CORDEL PARAÍBA

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Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



terça-feira, 8 de junho de 2010

HOMENAGEANDO À TERRA NATAL DE MANOEL BELIZARIO: AGUIAR-PB

       

   Você que acompanha o Cordel Paraíba não perca os versos desta semana em homenagem à terra natal do cordelista autor e administrador deste blog, Manoel Belizario. Imperdível, a partir de amanhã.

Imagem: http://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/10890711.jpg

sábado, 5 de junho de 2010

Cordelista paraibano póstumo APOLÔNIO ALVES DOS SANTOS

       paraiba[1]      cruz[1]

            APOLÔNIO ALVES DOS SANTOS nasceu em Serraria, PB, aos 20 de setembro de 1926. Em seus documentos, no entanto, consta como nascido em Guarabira-PB, cidade para onde foi levado e onde foi criado desde a infância por seus pais, Francisco Alves dos Santos e Antonia Maria da Conceição. Começou a escrever folhetos aos vinte anos. Seu primeiro romance foi Maria Cara de Pau e o Príncipe Gregoriano, que, não podendo publicar, vendeu a José Alves Pontes, lá mesmo em Guarabira. A venda se efetuou em 1948, mas o romance só foi impresso no ano deguinte. Em 1950, tentando melhorar de vida, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na construção civil como pedreiro ladrilheiro, e, em 1960, foi trabalhar na construção de Brasília, mas sempre escrevendo e vendendo seus folhetos. É dessa época sua obra A construção de Brasília e sua inauguração, que se esgotou pouco tempo depois de publicada. Em 1961, logo após a inauguração de Brasília, voltou ao Rio de Janeiro. Passou os últimos anos em Guarabira, Paraíba, vindo a falecer em 1998, em Campina Grande. já escreveu cerca de 120 folhetos, sendo os principais : O herói João Canguçu, Façanhas de Lampião. O aventureiro do Norte, Epitácio e Marina, O pau de arara valente, O pistoleiro da vila, Olegário e Albertina entre o crime e o amor e O noivo falso engenheiro.
Folhetos lançados pela Editora Luzeiro : A moça que se casou 14 vezes e continuou donzela, A morte de Leandro : saudades, O herói João Canguçu.

Vejamos um cordel deste autor:

Discussão do Carioca com o Pau-de-Arara

Já que sou simples poeta
poesia é meu escudo
com ela é que me defendo
já que não tive outro estudo
vou mostrar para o leitor
que o poeta escritor
vive pesquisando tudo

Certo dia feriado
sendo o primeiro do mês
fui tomar uma cerveja
no bar de um português
lá assisti uma cena
agora pego na pena
para contar pra vocês

Quando eu estava sentado
chegou nessa ocasião
um velho pernambucano
daqueles lá do sertão
com a maior ligeireza
foi se sentando na mesa
pediu uma refeição

O português logo trouxe
um prato grande sortido
o nortista vendo aquilo
ficou logo enfurecido
com um gesto carrancudo
começou mexendo tudo
depois falou constrangido

Patrício não leve a mal
nem me queira achar ruim
toda espécie de comida
que você tem é assim?
desculpe minha expressão
mas a sua refeição
não vai servir para mim

Nesta hora o português
ficou zangado também
lhe respondeu ora bola
donde é que você vem?
difamando deste jeito
me diga qual o defeito
que esta comida tem?

O nortista disse eu sofro
um ataque entistinal
a carne está quase podre
o arroz tem muito sal
o feijão está azedo
de comer eu tenho medo
que pode me fazer mal

— O meu estômago não dá
pra receber este entulho
prefiro morrer de fome
mas não como este basculho
pois comendo sei que morro
lá no norte nem cachorro
não come todo bagulho

O português respondeu
você é péssimo freguês
vá embora e faz favor
não vir aqui outra vez
mas antes tem que pagar
não posso lhe perdoar
a desfeita que me fez

O nortista disse eu pago
que isto não me embaraça
para você não pensar
que eu vim comer de graça
mas o nortista de nome
embora morra de fome
mas não come esta desgraça

Acontece que ali
se achava um carioca
disse ele só conhece
farinha de mandioca
todo nortista poeira
só gosta de macacheira
girimum e tapioca

Disse o nortista é porisso
que o nordestino é forçoso
porque no meu velho norte
se come pirão gostoso
com farinha de mandioca
aqui só dá carioca
doente tuberculoso

C. — Respondeu o carioca
não queira tanto agravar
seu nordeste é muito bom
mas lá ninguém quer ficar
deixou lá seu pé de serra
e veio pra minha terra
para poder escapar

N. — Aqui também me pertence
o nortista respondeu
eu sou nato brasileiro
o Brasil é todo meu
o homem precisa andar
para poder desfrutar
do país onde nasceu

C. — O carioca rompeu
nordestino é curioso
além de ter olho grande
é demais ambicioso
chega aqui se amaloca
na terra do carioca
doente tuberculoso

N. — Disse o nortista é porque
nosso Rio de Janeiro
precisa do nordestino
pois é um povo ordeiro
pra quem derrama suor
aqui no Rio é melhor
para se ganhar dinheiro

C. — Mas no Rio de Janeiro
tem operário de sobra
não precisa nordestino
vir aqui fazer manobra
nordestino é atrevido
aqui já é conhecido
por camondonga de obra

N. — Você me diz isso tudo
pra me desclassificar
mas aqui as companhias
preferem mais empregar
os nordestinos que vem
pois carioca não tem
coragem de trabalhar

C. — É porque o carioca
gosta da civilidade
não é defeito ninguém
viver da facilidade
pois ninguém não é cavalo
pra viver criando calo
sem haver necessidade

N. — O carioca só gosta
de viver da malandragem
do jogo e da bebedeira
do vício e da vadiagem
porisso o país da gente
não pode ir para a frente
por causa da pilantragem

C. — O carioca está certo
pensando assim pensa bem
o carioca não gosta
de ser sujeito a ninguém
nem dá valor a operário
que só vive do salário
luta muito e nada tem

N. — Já eu penso diferente
você precisa entender
que nosso mundo é composto
de tudo precisa ter
se não fosse o operário
o rico milionário
como podia viver?

C. — Mas o nortista trabalha
porque é muito uzurario
tem alguém que vem pra qui
mas lá é proprietário
pois devido a ambição
enfrenta até fundação
com os olhos no salário

N. — É porque o nordestino
é um homem acostumado
a só viver do trabalho
não ignora o pesado
não é como o carioca
que só vive da fofoca
da malandragem e do fado

C. — Tinha graça o carioca
se misturar com cimento
como faz o nordestino
que chega ficar cinzento
carioca só procura
um emprego que figura
moral e comportamento

N. — Não é todo carioca
que tem a capacidade
de assumir um emprego
de alta dignidade
precisa de estudar
para assumir um lugar
de responsabilidade

C. — Você aí está certo
o estudo está na frente
porque o mundo ficou
para o mais inteligente
assim diz quem for ativo
o operário é cativo
num país independente

N. — Pois eu gosto do trabalho
e vivo sempre disposto
pois o homem que trabalha
a Jesus dá grande gosto
porque Deus disse a Adão
hás de ganhar o teu pão
com o suor do teu rosto

C. — Então você é Adão
que veio do paraíso
faça lá o que quiser
que de você não preciso
nem vou na sua maloca
porque sou um carioca
que honro o chão onde piso

N. — Nem de você eu preciso
que você é fracassado
pelos traços já se vê
que você é pé rapado
e quem fala deste jeito
só pode ser um sujeito
ignorante atrasado

