CORDEL PARAÍBA

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Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não pertence a coronel./É propriedade do povo:/rico, pobre, velho, novo/deliciam-se deste mel./Rico, pobre, velho, novo/Deliciam-se neste mel.

(Manoel Belisario)



sábado, 27 de março de 2010

CORDEL: O DIA QUE O ESCRITOR JOSÉ HUMBERTO DA SILVA ME PLAGIOU

         Neste dia 26 de março de 2010 sofri meu primeiro plágio por parte do escritor JOSÉ HUMBERTO DA SILVA, do site RECANTO DAS LETRAS www.recantodasletras.uol.com.br

       Depois dessa concluo que a mentira não mora só em Brasília, mas no meio da classe dos escritores, disfarçada de escritor.


O DIA QUE O ESCRITOR JOSÉ HUMBERTO DA SILVA  ME PLAGIOU


Mal comecei a carreira
De poeta popular
E um escritor de renome
Que devia me ajudar
Ao invés disso o que fez
Foi mesmo me plagiar.

Foi no RECANTO DAS LETRAS
Que oTAL autor  em questão.
Ontem, dia 26
De março fez a ação
De plagiar um poema
Meu, tu acredita, irmão?

O senhor JOSÉ HUMBERTO
DA SILVA viu meu poema
NO BRASIL", este é o tema.
Em seguida copiou
Fazendo o seguinte esquema.

Tirou algumas palavras
Pondo outras no lugar.
Mas quem conhece o cordel
Percebe num só olhar
O que é meu está certinho
O que é dele não está.

Porque, modéstia à parte,
Meus leitores sabem bem:
Minha métrica é das boas.
Não vou negar a ninguém.
Não escrevo pé quebrado
Porque a mim não convém.

Se os leitores olharem
No link perceberão
Que ele pegou palavras
Fora da situação
E jogou em meu poema
Dando uma de sabichão.

Como é senhor JOSÉ
HUMBERTO que você faz
Uma coisa feia dessas.
E depois ainda mais
Proíbe a cópia da página
Por direitos autorais?

JOSÉ HUMBERTO DA SILVA
Conhecia o seu valor.
Valorizava seus feitos
Enquanto bom escritor
Agora já não sei mais
SE QUEM FAZ É O SENHOR.

Por que não faz como o blog
Que como outros criados
Por artistas, gente fina
Publicam nossos cordéis
Do jeito que a regra ensina.

JOSÉ HUMBERTO DA SILVA
Não busque fazer sua fama
Às custas deste poeta
Que escreve porque ama.
Quem quer crescer desta forma
Acaba mesmo é na lama.


Autor: Manoel Messias Belizario Neto, 27 de março de 2010

FONTE IMAGEM: http://ptodecontato.files.wordpress.com/2009/09/mentira7_1.jpg
email:manoelbelizario@yahoo.com.br

Veja lançamento do texto original alguns dias antes



Veja o plágio de José Humberto da Silva poucos dias depois: eles tiraram do site Recanto das Letras, mas vc pode ver por um site alternativo, shared 4, clique no doc cordel plagiado por José Humberto da Silva e baixe para ver que eu estou falando a verdade.
http://www.4shared.com/account/dir/22289496/6ad41525/sharing.html?rnd=68
(link do plágio retirado)
 http://recantodasletras.uol.com.br/poesiastranscendentais/2159759





















CORDEL EM HOMENAGEM AO CQC


HOMENAGEM AO CQC



Quando é noite de segunda
Chega dá gosto de ver:
O Brasil inteiro corre
Para a frente da TV
Na ânsia de assistir
Ao programa CQC.

Diante do CQC
Todos têm que se curvar
Porque o nosso país
Se eleva ao patamar
De qualidade suprema
Quando ele está no ar.

Graças a Deus, telespec,
Que existe o CQC,
Porque se não fosse ele
Como era que ia ser?
Quem diria o que a gente
Quer e não pode dizer?

CQC é um jornal
De estilo superior.
Usa o deboche, o cinismo,
A crítica e o humor
Para trazer a verdade
Livre de qualquer temor.

Quem tiver rabo de palha
Que fuja do CQC.
Gafe, desordem, malfeitos,
São aperitivos que
Fazem do programa um cálice
Com maná pra se beber.

