas
Só Deus é explicação
Para tamanha mazela.

Comadres antes distantes
Unidas na ocasião
Organizam a cozinha.
Tomam conta do fogão.
Fazem chá, café e levam
Aos que resguardam o caixão.

Lá fora os jovens namoram
Tagarelam, dão risada.
Parece que a morte não
Passou por aquela  estrada.
São duas realidades
Muito diferenciadas.

Horas antes do enterro
As comadres se levantam.
Rodeiam o caixão em rezas.
Fecham os olhos e cantam.
Rogam por aquela alma.
Todos os males espantam.

Chega o terrível momento
De enterrar a criatura
O choro dobra o de antes
Se eleva a toda altura.
Quem ainda não chorou
Agora desestrutura.

Uma das filhas desmaia.
Outras grita enlouquecida
Por Deus, Porém não tem jeito.
Lá se foi àquela vida.
Os homens pegam  o caixão
E se dirigem a saída.

E assim a marcha segue
Desapressada e tristonha.
Se some no horizonte
Só a enxerga quem sonha
Até que a última lembrança
Um dia se decomponha.

Manoel Messias Belizario Neto

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sábado, 13 de novembro de 2010

VELÓRIO NO SERTÃO (VERSO I)

 

Na sala jaz os parentes
Rodeando o caixão.
Comentam o que foi a vida
Daquele ser com emoção.
O sítio inteiro aparece
Com olhos de compaixão.

Os filhos homens tristonhos
Recebem os conhecidos.
Explicam para os compadres
Como foi o ocorrido.
Outros arrumam papéis
Do enterro a ser seguido.

As mulheres estas choram
Lamentando a ocorrência.
Um choro que vara a alma
O qual recebe a clemência
Das comadres que as abraçam
Com um ar de paciência.

A filha grita “ô meu Deus
Porque isto aconteceu?
Ô minha Nossa Senhora
Porque minha mãe morreu
Acabou-se nesta Terra
O ser melhor que viveu.”

Entre soluços lamenta:
”Ô mãe,por favor levanta.
Minha mãezinha querida
Só você a vida encanta.
Como é que eu vou viver
Sem o calor de tua manta?”

Aquele lamento envolve
As sentinelas presentes.
As mulheres todas choram
Os homens sérios somente,
Mas por dentro estão em pranto
Silenciam amargamente.

(continua...)

Manoel Messias Belizario Neto

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