C. — Disse o carioca eu vivo
com minha alma tristonha
vou embora para onde
o nordestino nem sonha
vou esconder minha cara
para este pau-de-arara
não me matar de vergonha

FIM

Fonte biografia: http://recantodasletras.uol.com.br/cordel/1482607

Fonte cordel: site da ABLC

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Cordelista paraibano José Costa Leite

paraiba[1]

Por Everardo Ramos (site da ABLC)

       José Costa Leite nasceu em 27 de julho de 1927, em Sapé (Paraíba). Diz que nunca freqüentou a escola, tendo aprendido a ler soletrando folhetos de cordel. Em 1938, muda-se com a família para Pernambuco, fixando residência em Condado, cidade onde mora até hoje. Ainda criança, trabalha nas plantações de cana-de-açúcar e faz seus primeiros versos imitando o cordel. Em 1947, começa a vender folhetos nas feiras do interior e, em 1949, publica seus primeiros títulos: Eduardo e Alzira e Discussão de José Costa com Manuel Vicente. Logo em seguida, improvisa-se xilógrafo, gravando na madeira a imagem que ilustra seu terceiro título, O rapaz que virou bode. Torna-se, assim, um profissional polivalente, exercendo todas as atividades ligadas à literatura popular: é poeta, editor, ilustrador e continua a vender folhetos, de feira em feira.

      Autor de clássicos

          Verseja sobre praticamente todos os temas do cordel, sendo o autor de clássicos como A Carta misteriosa do Padre Cícero Romão Batista, O dicionário do amor e Os dez mandamentos, o Pai Nosso e o Credo dos cachaceiros. Além das histórias em verso, publica anualmente o Calendário Brasileiro, almanaque astrológico de 16 páginas contendo diversos conselhos práticos, de grande sucesso junto ao público. Denomina sua folhetaria A Voz da Poesia Nordestina. Em 1976, recebe o Prêmio Leandro Gomes de Barros, da Universidade Regional do Nordeste (Campina Grande), pelo conjunto de sua obra, talvez a mais extensa da literatura de cordel brasileira, em número de títulos.

                                         Obras de arte

         Suas xilogravuras ilustram inúmeros folhetos – seus e de outros poetas – e ganham status de obra de arte a partir dos anos 1960, quando passam a ser publicadas em álbuns e expostas em museus, no Brasil e no exterior: em 2005, José Costa Leite é o convidado especial de uma exposição realizada no Musée du Dessin et de l’Estampe Originale de Gravelines (França), onde também dá ateliês de xilogravura. Ao completar 80 anos, em 2007, foi homenageado na Paraíba, juntamente com o escritor Ariano Suassuna, e recebe o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, reconhecimento máximo de um artista de múltiplos talentos, que fez da poesia e da beleza a matéria-prima de seu labor. As informações sobre José Costa Leite constam em entrevistas dadas a Everardo Ramos nos anos de 2000, 2005 e 2008.

         Vejamos um cordel deste poeta:

A Véia Debaixo da Cama e a Perna Cabeluda

Eu não posso está parado
que a poesia me chama
para distração do povo
vou descrever mais um drama
da perna preta cabeluda
que encontrou carrancuda
a véia debaixo da cama

A véia debaixo da cama
criava um diabo dum rato
um leão e um jumento
um porco, um bode e um gato
um cachorro que ladrava
e um macaco que chiava
nunca vi bicho tão chato

A zuada era medonha
pois o bode bodejava
o leão soltava esturros
e o jumento rinchava
na meia noite sombria
quando o cachorro latia
o porco também roncava

A véia dormia pouco
tratando da bicharada
porque debaixo da cama
a zuada era danada
então a véia dizia:
- Tanto bem que te queria
e vai se acabar tudo em nada

O povo chamava ela
a véia Zefa Beiçuda
apesar de ser coroa
inda era boazuda
e o pior aconteceu
quando um dia apareceu
a perna preta cabeluda

Pois a perna cabeluda
em São Lourenço apareceu
e o Jornal do Comércio
toda reportagem deu
à TV Globo anunciou
e todo rádio citou
como foi que aconteceu.

De São Lourenço a Tiuma
e de Peixinho a Olinda
ela tem feito desordens
porém quem não viu ainda
diz até que é mentira
porém a notícia gira
e não sei quando se finda

Outro dia em Paudalho
na hora que o trem vinha
a perna preta apareceu
mesmo com toda morrinha
a perna já afobada
deu uma grande pesada
que o trem saltou da linha

Correu atrás dum sujeito
que voltava dum forró
ele viu a perna preta
e correu de fazer dó
a perna cabeluda e feia
correu quase légua e meia
atrás, no seu mocotó

Marieta em Rio Doce
muito nome feio chama
com a perna cabeluda
e foi dormir com a ama
a meia-noite Marieta
avistou a perna preta
deitada na sua cama

Zé Soares no Recife
viu a perna cabeluda
em Água Fria e saiu
numa carreira raçuda
mas a perna disse assim:
- Meu filho, espere por mim
porque eu sou boazuda

Palito lá em Olinda
por ser um pouco descrente
disse que era mentira
em sonho viu calmamente
a perna lhe aparecer
e todo instante ele ver
a perna em sua frente

Zé de Souza em São Lourenço
saiu de manhã bem cedo
para apanhar o ônibus
debaixo dum arvoredo
a perna lhe apareceu
e Zé Souza correu
todo assustado com medo

João Vicente Emiliano
viu a perna na carreira
de Vitória a Gravatá
como quem vai pra pesqueira
um vaqueiro em Orobó
vendo uma perna só
mergulhou na capoeira

Dizem que em Limoeiro
a velha Maria Duda
vive toda arrepiada
que chega ficou beiçuda
ela contou a vizinha
que sonhou a noite todinha
com a perna cabeluda

Dizem que a perna é
da parte de satanás
e vive andando no mundo
para perturbar a paz
e do sujeito desordeiro
mentiroso, arruaceiro
ela vive sempre atrás

A perna cabeluda vive
todo instante e toda hora
atrás da moça que anda
com o umbigo de fora
pois a perna cabeluda
vendo uma moça peituda
nunca mais que ir embora

A perna cabeluda gosta
de sujeito cabeludo
e do cabra que fala fino
mulher galheira e xifrudo
Quem anda fora de hora
com a perna preta agora
vai desertar quase tudo

A véia debaixo da cama
chamada Zefa Beiçuda
criando a bicharada
feia, parecendo um "juda"
quando ela saiu fora
e encontrou-se na hora
com a perna cabeluda

Quando a véia viu a perna
quis correr não pode mais
a véia saiu na carreira
e a perna correu atrás
e quando a véia entrou
em casa, a perna chegou
pior do que satanás

A perna falou pra velha:
- Se apronte que é hora
de você pagar-me tudo
que fez por aí afora
disse a velha beiçuda:
- Nem de perna cabeluda
eu estou gostando agora

Disse a perna cabeluda
– Você vai quebrar no beco
a minha parada é dura
eu sou irmã de Pacheco
você correndo eu lhe pego
hoje aqui a volta é prego
e o ponche é nabo seco

A véia beiçuda disse:
- Em você não tenho fé
vou lhe mostrar quem eu sou
pra saber vece que é
e a perna cabeluda
partiu pra Zefa Beiçuda
dando coice e pontapé

A véia caiu no chão
e a perna se danou
dando pesada em tudo
todos os bichos soltou
o macaco fez carreira
danou-se na capoeira
nunca mais voltou