O cara escapa nas falhas
Da justiça brasileira.
Quero ver ele escapar
Das cipoadas certeiras
Da turma do CQC
Que não é de brincadeira.

A turma do CQC
Sem dó e nem compaixão
Desce o cacete em qualquer
Forma de corrupção.
Pega gasolina e fogo
E joga no cu do Cão.

“Brasil mostra a tua cara!”
Cazuza veio dizer.
Por medo, omissão e falha
Ninguém quis lhe atender.
Quem cumpre essa missão
No Brasil é CQC.

Televisão brasileira,
Para você aprender
A fazer programa bom,
Escute o que eu vou dizer:
Siga a lição ensinada
Pelo nosso CQC.

Autor: Manoel Messias Belizario Neto, João Pessoa, PB.
Fonte imagem: http://clarafragoso.files.wordpress.com/2009/04/cqc_todos_black.jpg

sexta-feira, 26 de março de 2010

POÉTICA DO CORDEL: QUADRA E SEXTILHA



Quadra



        Estrofe de quatro versos. A quadra iniciou o cordel, mas hoje não é mais utilizada pelos cordelistas. Porém as estrofes de quatro versos ainda são muito utilizadas em outros estilos de poesia sertaneja, como a matuta, a caipira, a embolada, entre outros.

        A quadra é mais usada com sete sílabas. Obrigatoriamente tem que haver rima em dois versos (linhas). Cada poeta tem seu estilo. Um usa rimar a segunda com a quarta. Exemplo:

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá (2)
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá (4).


       Outro prefere rimar todas as linhas, alternando ou saltando. Pode ser a primeira com a terceira e a segunda com a quarta, ou a primeira com a quarta e a segunda com a terceira. Vejamos estes exemplos de Zé da Luz: (ABAB ou ABBA)


E nesta constante lida
Na luta de vida e morte
O sertão é a própria vida
Do sertanejo do Norte
Três muié, três irimã,
Três cachorra da mulesta
Eu vi nun dia de festa
No lugar Puxinanã.


 Sextilha


       É a mais conhecida. Estrofe ou estância de seis versos. Estrofe de seis versos de sete sílabas, com o segundo, o quarto e o sexto rimados; verso de seis pés, colcheia, repente. Estilo muito usado nas cantorias, onde os cantadores fazem alusão a qualquer tema ou evento e usando o ritmo de baião. Exemplo:

Quem inventou esse "S"
Com que se escreve saudade
Foi o mesmo que inventou
O "F" da falsidade
E o mesmo que fez o "I"
Da minha infelicidade

quinta-feira, 25 de março de 2010

A HISTÓRIA DA LITERATURA DE CORDEL

       
         A história da literatura de cordel começa com o romanceiro luso-holandês da Idade Contemporânea e do Renascimento. O nome cordel está ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde eram pendurados em cordões, lá chamados de cordéis. Inicialmente, eles também continham peças de teatro, como as de autoria de Gil Vicente (1465-1536).Foram os portugueses que trouxeram o cordel para o Brasil desde o início da colonização. Na segunda metade do século XIX começaram as impressões de folhetos brasileiros, com características próprias daqui. Os temas incluem desde fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas , temas religiosos, entre muitos outros. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) são alguns dos assuntos de cordéis que tiveram maior tiragem no passado. Não há limite para a criação de temas dos folhetos. Praticamente todo e qualquer assunto pode virar cordel nas mãos de um poeta competente.
       No Brasil, a literatura de cordel é produção típica do Nordeste, sobretudo nos estados de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará. Costumava ser vendida em mercados e feiras pelos próprios autores. Hoje também se faz presente em outros Estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O cordel hoje é vendido em feiras culturais, casas de cultura, livrarias e nas apresentações dos cordelistas.
        Os poetas Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e João Martins de Athayde (1880-1959) estão entre os principais autores do passado.[1]
         Todavia, este tipo de literatura apresenta vários aspectos interessantes e dignos de destaque:
As suas gravuras, chamadas xilogravuras, representam um importante espólio do imaginário popular;
Pelo fato de funcionar como divulgadora da arte do cotidiano, das tradições populares e dos autores locais (lembre-se a vitalidade deste gênero ainda no nordeste do Brasil), a literatura de cordel é de inestimável importância na manutenção das identidades locais e das tradições literárias regionais, contribuindo para a perpetuação do folclore nacional;
         Pelo fato de poderem ser lidas em sessões públicas e de atingirem um número elevado de exemplares distribuídos, ajudam na disseminação de hábitos de leitura e lutam contra o analfabetismo;
A tipologia de assuntos que cobrem, crítica social e política e textos de opinião, elevam a literatura de cordel ao estandarte de obras de teor didático e educativo.

Fonte do texto: Wikipedia
Fonte imagem: http://giseleteixeira.files.wordpress.com/2009/11/normal_cordel_jborges13-02-08.jpg

quarta-feira, 24 de março de 2010

O QUE É A LITERATURA DE CORDEL

        

      Literatura de cordel é um tipo de poesia popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome que vem lá de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, herdamos o nome (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou. Ou seja, o folheto brasileiro poderia ou não estar exposto em barbantes. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

(Continua amanhã)

Fonte wikipedia

terça-feira, 23 de março de 2010

JOÃO MARTINS DE ATHAYDE

BIOGRAFIA

Por Roberto Benjamin

João Martins de Athayde Nasceu em Cachoeira de Cebolas, povoado de Ingá do Bacamarte, Paraíba, em segundo elemento Próprio 23 de junho de 1880. Devido a seca de 1898, migrou n. Pernambuco, radicando-se Recife não. Faleceu em Limoeiro (PE), em 1959.

Publicou o Seu Primeiro folheto em 1908, Impresso nd Tipografia Moderna: Um preto e branco UM apurando qualidades. Embora Seja da Primeira Geração dos poetas de cordel, pertenceu Não AO Que frequentava um grupo Popular Editora, de Francisco das Chagas Batista.
João Martins de Athayde, no ano de 1949, Após Haver Passado acidente vascular cerebral Por hum, se afastou da atividade de editor, vendeu uma tipografia n SUA José Bernardo da Silva, estoques repassando-LHE OS e OS Direitos de edição Sobre Tudo o Que Publicou. (Fonte site da Casa de Rui Barbosa)

Capa de folheto extraída do Acervo Pessoal de Manoel Messias Belizário Neto


segunda-feira, 22 de março de 2010

JOÃO MELQUÍADES FERREIRA DA SILVA - (PAVÃO MISTERIOSO)

João Melquíades Ferreira da Silva nasceu em Bananeiras, no brejo da Paraíba, em 7 de julho de 1869 e faleceu em João Pessoa em 10 de dezembro de 1933. Foi cantador e poeta de bancada, segundo Francisco das Chagas Batista, seu amigo e principal editor. É considerado um dos grandes poetas da primeira geração da literatura de cordel.
Sentou praça no Exército. Participou das campanhas de Canudos em 1897 e do Acre em 1903. Em 1904, já promovido a sargento, deu baixa do Exército, fixando residência na capital do Estado da Paraíba, onde se casou e teve quatro filhos. Manteve vínculo com a região rural de sua origem e escreveu diversos poemas com descrições da Paraíba, especialmente da Serra da Borborema. Adotou o título de cantor da Borborema. (Fonte: site Casa de Rui Barbosa)
Estou viabilizando para vocês us trechos de um dos mais famosos folhetos deste autor que faz parte de meu acervo pessoal. Não posso saborear esta obra-prima sozinho.






























domingo, 21 de março de 2010

O FISCAL E A LAGARTA

Leandro Gomes de Barros




Estava Um Dia Uma lagarta
Debaixo de hum pé de fumo
QUANDO vista Uma Levantou
Viu UM fiscal do consummo.
Disse Consigo Uma lagarta:
Hoje eu me desarrumo.

O fiscal perguntou logo
Insecto, o Que estás roendo?
A lagarta perguntou-LHE
Fiscal, Fazendo Que andas?
- Aperriando o commercio
Tudo Tomando e comendo.

Disse o Imposto fiscal n º:
O Governo me nomeia
A lagarta respondeu-LHE
Voce Precisa É Cadeia,
Para o traje Perder
De andar roubando de meia.