O cachorro pegou latir
e o burro pegou rinchar
enquanto o gato miava
o porco danou se a roncar
e véia Zefa Beiçuda
vendo a perna cabeluda
sua cama revirar

A cama virou com tudo
ficando os "cacos" no chão
e a perna cabeluda
deu um coice no leão
enquanto a véia chamava
a cobra qu’ela criava
para entrar em ação

A cobra mordeu o porco
ela saltou muito além
a cobra estava com raiva
mordeu a véia também
a véia Zefa Beiçuda
viu a perna cabeluda
correndo igualmente o trem

A véia Zefa Beiçuda
morreu debaixo da cama
e a perna cabeluda
aonde alguém não lhe chama
chega sem ser esperada
já foi vista na estrada
perto de Tuparetama

E o cabra que for chifrudo
cuidado, muito cuidado
a perna cabeluda gosta
do cabra que é veado
pra lhe dar um contra-tempo
e lhe servir de exemplo
do que é bom está guardado

E o ditado que diz
leve a trouxa pra lavar
de olho na boutique dela
e quem quiser palestrar
namorando o filho da véia
brincando bilu tetéia
vai ver a perna chegar

A maior parte do povo
tudo que deseja faz
vive fazendo do mundo
os gostos de satanás
hoje só há perdição
ódio, inveja e perdição
o mundo não presta mais

Deus Eterno e Poderoso
daí-me vossa proteção
para ver se o povo sai
da vala de perdição
daqui para o fim da era
nada de bom se espera
por causa da corrução

Vamos pedir proteção
a Nossa Senhora das Dores
e a Jesus Nazareno
que é Pastor dos pastores
estamos no fim do mundo
só Deus pode num segundo
defender os pecadores

Com esta santa oração
O satanás afastamos
Sem ter nenhum medo vamos
Todos entrar em ação
A virgem da Conceição
Lhe pedir com viva fé
E na matriz do Canindé
Implorar a São Francisoco
Ter confiança sem risco
Em Jesus, Maria e José.

FIM

Fontes:

Textos:http://www.ablc.com.br/historia/hist_cordelistas.htm

http://www.ablc.com.br/popups/cordeldavez/cordeldavez022.htm

Imagem: http://www.interpoetica.com/imagens/jose_costa_leite1.jpg

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Cordelista paraibano Eloi Firmino de Melo

        O poeta Eloi Firmino de Melo é natural de Sapé/PB. Procedente do meio rural, desde cedo habituou-se a ler folhetos de literatura cordel. Com bastante dificuldade fez o curso primário, e o Exame de Admissão só aos l9 anos. Cursou Letras pela Universidade Federal de Pernambuco. Lecionou Língua Portuguesa, Francês e Inglês. Traduziu vários ensaios de Críica Literária de autores americanos. Após a aposentadoria como auditor fiscal, resolveu radicar-se em João Pessoa/PB. Publicou seu livro de poesias "chuvas de uma estação tardia" em setembro de 2007. Tem dois livros de poesia esperando publicação: "Outras Estações" e "Caatinga brava". Gosta de escrever versos na linguagem do Cordel, especialmente pelejas. Seu endereço eletrônico é eloifirminomelo@yahoo.com.br .

Vejamos a seguir um cordel da autoria deste poeta:

LAMPIÃO DANÇA
O XAXADO

Baraúna:
Com veia lírica da boa
Eu vou contar minha história
Do tempo em que fui morar
Na cidade de Vitória;
Lá me aconteceu um fato
Que me fez um candidato
Ao bom pedestal da glória.

É que eu fui dar um passeio
Lá pela periferia
Quando avistei um sujeito
Que de uma moita saía
Com um trabuco na mão,
Vestindo calça e gibão
Em pleno sol de meio dia.

Eu achei muito engraçado
Aquela roupa tão quente
De couro de boi curtido
Debaixo de um sol ardente.
Pensei que fosse um vadio
Por ali sentindo frio
Porque estivesse doente.

Eu disse: moço, tá doido,
Onde encontrou frio assim
Pra se vestir desse jeito?
Coitado será de mim;
Se o frio que o senhor tem
Chegar para mim também
Já sei que será meu fim.

Lampião:
Não me venha com lorota,
Seu cara de fruta-pão!
É bom ir me respeitando
Porque eu sou Lampião.
Eu venho pela caatinga
Com a mão valente que vinga
A injustiça no sertão.

Baraúna:
Com esse chapéu de couro
E esse gibão rasgado?
Esse trabuco vencido
De gatilho enferrujado?
Homem, deixe de parola!
Só não lhe dou uma esmola
Porque meu bolso é furado.

Aí Lampião zangou-se,
Puxou do bolso um apito;
Botou na boca e soprou
Que mais parecia um grito.
Vi tanto cabra saindo
Do mato e se reunindo
Que parecia o Maldito.

Primeiro, mandou um cabra
Que era assim do meu tamanho
Mais sujo do que o porco
Na lama em que toma banho.
Enquanto ele me encarava
Os urubus encostavam
Por causa do cheiro estranho.

A luta demorou pouco
Porque lhe dei um sopapo
O cabra subiu no ar
E foi cair feito um sapo
Com cinco metros distante;
Eu disse: cabra, levante
Antes que lhe sangre o papo.

Aí o chefe escolheu
Outro do seu escalão;
Apliquei-lhe uma rasteira
Deixei o bicho no chão;
Parecia até um rodo
Pois eu derrubava a todos
Os cabras de Lampião.

Lampião:
Chega de tanta moleza!
Que já estou aborrecido;
Eu jamais tinha encontrado
Um homem tão destemido;
Se estiver desempregado,
Já pode ser contratado
Para trabalhar comigo.

Baraúna:
Eu não vou ser contratado
Por nenhum cabra de peia;
Primeiro eu quero botar
Toda corja na cadeia;
Deixar pra sempre acertado,
Que não quero cabra armado
Nos rincões da terra alheia.

Lampião:
Mas pra isso, Seu Cabrinha,
Tem que montar no meu ombro;
Não tenho medo da morte
E nunca vi mal-assombro;
Sujeito do seu quilate,
Quando o meu chicote bate,
Deixa buracos no lombo.

Baraúna:
Você está muito enganado
Ao pisar na minha terra;
Devia nem ter saído
Da loca escura da serra;
Aqui quando o cancão pia
Nego perde a luz do dia,
Que bom cabrito não berra.

Narrador:
Nisso partiram pra briga
Ligeiros que só um gato;
O cangaceiro pulando
As moitas verdes do mato;
Mas quando ele se abaixava
Baraúna o acertava
Com a sola do seu sapato.

A poeira ia cobrindo
E a terra ficando escura;
Baraúna disse: agüente
Que aqui a parada é dura!
E o sol talvez com medo
Nesse dia se pôs cedo
Por causa dessa bravura.

Desceram ladeira abaixo
Pela mata de jurema;
O corpo todo furado,
Feito tela de urupema;
Pois ele tinha o gibão,
Baraúna pelo chão
Minorava o seu problema.

Baraúna:
Chegando à beira do açude,
Eu me vi aperreado;
O cangaceiro com sorte
Me deixou encurralado;
Agora, cabra, me deixe
Forrar a mesa dos peixes
Pra você ser devorado.

Aconteceu uma coisa
Muito estranha, pelo visto:
Andei por cima das águas
Feito os discípulos de Cristo.
Lampião fez a careta
De quem diz: é o Capeta
Querendo ver se eu desisto.

Ao chegar do outro lado,
Eu falei pro adversário:
Vou botar mais uma conta
No cordão do seu rosário;
Quero ver você rezando,
Arrependido e chorando
Na capela do vigário.