Disse o Governo: o fiscal
Não puderá se manter,
Sem procurar o Imposto
De Quem Comprar e vender,
Agricultor e Artista
Pagam Por dever justo.



- LC6087

Data: 1917
Coleção Digital: folhetos Raros - Poemas Completos

Fonte imagem: http://cordelsp.zip.net/images/lenadroGomes.jpg

quinta-feira, 18 de março de 2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

ALERTA AO USUÁRIO DO ORKUT


A você que está sentado
Acessando o orkut,
que conversa com amigos,
Até namora ou discute,
Vou pedindo a atenção
Que por favor me escute.

O orkut foi criado
Para ser algo legal,
Diminuindo distâncias
De sertão a litoral,
Por isso não deve ser
Utilizado pro mal.

Hoje a tecnologia
Se encontra muito avançada,
Dia e noite, noite e dia
Uma nova é lançada,
Mas é para o bem de todos,
Que essa arte é criada.


Porém como podem ser
Usadas pra construir
Essas tecnologias
Também podem destruir
Principalmente o jovem
Mais fácil de iludir.

Porque no orkut, amigo,
A vida é escancarada,
Todo mundo tem acesso
À mensagem enviada
Tem gente que se aproveita
Pra fazer coisa errada.

Por isso tenha cuidado
Com aquilo que escrever,
Cautela com as pessoas
Que aceita sem conhecer.
Lembre: sua intimidade
Só diz respeito a você.

Cê sabe na internet
Tem coisa boa e ruim,
Como em todo lugar,
Pois a vida é assim.
Cada um de nós se cuide
Pra não se dar mal no fim.

Autor: Manoel Messias Belizario Neto




SÃO JOÃO SERTANEJO


Quando estive no sertão
Na casa de vó Maria
Era tempo de São João
Tempo de muita alegria.
A gente tomava banho
com uma cuia de cabaça,
Quando tinha gia e rã
Na cacimba era uma graça.

E quando era de noite
A gente se reunia
Pra brincar de cai no poço
De passeio e de cutia.
Brinca de roda e anel
Era tão boa a folia!
E de galhinho de amor,
Meu coração sofredor

Por alguém já se roía.
Era funaré danado
Quando a chuva caía:
Nós corríamos nas matas,
Por onde o córrego seguia,
Nós pescávamos traíra,
Curimatã e piaba
Pra de noite em fogo à lenha
A gente comer assada.

Então com os açudes cheio
Nós andavamos de canoa.
A mata cinza era verde,
Êta que vidinha boa!
E aos domingos nós íamos
Visitar muitas pessoas,
Gente que pisava milho
Ainda em meus ouvidos,
Àquela batida soa.

Assim chega o grande dia
A noite tão esperada,
Na casa da Vó Maria
A banda já se instalava.
Eu olhava para as serras
Pras veredas encravadas.
A mata tão colorida,
Que tanta gente bonita,
Que pro forró já chegava.

Então foi às sete horas
Que a sanfona começou.
A fogueira estalava,
No terreiro, sim senhor.
O povo todo dançando,
Gonzagão a entoar.
Êta que festança boa,
Eu gritava pras pessoas
Quero me mudar pra cá.

Autor: Manoel Messias Belizario Neto




CONSELHOS DE MÃE (a todas as mães sertanejas)

Se os filhos dessem ouvido 
Ao que as mães lhes dissessem
Escutassem seus conselhos
Praticassem suas preces
O mundo teria paz
Não essa guerra que cresce.

Os conselhos de uma mãe
São trilhos a percorrer
Porque ela ama o filho
Como nenhum outro ser
E nunca ela quer seu mal
No bem quer vê-lo crescer.

Certa vez presenciei
O que uma mãe dizia
Com os olhos cheios d’água
A um filho que partia
E o filho ali parado
Não sei nem se lhe ouvia.

Mas os conselhos que dera
Servem pra qualquer pessoa:
Boa, má, grande ou pequena;
Seja ocupada ou à toa.
Tudo o que ela falou
Como mandamento soa.

Meu filho eu e teu pai
No dia em que te geramos
Te fizemos com carinho
Porque sempre nos amamos
E assim foste gerado
Sob a luz de tantos planos.

É por isso que te digo
Só case com quem gostar.
O amor é importante
Para os seus filhos criar.
Sem amor nada se cria
Só se leva a odiar.

Nunca use a violência
Quando quiser resolver,
Os problemas, fuja dela
Se possível até correr.
Pregue a paz com os seus gestos
E a paz você vai ter.


Procure educar seus filhos
Se um dia você tiver.
Dê escola para eles
Respeite sua mulher.
Siga pelo bom caminho
E seja um homem de fé.

Admita um Criador
Para não viver perdido
Feito muito pensador
Que não encontra sentido
Na existência de Deus
Fingindo tê-lo esquecido.

Pra realizar seus sonhos
Use a inteligência.
Ao suplicante que roga
Não lhe omita clemência.
Seja servo da virtude
Cujo nome é paciência.

Respeite aos mais idosos
Como sempre ensinei.
Ajude ao pobre que pede
E a quem não tem voz nem vez
E Deus recompensará
Pelo bem que você fez.

Filho, só peça esmola
Se não puder trabalhar.
Tendo saúde batalhe
Garanto irás encontrar.
Bata mil vezes à porta
Que um dia ela se abrirá.

Não aceite um só centavo
Que venha de furto ou roubo.
Encontrando algo de alguém
Devolva, não seja bobo.
Traria desgosto a nós
Ver-te agindo como lobo.

Respeite a natureza,
Pois dela depende a vida.
Só mate algum animal
Se estiver sem saída.
Água no deserto é ouro;
Sombra no mato dormida.

Faça sempre amizade
Com todo o povo em geral,
Pois quem tem muitos amigos
Nunca encontrará o mal,
Mas quem faz inimizades
Tem a morte por final.

Siga em frente com seus sonhos
E busque seus ideais.
O mundo lhe ensinará
O que te omitiu seus pais
Pense bem antes de agir
Faça a vida valer mais.

Seguindo estes conselhos
Garanto serás feliz.
Este é meu simples presente,
Mas o exemplo é quem diz,
Pois tu sabes muito bem
Que tudo o que disse fiz.

Porque se eu não praticasse
Estas frases que falei
Teria jogado ao vento
Tudo o que pronunciei.
Então mais vale a ação
Do que palavras de lei.

O filho abraçou a mãe
E começou a chorar.
Pegou a pequena mala
E caminhou devagar.
Mas seguiu o seu destino
Assim como peregrino
Em busca de novo lar.

Em sua mente passava
Sua história sofrida
Nas brenhas da caatinga
Numa taipera perdida.
São Paulo se apresentava
Como projeto de vida.

Cada pedaço de serra,
Cada recanto que via,
Triste acenavam adeus
À antiga companhia
Que desfrutara nos anos
Que a razão iludia.

A mãe tal qual uma ave
A refletir sobre o ninho.
Restava só a lembrança
Daquele seu passarinho
Num vôo primeiro ao longe
Cheio de risco e espinho.

Pobre mãe ficou sozinha.
A última prole partiu.
Aquela triste viúva
Grande solidão sentiu.
Era sol de primavera.
Numa eterna espera
O filho não mais reviu.

Autor: Manoel Messias Belizario Neto

MELANCOLIAS DE UM SERTANEJO LONGE DE SEU TORRÃO


Sertão seco estou aqui
Nessa capital à toa.
Um dia eu te deixei
Por que faltava garoa.
Agora desprotegido,
Desempregado, sentido,
Tua falta me magoa.

Te deixei meu velho chão
Porque faltou agasalho.
Do gado todo caído,
Não mais se ouvia chocalho.
Chorava parado o vento,
O chão queimava sedento.
Despedia-se o orvalho.

Mesmo assim velho Sertão
Não posso te esquecer.
Te respirarei até
O dia que eu morrer.
Esses lugares modernos
Cheios de gente de terno
Nem chegam aos pés de você.

Tua calça sertão Velho
É um belo mandacaru;
A camisa é um juazeiro
Enfeitado de anu.
O cupim é o chapéu;
A gravata é o céu
Se derramando em azul.

Teus prédios são os serrotes
Habitadas por guará
Que guardam a tua filha.
A princesa do lugar
Do Reino da Pedra Fina
Caatinga ainda menina
Criou-se feliz por lá.