Lampião:
Isso jamais acontece
Porque já sou vacinado.
Quem atira não me acerta,
As balas passam de lado;
Cangaceiro que se preza,
Não necessita de reza
Por ter o corpo fechado.

Baraúna:
Já estava ficando escuro
Quando mudei meu baião;
Fiz que lhe daria um soco,
Ele aparou com o facão;
Foi quando me deu na teia
De sacudir muita areia
Nos olhos de Lampião.

Narrador:
Com aquela nova estratégia
Deixou-o desnorteado,
Rodando que só pião,
Pulando pra todo lado;
Disse: vôte, te arrenego!
Além do meu olho cego,
O outro desmantelado.

Lampião:
Quanto murro já levei
Que vejo estrelas na lua;
Mais um chute na canela
Que furou feito uma pua;
Desse jeito estou rendido,
Pro homem mais destemido
Que já viveu nesta rua.

Quem já viu valente assim
Com tanta disposição?
Eu aqui todo equipado
De punhal, rifle e facão,
Lutando de igual pra igual
Com um poderoso rival
Que só usa os pés e as mãos.

Baraúna:
Você não viu nem um terço
Do que meu braço é capaz;
É programação genética
Que vem dos meus ancestrais;
Descendentes verdadeiros
Dos antigos cavaleiros
Dos tempos medievais.

Narrador:
Nisso chegou a polícia,
O sargento e o delegado
Que algemaram os cangaceiros
Cabisbaixos, derrotados.
Foi mandado um telegrama,
Contando a bravura e a fama
Pro governador do Estado.

Mas antes de serem presos
Foram levados pra praça;
Para dançar o xaxado
E o povo assistir de graça;
E a partir desse instante
Nunca mais houve um levante
E nem qualquer ameaça.

Baraúna:
Todo mundo se espantou
Com esse acontecimento,
E foi logo construído
Para mim um monumento;
Porém como eu sou modesto
Não vou nem contar o resto
Das conseqüências do evento.

Parece até pabulagem
Falar assim desse jeito;
Mas quem quiser comprovar
É só falar com o Prefeito;
Foi ali que ganhei fama,
Hoje eu me deito na cama
Só recordando os meus feitos.

Narrador:
Mas a inveja é irmã da raiva
E tia-avó da ganância;
A preguiça por seu turno
É sua amiga de infância;
Olho-gordo faz cautela
Porém é parente dela,
Embora um pouco à distância.

Foi por causa dessa inveja,
Em razão do seu prestígio,
Que a mão do mal, escondida,
Agiu sem causar litígio;
De noite veio um coiteiro
Que soltou os cangaceiros
Sem deixar qualquer vestígio.

Quando Lampião chegou
Na sua caatinga brava,
Mandou de volta um recado
Dizendo que só esperava
A vez de lhe dar o troco
Daquele triste sufoco
Que o desqualificava.

Baraúna:
Passado já tanto tempo
Eu nunca mais vi o homem;
Nem mesmo nas luas cheias
Na forma de lobisomem;
Pois como diz o ditado:
Formigas do meu roçado
Já sabem a roça que comem.

Fontes textos: http://www.usinadeletras.com.br/exibelocurriculo.php?login=EloiMelo

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=11515&cat=Cordel&vinda=S

Imagem: http://www.overmundo.com.br/uploads/overblog/multiplas/1223405430_800pxbandeira_da_paraiba.svg_1.jpg

sexta-feira, 28 de maio de 2010

CORDELISTA PARAIBANA FICA EM 1° LUGAR NO 2° CONCURSO DE LITERATURA DE CORDEL “FEIRA DE CARUARU PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE TODOS NÓS”

         

        A cordelista paraibana Rosa Ramos Regis da Silva levou o 1° lugar do 2°concurso de Literatura de Cordel  promovido pelo Pontão de Cultura Feira de Caruaru, projeto desenvolvido pela Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru e pelo IPHAN, em parceria com a Academia Caruaruense de Literatura de Cordel e A Casa da Poesia de Caruaru.

       ROSA RAMOS REGIS DA SILVA é Paraibana, do Sítio Jerimum -Jacaraú-PB, residente em Natal–RN, desde 1966. (Graduada em Economia e Filosofia pela UFRN. Professora de Filosofia do Ensino Médio da Estadual do RN (em Natal - Capital do Rio G. do Norte),Amante da Poesia, especialmente do Cordel. Tem trabalhos editados: no Poetas del Mundo: www.poetasdelmundo.com - Rosa Ramos Regis da Silva; No Recantodas Letras: Rosa Regis www.recantodasletras.com.br/autores/rosaramos No Poesia Pura: Rosa Regis www.poesiapura.com - nos Fóruns: Patativa do Assaré e Fernando Pessoa; No ORKUT: www.orkut.com.br – Rosa Regis e A Fofoqueira do Brejo; no Beco dos Poetas & Escritores; no Poética Digital; no Globoonliners; no Netlog; Mural dos Escritores... SITE da poetisa http://br.geocities.com/rosadocordel/index.html

Vejamos um cordel da poetisa extraído do seu blog:

FILOSOFIA EM CORDEL
(Aplicada à Educação Fundamental)

Por Rosa Regis
Natal/RN – 2005

Folheto 1

Nos disse o mestre dos mestres
do pensar, que foi Platão,
que as coisas só iam entrar
nos eixos neste mundão
quando este fosse mandado,
dirigido, governado,
por filósofos. E então?!...
...
Século VI antes de Cristo
na Grécia continental
as cidades-estado tinham
algo de especial
eram centros que cresciam
no setor comercial.

Os gregos desenvolviam
suas dramatizações
buscando mostrar ao povo
com precisas descrições
o que haviam assimilado
durante as Navegações.

O governo da carência
era, ora, idealizado.
Ao invés do “do acaso”.
E, com base, estruturado
para uma democracia
com que haviam sonhado.

Herdaram, pois, dos minóicos,
espírito navegador,
desbravando o oceano,
naquele tempo, o terror,
por ser um Ser mitológico,
do Grande Poder, Senhor.

A geometria egípcia
assimilaram mui bem,
como a observação
dos astros, e inda vem:
o calendário dos povos
da Ásia Menor também.

E na falta de alguém
pra responsabilizar
pelo começo de tudo
que se refere ao “pensar”,
Tales é o escolhido
pra do “saber” se falar.

Depois vem Anaximandro,
Pitágoras,... outros virão
com pensamentos diversos,
chegando-se a Platão,
onde se vê seu legado
fluir pra religião.

Vindo depois Aristóteles
que foi o mais influente
dos grandes filósofos gregos,
e o último, evidentemente!
Foi seguidor de Platão
porém não tão docemente.

Quanto aos outros pensadores,
de lá até hoje em dia,
também serão, ao seu tempo,
mencionados. E a via
serão, também, minhas rimas!
Que, espero, cause alegria.

TALES DE MILETO

Tales nasceu em Mileto.
Foi um grande pensador!
Sendo ele o primeiro Sábio
Do mundo. Um conhecedor.
Foi político, geômetra,
e astrônomo. Com louvor.

Século VI antes de Cristo
previu um eclipse solar
que ocorreu. E de mito
não queria ouvir falar!
Mas, do mundo das estrelas,
com quem vivia a sonhar.

Como outros gregos, ele,
o que fez de especial
foi separar a ciência
da magia e, afinal,
ousar pensar sobre o mundo
sem ter Deus como ideal.