Teus mares são os açudes
Livres da poluição;
As veredas são as linhas
Dos metrôs do coração
De um sertanejo nato
Que aqui se sente ingrato
Por ter deixado teu chão.

Sertão Velho sou teu servo.
Sou teu súdito. É meu rei.
Mesmo que eu vá para a China
Inda lá te servirei.
Sem ti sou grilhão sem elo.
Guarde um canto no castelo
Que um dia eu retornarei.

Autor: Manoel Messias Belizario Neto

POR JUSTIÇA SOCIAL



Caros amigos a vida
É cheia de diferenças
Tanto pobre e pouco rico
Tornando a vida mais tensa
Luto pela igualdade
Essa é a minha crença.

Creio num mundo feliz
Bem bonito de se vê
Quem sabe não é o verso
"Viage a São Saruê"
Ali caberá a todos
Eles, vós, nós e você.

Sou Manoel Belizario
Junte-se a mim meu amigo
Lutemos contra a maldade
O que traduzir perigo
Para a nossa humanidade
Levemos a igualdade
Pra tudo o que for abrigo.

Comecemos pois agora
Para a luta acirrar
O primeiro passo é
A gente se empenhar
Em frequentar a escola
Vamos vem vamos embora
Para a vida melhorar.

Autor: Manoel Messias Belizario Neto



domingo, 14 de março de 2010

PELEJA DO ALUNO PREGUIÇOSO COM O ESTUDIOSO



Ofereço este cordel
Ao aluno esforçado,
Ao aluno preguiçoso,
Conversador ou calado
Em nome de toda classe
De nosso professorado.

Então eu irei narrar
Um duelo interessante
Deu-se em Mata Redonda
Com dois jovens estudantes.
Um não estudava nada
Outro estudava bastante.

Chico Tripa era um aluno
Que vivia a estudar
Brincava, jogava bola
Mas na hora de parar
Já ia pegando os livros
Pras tarefas aprontar.

Zé de Peba do contrário
Era um menino teimoso
Na escrita era péssimo
Também lia temeroso
Só que o seu problema era
Ser um grande preguiçoso.

Zé de Peba tinha raiva
Por Chico Tripa viver
Lendo livros na escola
E gostar de escrever.
Certo dia no recreio
Resolveu seu saco encher.

ZÉ DE PEBA
Olha só quem vem aí,
Expressou bem radiante,-
Esse vai é endoidar
Lendo livros nas estantes.
Papa-livro, olho de lupa,
Biblioteca ambulante.

CHICO TRIPA
Melhor ser biblioteca
Do que viver sem ser nada,
Que nem você que possui
A cabeça esvaziada,
Ou melhor, cheia de coisa:
Porcaria, bobeirada.

ZE DE PEBA
Cheleléu de professor,
Desses que são bem folgados,
Por isso é que você vive
Em tudo sendo aprovado.
Eu como não sou assim
Só tiro zero, coitado.

CHICO TRIPA
Eu passo porque estudo
Ninguém vivo a chaleirar,
Agora você devia
Vergonha na cara criar
E em suas horas vagas
Tirar tempo pra estudar.

ZÉ DE PEBA
Colega você não venha
Me dar lição de moral,
Eu não tiro nota boa
Não porque eu seja mal,
É que em vez de estudar
Eu toco meu berimbau.

CHICO TRIPA
Tocar berimbau meu caro
Não bota uma nota só
No diário, assim como
jogar bola ou dominó.
Estudar em tempo vago.
Esse é meu borogodó.

ZÉ DE PEBA
Você é um papa-livros,
Isso sim meu camarada.
Perde seu tempo estudando
Toda essa besteirada
Você quer que eu fique louco
Com tanta coisa estudada?

CHICO TRIPA
Meu amigo estudar
Já faz parte do viver.
Hoje ou você estuda
Ou quando você crescer,
Nunca vai ter um emprego
Ou talvez o que comer.

ZÉ DE PEBA
Não me venha com conversa,
Pois eu conheço pessoas
Que nunca pegaram em lápis
E hoje vivem numa boa
E até possuem casas
Nas praias de João Pessoa.

CHICO TRIPA
Mas hoje em dia é difícil
De esse fato acontecer.
Nos tempos de antigamente
Não se exigia o saber.
Hoje os meios de trabalho
Exigem mais de você.