E buscando a unidade
das coisas, ele pensou:
“Talvez, no começo, tudo
fosse água! E matutou
consigo mesmo: - Seria
possível? Se indagou.

ANAXIMANDRO

Falemos de Anaximandro,
que veio logo em seguida.
Este era da mesma linha
de Tales, pois que a vida,
pra ele, vinha da água
de uma forma definida:

Os homens vinham dos peixes.
E a Terra flutuava
no espaço sustentada
por algo, que ele afirmava
ser uma lei natural
que no Mundo atuava.

U’a substância primária
unida à lei natural
fazia, pois, que houvesse
um equilíbrio total
entre os elementos que
compunham o Mundo, e tal!

Foi ele, também, quem fez
o primeiro mapa a ser
útil aos desbravadores
que Mileto veio a ter
e que, como mercadores,
comerciaram a valer.

PITÁGORAS

Combinação curiosa
de místico e cientista,
de matemático, geômetra,
como verdadeiro artista
ele manuseia os números
como um hábil equilibrista.

E triste com Policrates,
um ditador, se mandou:
Saiu de Samos, sua terra,
e para o Egito rumou.
Logo depois para a Itália
onde uma escola fundou.

Uma escola baseada
em sua filosofia
matemático-metafísica
que pregava uma harmonia
cósmica que se baseava
nos números. E assim dizia:

A harmonia cósmica tem
base ou fundamentação
nos números que representam
das coisas em si relação.
Podendo-se dar, agora,
uma exemplificação:

Ao dividir-se uma corda
de lira, no comprimento,
descobriram os pitagóricos
que a mesma, a contento,
produz a oitava mais alta
que ao espírito trás alento.

E a noção de harmonia
a tudo o mais se estendeu
como sendo completude
tal qual Pitágoras creu:
Razões de números inteiros,
completos, como entendeu.

Geometria dos sólidos
perfeitos, ele explorou;
descobriu o teorema
que o seu nome herdou
e que até hoje, a muitos,
de terror, arrepiou.

Pitágoras foi o primeiro
que usou o raciocínio
sistemático-dedutivo
d’um axioma óbvio partindo
e, passo a passo, com lógica,
para um final prosseguindo.

E isso impulsionou,
duma forma colossal,
a ciência. Mas ocorre
que o óbvio, como tal,
atormenta até hoje
os filósofos. É real.

E ainda não contente
em demonstrar a importância
que os números representam,
Pitágoras, em outra instância,
afirma que: Nada é novo
e há vida em abundância.

A alma, coisa imortal,
em coisas vivas retorna
à vida, pois, ciclicamente,
ela renasce. E isso torna
a vida um ciclo eterno
que a vida em vida transforma.

E superavaliando
o poder numérico, crê:
O dodecaedro encarna
o Universo inteiro. E,
a harmonia das esferas
e o belo da música, vê.

HERÁCLITO
(Não se entra no mesmo
rio duas vezes)

Quinhentos anos a.C.
Heráclito já afirmava
que tudo estava em fluxo.
Mas também acreditava
em uma justiça cósmica
que o mundo equilibrava.

Era uma idéia complexa!
Na busca do elemento
primário, ele elege
o FOGO. E seu pensamento
afirma que há um fogo
central, sempre em movimento.
...
Houve um florescimento
muito além do normal
da cultura da Grécia clássica,
pois os gregos, em geral,
produziam... tinham idéias...
Era algo fenomenal!

Há grande amor pelo belo
porém sem extravagância.
As coisas da mente vêm,
sempre, em primeira instância
Não os deixando indolentes
e afastando-os da ganância.

Pode-se dar como exemplo
Péricles - grande estadista;
Eurípedes - tragediógrafo;
poetas e ceramistas
como: Safo, que era músico
e, também,pintor. Artista!

Escultores como Fídias!
Que foi um grande escultor.
E cito Safo, outra vez,
como historiador.
E Aristófanes, filósofo
e, da matemática, senhor.

Porém as recém-inventadas
democracias terão
sua base estruturada
em que?... na escravidão!
E só um sexto dos membros
eram ditos cidadãos.

Os escravos, os estrangeiros
e as crianças, enfim,
eram chamados de “bárbaros”.
E as mulheres... pois sim!...
não tinham qualquer direito!
Isso não é mesmo o fim?!

Não contavam para nada!
E isto distorceria
as tentativas que “o grego”
desenvolver tentaria
no que diz respeito a: ética
e política Filosofia.

EMPÉDOCLES

Empédocles de Agrimento
cria uma clepsidra
em metal. Descobre o ar.
E diz que: De Deus duvida.
Julgando-se o próprio Deus!
O dono da sua vida.

Afirma que tudo é:
fogo, terra, água e ar.
Que as plantas têm sexo.
A Terra, bola (sem ar).
E pelo amor e pela luta
tudo se transformará.

Que a vida rola em ciclos
históricos. E p’ra provar
que era mesmo divino,
no Etna veio a pular.
E o máximo que conseguiu
foi, assado, se finar.

OS ATOMISTAS

Falando dos atomistas,
Quatrocentos e Vinte a.C.
O mundo, aí, é formado
por particulazinhas que
unem-se, formando um todo.
Seria loucura? Engodo?
Tente descobrir você!

LEUCIPO E DEMÓCRITO

De Parmênides: a idéia
de partículas essenciais,
de Heráclito: o movimento
que não termina jamais,
herdam, e propõem: átomos
indivisíveis. E mais:

Os átomos, ao acaso,
flutuam. E tão pequeninos
que são não se pode vê-los.
Porém, do mundo, o destino,
se deve aos seus movimentos
diversos em desatino.

Suas diferentes formas
imutáveis, tinham a ver
com as transformações do mundo.
E isto tudo, até que
em Mil e Oitocentos, Dalton
traz outro modo de ver.

OS SOFISTAS(Grandes mudanças)

Enquanto que para os gregos
o interesse maior era
a unidade e a diferença,
o Universo... quem dera!
As grandes questões, agora?!
Isso era apenas quimera.

O sofista, cinicamente,
dispensa a “grande verdade”
e, com uma “bela conversa”,
busca, na realidade,
é fazer coisas pra si.
Pra sua comodidade.

E isto leva as pessoas
a escrever... discursar...
E, usando paradoxos,
grandes disputas ganhar
utilizando argumentos
deturpados sem corar.

E assim sendo, os problemas,
fatalmente, vêm a tona.
Atenas, de incutidores
de maus costumes, os toma.
Sendo o cinismo um deles.
E os sofistas vão à lona.

PROTÁGORAS

Segundo ele, o homem
era, de tudo, a medida.
E a sua praticidade
não lhe deixava saída:
conhecer a realidade
era coisa descabida.

Para ele o que importava
era mesmo a opinião
útil. Isto é ceticismo
profundo. E qualquer questão
não pode ser posta em dúvida
se é verdadeira ou não.

TRASÍMACO

Para Trasímaco, a Justiça
era a vantagem de quem
tem o poder, é mais forte.
E, desta forma, ele vem,
de uma forma grosseira,
“trocar” o mal pelo bem.

Pois este relativismo
absoluto levou
às grosseiras conclusões
a que Trasímaco chegou,
onde justifica a força
com todo o seu ardor.
...
Uma paradinha aqui.
Mas, prometo, voltarei
Noutro folheto, no qual
Com Sócrates começarei.
E verão que maravilha!
Eu o farei em setilha.
E, prometo, capricharei!!

Fim do primeiro folheto.

http://rosadocordel.blogspot.com/

http://aclccaruarucordel.blogspot.com/

http://jornaldecaruaru.wordpress.com/2010/05/04/2%C2%BA-concurso-de-literatura-de-cordel-%E2%80%9Ca-feira-de-caruaru-patrimonio-de-todos-nos%E2%80%9D/

http://www.overmundo.com.br/uploads/overblog/multiplas/1223405430_800pxbandeira_da_paraiba.svg_1.jpg

quinta-feira, 27 de maio de 2010

CORDELISTA PARAIBANO FRANCISCO DINIZ

 

    

          Francisco Ferreira Filho Diniz, paraibano, sertanejo de Santa Helena, autor de mais de 60 folhetos, é professor de educação física da escola municipal Instituto São Marcus, em Santa Rita-PB e desenvolve um trabalho de valorização e divulgação do folheto de cordel nas escolas de Santa Rita, Bayeux, Cabedelo e João Pessoa desde o ano 2000. Através de palestras e oficinas expõe como produzir um texto observando a rima, a métrica e as estrofes em sextilha, setilha, décima e quadra. Já percorreu mais de 300 salas de aula com essa iniciativa, além de se apresentar em praças, feiras, teatros, bares, supermercados realizando exposições de literatura de cordel. Expõe os seus trabalhos e de seus parceiros desde 2001 no site da internet: http://literaturadecordel.vila.bol.com, que conta com uma média de 120 visitantes por dia. Gravou 3 cds nos anos de 2003, 2004 e 2006. Os cds são vendidos a preços populares e/ou trocados nas escolas por resmas de papel ofício/jornal/colorido para produção de folhetos, que são distribuídos, gratuitamente, em escolas públicas.
         Teve o projeto Literatura de Cordel na Escola aprovado pela lei estadual de incentivo à cultura em 2002 e, através deste projeto, distribuiu em 2003 uma coletânea de 20 folhetos, em parceria com Valentim Martins Quaresma Neto, para 189 escolas estaduais de João Pessoa e Santa Rita, além de 75 instituições culturais da Paraíba.
         Em 2007 conseguiu a aprovação do Projeto Cordel através do FMC- Fundo Municipal de Cultura - da Prefeitura de João Pessoa, para se apresentar em 48 escolas municipais com o grupo de música regional, composto de sanfona, gaita, 3 violões, zabumba, percussão em tubadoras e triângulo, fazer palestra sobre o cordel e distribuir gratuitamente, em cada escola, 500 folhetos de sua autoria, sendo 10 títulos diferentes e totalizando 24 mil exemplares. 
         Idealizador e coordenador da Tenda do Cordel, atração da festa de São João (de 23 a 29 de junho), realizada pela prefeitura de João Pessoa, que reuniu 17 cordelistas de João Pessoa, do interior da Paraíba, de Pernambuco, Ceará e São Paulo. Coordenador da Tenda do Cordel durante a Festa das Neves de 30 de julho a 05 de agosto e que reuniu mais de uma dezena de artistas populares.
          No ano de 2006 foi o vencedor do Prêmio Novos Autores Paraibanos pela Universidade Federal da Paraíba com o folheto de cordel: Quadrilha Junina. 
           Vejamos a seguir uns versos deste cordelista:

O QUE É LITERATURA DE CORDEL

Literatura de Cordel
É poesia popular,
É história contada em versos
Em estrofes a rimar,
Escrita em papel comum
Feita pra ler ou cantar.

A capa é em xilogravura,
Trabalho de artesão,
Que esculpe em madeira
Um desenho com ponção
Preparando a matriz
Pra fazer reprodução.

Mas pode ser um desenho,
Uma foto, uma pintura,
Cujo título, bem à mostra,
Resume a escritura.
É uma bela tradição,
Que exprime nossa cultura.

7 sílabas poéticas,
Cada verso deve ter
Pra ficar certo, bonito
E a métrica obedecer,
Pra evitar o pé quebrado
E a tradição manter.

Os folhetos de cordel,
Nas feiras eram vendidos,
Pendurados num cordão
Falando do acontecido,
De amor, luta e mistério,
De fé e do desassistido.

A minha literatura
De cordel é reflexão
Sobre a questão social
E orienta o cidadão
A valorizar a cultura
E também a educação.

Mas trata de outros temas:
Da luta do bem contra o mal,
Da crença do nosso povo,
Do hilário, coisa e tal
E você acha nas bancas
Por apenas um real.

O cordel é uma expressão
Da autêntica poesia
Do povo da minha terra
Que luta pra que um dia
Acabem a fome e miséria,
Haja paz e harmonia.

João Pessoa, Paraíba, Brasil

Fones: (83) 3243-6724 (83) 8862-8587 Site:
E-mail: literaturadecordel@bol.com.br
FONTE http://literaturadecordel.vila.bol.com.br/

quarta-feira, 26 de maio de 2010

CORDELISTA PARAIBANO JOSÉ DE SOUSA DANTAS

      José de Sousa Dantas nasceu em 21/11/1954, no sítio São João, em Pombal - Paraíba; engenheiro civil pela UFPB (1977), com mestrado pela Escola de Engenharia de São Carlos - SP (1980). Casado, pai de três filhas. Funcionário do Estado da Paraíba desde 1980, iniciado na Secretaria do Planejamento e, atualmente, assessor da Secretaria das Finanças. Poeta, escritor, autor do Livro “A História do Meu Lugar - Contos e Versos” (1998); coordenador da elaboração de livros e CDs da cultura popular e promovente dos encontros de poetas e repentistas, realizados em João Pessoa e Pombal.
       Tem elaborado vários poemas, alguns constantes das seguintes coletâneas: Anais do I Grande Encontro de Poetas e Repentistas em João Pessoa (1999); Uma Noite Estrelada de Poesia em Pombal (2000); A Fortuna do Repente (2000), VERSOS ITINERANTES (2001); NO MUNDO DA POESIA - Pombal Revive Cantando o que Leandro Sonhou (2001); Poetas Encantadores (Zé de Cazuza, 2001).
        Conquistou o primeiro lugar com o Poema “O Construtor da Poesia”, no VII Festival Sertanejo de Poesia (FESERP) - Prêmio Augusto dos Anjos, realizado em 18/12/1999, em Aparecida - PB.
Atualmente, continua elaborando poesias, colaborando com alguns sites.

         Vejamos alguns versos deste ilustre cordelista:

A minha INFÂNCIA dourada, os anos não trazem mais
José de Sousa Dantas, em 19/04/2005

Eu tenho grande saudade
do meu tempo de criança;
está na minha lembrança
a velha propriedade,
que mantém a identidade,
os seus costumes locais,
os modos, os rituais,
toda a tradição formada.
A minha infância dourada
os anos não trazem mais.

No meu tempo de criança,
no ambiente feliz,
me aliava aos guris,
colegas da vizinhança,
numa vida de bonança,
cheia de felicidade,
me divertia à vontade,
brincando com a meninada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Eu relembro quando eu ia
nos domingos visitar
as pessoas do lugar,
com meus pais na companhia,
era grande a alegria,
brincar nos meios rurais,
com meus amigos leais,
em cada nobre morada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Do alpendre da vivenda,
eu contemplava a beleza
da excelsa natureza,
as paisagens da fazenda.......
Eu me lembro da moenda,
das produções sazonais,
dos alfenins colossais,
da batida temperada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Eu tenho recordação
do tempo bom que se foi,
do velho carro de boi,
nossa melhor condução,
que cantava com o cocão,
nas estradas vicinais,
cujas notas musicais
advinham da toada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Corria pelo terreiro,
no meu cavalo de pau,
arrodeava o jirau,
seguindo pelo aceiro,
passando pelo barreiro,
espantando os animais,
de outros, corria atrás
até a mata fechada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

É belo ver o vaqueiro,
no seu cavalo montado,
cantando e tangendo o gado,
no campo, no tabuleiro,
transpondo despenhadeiro,
espinhos e cipoais,
garranchos e carrascais,
na condução da manada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

No período do inverno,
começando de janeiro,
eu curtia o tempo inteiro,
vendo a mudança de terno,
do campo verde e moderno,
no brilho dos vegetais,
das ervas e cereais,
fruto da terra molhada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Com a chegada da chuva,
de repente muda o clima,
o sertanejo se anima,
em todo canto há saúva,
sai canapu, como uva,
no aceiro dos currais,
no meio dos matagais,
na época da invernada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Tomava banho no rio,
no riacho e no açude,
naquele ambiente rude,
aconchegante e sadio,
ainda hoje aprecio
as riquezas naturais,
os mais belos visuais,
daquela terra sagrada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Nunca me sai da lembrança
a aurora, o nascer do sol,
aquele grato arrebol,
a brisa suave e mansa,
o orvalho da ervança,
o plantio nos quintais,
nas baixas, os arrozais,
e algodão, na lombada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Lembro-me da embuzada,
mel de abelha, rapadura,
a melancia madura,
mingau, cuscuz, maxixada,
arroz, feijão, carne assada,
comidas regionais,
os filhós, os mungunzás,
manteiga, queijo, coalhada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

O canto da acauã,
do rouxinol, do concriz,
seriema, codorniz,
juriti e jaçanã,
canário, maracanã,
rolinhas e sabiás,
graúnas e carcarás,......
com início na alvorada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Um canário cantador,
nas galhas da catingueira,
na linha da cumeeira,
que parecia um tenor,
gorjeando com fervor,
pelos pátios e currais,
descampados e frechais,
a partir da madrugada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Lembro quando procurava
ao redor de casa ninhos
dos alegres passarinhos,
alguns deles, encontrava,
muito contente eu ficava,
transparecendo demais
nos meus olhos os sinais,
pela aventura alcançada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Cacei ninho de galinha
e guiné, pelo aceiro
do terreiro e tabuleiro,
por perto dos pés de pinha,
de moita, de vassourinha,
por dentro dos capinzais,
das cercas, dos milharais,
e do lado da calçada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Lembro as flores de pereiro,
velame e mandacaru,
catingueira, cumaru,
de angico e marmeleiro,
de jurema e juazeiro,
dos diversos roseirais,
cor amarela, lilás,
branca, azul, verde e pintada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

A argolinha, o São João,
os contos, a cantoria,
o passeio, a pescaria,
as domingueiras, leilão,
o rosário, a procissão,
as atrações culturais,
as festas habituais,
casamento e farinhada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

De vez em quando me lembro,
das quadrilhas do São João,
mamulengo, apartação,
e aniversário em novembro,
as festas até dezembro,
nos diversos arraiais,
que são tradicionais,
cada uma é recordada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Toda área nordestina
mantém sua tradição,
faz a comemoração
da grande festa junina -
atraente e genuína,
com sanfoneiro tenaz,
e o forró nos satisfaz,
debaixo de uma latada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Tive uma infância ditosa,
modesta, rica, abundante,
divertida, fascinante,
atraente e prazerosa,
sadia, maravilhosa,
cheia de vigor e paz,
com lições fundamentais,
para a minha caminhada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Eu tive a felicidade
e a grata satisfação
de viver no meu sertão,
com fé e prosperidade;
depois vim para a cidade,
no meu tempo de rapaz,
cultivar meus ideais,
numa escola renomada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Estou morando distante
do lugar que fui criado,
mas meu pensamento alado,
com meu peito palpitante,
vai bater lá num instante,
para reviver assaz
os momentos principais
daquela fase passada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Quando relembro os momentos
do meu tempo de CRIANÇA,
o meu sonho de esperança,
mexe com meus sentimentos,
nas asas dos pensamentos,
viajo correndo atrás
dos dias iniciais
daquela fase adorada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Toda a minha trajetória
do meu tempo de INFÂNCIA
foi cheia de exuberância,
de esplendor e de glória;
reviver essa história
me anima e me apraz,
me fortalece e me faz
escrever essa balada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Quando chego no lugar
que nasci e fui criado,
fico emocionado,
dá vontade de ficar
mais tempo, pra desfrutar
das atrações matinais,
vespertinas e reais
de uma noite enluarada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

QUER VER MEU PEITO APERTAR,
ME FALE DO MEU SERTÃO !
Eu sinto forte emoção,
recordando o meu lugar -
meu berço nobre, exemplar,
não esquecerei jamais,
nesses versos pessoais,
minha paixão é notada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Fazendo comparação,
da minha INFÂNCIA querida
com minha forma de vida,
é grande a transformação;
me desperta a atenção
pra aqueles tempos atrás
e a minha memória traz
uma saudade danada !
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Quero sempre agradecer
a DEUS, pela minha vida,
a minha INFÂNCIA querida,
que me ajudou a vencer;
pelo que pude aprender
com as lições dos meus pais
e dos velhos ancestrais,
pra seguir minha jornada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Fonte texto: http://www.usinadeletras.com.br/exibelocurriculo.php?login=dantas
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=8488&cat=Cordel&vinda=S

    Imagens
http://www.quatrocantos.com/clipart/bandeiras/bandeiras_dos_estados_brasileiros/paraiba.gif
http://1.bp.blogspot.com/_FhL94TPkgcY/SxuTcVnexBI/AAAAAAAAARM/mFXOmxOnnNo/s400/barbeiros_01.jpg

terça-feira, 25 de maio de 2010

CORDELISTA PERNAMBUCANO, RADICADO NA PARAÍBA, MARCO DI AURÉLIO

     (Texto extraído do site do cordelita)

       Gerado nas madornas de um Abril dos tempos. Gestado vagarosamente nas manhãs do mundo. Nascido sertanejo sob um céu de luz num Janeiro azul e ensolarado, solfeja em seus versos o que vem de dentro. Marcos Aurélio Gomes de Carvalho, filho de Aurélio e de Ester, por isso o “Marco di Aurélio”, nascido na cidade de Bodocó, alto sertão pernambucano, se entrega de corpo e alma à poesia nordestina. Hoje, no alto de sua idade mais propositiva, encarna um regionalismo nativista, sem radicalismos nem barreiras conservadoras. Flui do cordel ao soneto, do aboio à poesia moderna, das incelências aos musicais. Autor da primeira edição de literatura de cordel no sistema Braille no Brasil, transita pelas artes plásticas, pelo cinema, pela fotografia, pelos palcos e pelos contos.
         Se perde na vastidão da vida, vencendo porteiras e cercas de sua própria busca. Um nordestinado... Um ajuntador de palavras, um tangerino de sonhos...

Vejamos um cordel do autor:

AUTODIDATA

Sou apenas um poeta
de letras ajuntador
não completei a escola
me ocupei trabalhador
mas não sou ignorante
de leitura interessante
nisso sim me fiz doutor.

Um doutor de entender
da vida sua grandeza
do mundo e seus confins
do belo a realeza
da rosa em seu carmim
da pureza de um jardim
ultrapassando a beleza.

Um doutor de entender
que a vida pura e bela
é um céu azul e branco
é um sítio sem cancela
uma canção entoada
uma vida derramada
e a gente em cima dela

Um doutor de entender
que tudo que vai tem volta
de um bicho que se prende
de outro que assim se solta
no ciclo da inspiração
em sua respiração
que no mundo não se esgota.

De entender que o destino
parece querendo ser
uma coisa já traçada
aquilo que tem que haver
pois não existe uma praça
o seu ar a sua graça
se não houver um querer.

Portanto sei entender
que a vida que aqui se tem
o tudo que aqui se faz
se projeta muito além
não vivemos numa estrada
como rota já traçada
a vida não é um trem

É preciso se buscar
no meio do existir
em tudo que se pensar
no chorar ou no sorrir
que a vida é qual o vento
que povoa o firmamento
eternamente a fluir.

Toda cosmologia
tenta mas não explica
o teor de tudo ser
enfeita e até complica
a razão do seu querer
procurando conhecer
o tudo que multiplica.

Como toda vida é
um conjunto de ilusão
construída ela está
pelo pó em suspensão
e a cada sopro vai
se levanta e depois cai
em nova combinação.

Fonte texto: http://www.marcodiaurelio.com/marcodiaurelio.php
   Imagens
http://www.marcodiaurelio.com/imagens/marcodiaurelio.gif
http://www.achetudoeregiao.com.br/atr/bandeiras_do_brasil.gif/Bandeira_de_Pernambuco.jpg
http://www.englishexperts.com.br/wp-content/uploads/2008/10/autodidata-sozinho.jpg

segunda-feira, 24 de maio de 2010

CORDELISTA PARAIBANO VICENTE CAMPOS FILHO

 

       É paraibano natural de Patos e há cinco anos reside em João Pessoa. É autor de mais de três dezenas de cordéis. Vicente Campos Filho distribui os seus folhetos para comercialização nas diversas lojas especializadas em produtos para turistas da nossa capital e em bancas de revistas. Um destes cordéis em especial, segundo o autor, se destina à promoção da nossa cultura entre os que visitam a Paraíba. “O Dicionário de paraibês, (diz o autor) tem sido muito bem aceito entre os turistas que aqui chegam e que buscam informações sobre a cultura paraibana. Vários outros cordéis que tenho publicado são bem aceitos. Mas este tem superado as expectativas. Tanto turistas como nativos se deliciam com os termos apresentados”.

Leia abaixo algumas estrofes do "Dicionário de Paraibês":

(...)
Longe é a BAIXA DA ÉGUA
O ali é ACULÁ
Devagar é SÓ NA MANHA
Correr é DESIMBESTAR
O de cima é o de RIBA
Botar no chão é ARRIAR.

Mulher bonita é VISTOSA
Mulher feia é CANHÃO
Quem se zanga DÁ A GOTA
Quem dá bronca DÁ CARÃO
Menino que anda lento
OH... MENINO REMANCHÃO!

O otário é MANÉ
O malandro é MALAQUIA
Estar com pressa é AVEXADO
Dizer: “Vem logo” é “AVIA”
E quem se espanta com algo
Diz assim: “AFF MARIA!”.

Caprichar é DAR O GRAU
Mal feito é ARRUMAÇÃO
O que é bom é ARRETADO
O medroso é CAGÃO
Pessoa boa é FILÉ
E puxa saco é BABÃO.

                                                (…)

                 Contatos: (83) 88398020 -(83) 9919397

                     Fonte: http://vicentecamposfilho.blogspot.com/

Imagems: http://www.clickpb.com.br/artigos/sendtmp/2009/20091107103420/paraibes_grande.jpg http://3.bp.blogspot.com/_-0c3_-VE0M8/Sz8heWOEBPI/AAAAAAAAAiQ/nmpACX6U-ZY/s400/Vicente+Campos+Filho.jpg

domingo, 23 de maio de 2010

REPENTISTAS GERALDO AMÂNCIO E VALDIR TELES

        Que poesia maravilhosa! É realmente sensacional! O Brasil não sabe o que perde ao esquecer a Verdadeira Cultura: esta a qual vais assistir.

Fonte:  http://www.youtube.com/watch?v=t682gpn2fGE

CORDELISTA PARAIBANA ROSINALVA APARECIDA MARTINS DE OLIVEIRA

   festa de Santa Luzia 2009 003

     Rosinalva Aparecida Martins de Oliveira é natural de Picuí PB. É graduada em história pela Universidade Federal de Campina Grande e aluna especial do mestrado na linha de cultura e cidade da mesma universidade. É professora de história nas redes estadual no município de Picuí e no município de Cuité. Desenvolve pesquisas nas áreas de lazer e tem alguns projetos, principalmente no ensino fundamental, direcionados para o cordel.
          Email:
rosinalvaoliveira@gmail.com

(informações cedidas pela própria cordelista)

    O cordel da autora ,abaixo, foi publicado  no site do Jornal Mundo Jovem e extraído de lá por nós.

“O SABER AUTORIZADO E O SABER POPULAR”

            

O saber autorizado, 
É o saber instituído
É o que tem credibilidade,
porque é bem entendido.
É como diz o ditado:
Quem sabe, sabe!
E tá tudo resolvido...

O saber popular
Não pode ser desprezado
Tem que ser reconhecido, 
E muito valorizado
São conhecimentos antigos
Que devem ser preservados.

O homem que estudou,
É muito bem respeitado
Seja juiz, promotor,
Doutor ou advogado
Ele é representante
Do saber autorizado.

Mesmo não sendo legítimo,
Mas é uma forma de saber
É preciso preservar,
para poder compreender
O povo sabe das coisas.
Muita gente é quem não quer ver.

As letras são importantes,
Porque traz informação
Quem nunca foi à escola,
Não sabe de nada não
Para relatar um fato,
Tem que ter comprovação.

Isso não é verdade, 
É preciso se dizer
Nem sempre na história,
Tudo tem que escrever 
A oralidade é importante,
Basta compreender.

O doutor diz a doença
Que o paciente tem, 
O juiz diz a sentença,
Livra ou condena alguém
Isso só é possível
Pelo saber que ele tem!

 Rosinalva Aparecida Martins de Oliveira 

            cordel: http://www.pucrs.br/mj/poema-cordel-46.php

        Imagens 
http://processos.maringa.pr.gov.br/sistema_maringa/adm/imagens/gd_2212convitemusica9.jpg            http://www.jesuitas-pi.com.br/home/service/dim//articlefiles/287-cordel.jpg
http://www.quatrocantos.com/clipart/bandeiras/bandeiras_dos_estados_brasileiros/paraiba.gif

sábado, 22 de maio de 2010

MATE AS SAUDADES DOS ANOS DE OURO DO FORRÓ MASTRUZ COM LEITE

OUÇA E CANTE A MÚSICA NAMORO NA FAZENDA

(Para ouvir clique 1° botão da esq. p/ direita)

Mastruz com Leite Volume II Álbum: “Coisa Nossa”

Quando eu fui morar lá na fazenda, meu pai queria que eu fosse fazendeiro,
Um dia lá na sombra da jurema, eu conheci a filha do vaqueiro...
Uma menina de cabelos compridos, sorriso lindo com os olhos de sereia,
Ela ficou no meu pensamento e foi aí que eu me apaixonei 2x

Um dia lá na água do açude fui tomar banho e ela apareceu,
Sozinha numa noite de lua, e foi aí que tudo aconteceu,
Seu pai descobriu o nosso namoro e foi aquele tere - tetê
O velho não queria nosso casamento, e mesmo assim com ela me casei
(O velho não queria nosso casamento, e mesmo assim com ela me casei)

Um dia lá na água do açude...

Fonte:  http://letras.terra.com.br/mastruz-com-leite/335908/