ZÉ DE PEBA
Eu não penso em trabalhar
Pai e mãe quem me sustenta.
Por isso vivo a brincar
Minha mente não se atenta
Com negócio de estudo
Não sei como “tu aguenta.”

CHICO TRIPA
Às vezes tenho preguiça,
Mas ela não me domina,
Pois penso no meu futuro
E é isso que me anima.
Um dia serei doutor.
Essa será minha sina.

ZE DE PEBA
Penso em ser advogado,
Mas a preguiça é meu forte.
Eu nunca estudo uma prova,
Acho que não tenho sorte.
Faz seis anos que estudo
E nem sei onde é o norte.

CHICO TRIPA
Você precisa é pensar
No futuro de sua vida.
Um dia vai se casar
E vai ter que dar comida
À sua mulher e filhos
E aí qual a saída?

ZÉ DE PEBA
Você ta é me enrolando
Com conversa descabida,
Mas acho que tens razão
Tenho que pensar na vida.
Tirar tempo pra estudar
Aí está a saída.

CHICO TRIPA
Se quiseres captar
Um pouco desse aprendiz.
Vá amanhã lá em casa
A tarefa ainda não fiz.
Aí a gente faz junto,
O que você acha? Diz?

ZÉ DE PEBA
Espera, eu estou pensando:
Dou-te a resposta agora.
Amanhã bem à tardinha
Eu jogo conversa fora,
E aí depois eu venho
E a gente estuda uma hora.

CHICO TRIPA
Uma hora é bastante
Para quem quer aprender.
Faça como eu estude,
Mas estude pra valer
E aí as suas notas
Vão ser dez, você vai ver.

Estudantes sempre busquem
Seguir em tom esforçado.
Tarefa bem resolvida
Um prévio bom resultado.
Desejem ver a vitória.
Ajudem o menos dotado.
Nunca excluam um colega,
Tenha todos do seu lado
E só assim vocês todos
Serão o nosso legado.

Autor: Manoel Messias Belizario Neto

LEMBRANÇAS DE UM RIACHO SERTANEJO


No riacho habitado
Por pedra, vento e poeira
O menino passeava
Pras bandas da capoeira
Levando três reses magras,
no mugido das porteiras.

O riacho que seguia,
Ele olhava atentamente.
Fôra rei das alegrias
Em um tempo diferente
Antes espelho das àgua.
Agora estilhaços quentes.


Antes morada de peixes,
Agora ali residia
Castiçais de lagartixas
Serpentes e fantasias,
Folhagens secas nadando,
Às areias confundiam.


Pois já era tão tristonho
Quando a água neledescia.
Parecia que enganava
Porque logo se sumia.
Às vezes não demorava
Nem três horas,nem três dias.


Havia uns rios lá fora
Que secos nunca ficavam
Mas àquele riachinho
Que à paisagem enfeitava
Só às vezes ficava cheio.
Vez em quando transbordava.


Mas fazia tanta festa
Quando a água nele descia
Cantarolava nas pedras,
Uma música que seguia,
Sapos rãs e pererecas
Perto do raiar do dia.


A água expulsava os males
Que habitavam o seu ser,
Lavavam as suas mágoas
Suas pedras, seu poder
Suas veredas fechadas
Voltavam a aparecer.


Após a primeira cheia
Era branco, transparente
Os peixes apareciam
Sem demora, de repente
Trazendo vida ao curral,
Germinação de sementes.


Tornava-se habitado
Por pescadores felizes
Porque teriam além
Dos preás e codornizes
Mais um novo maná verde
Pra colorir os matizes.


Crianças da vizinhança
Vinham ali se divertir,
Transformavam suas poças
Em jardins de colibri
Pétalas desabrochavam
Com a essência do sorrir.


Pareciam sentinelas
De uma esplêndida mansão.
Vigiavam suas pedras,
Barreiras, espelhos,vãos
Curiosos descobrindo
Reinos da imaginação.


Tudo isso eram lembranças
Provindas de tempo atrás.
Sem chuva ele era um deserto
Navio sem porto ou cais,
Vereda desabitada
Que gado não anda mais.

Autor Manoel Messias Belizario Neto
(Modificações para aperfeiçoar a métrica em 21.04.10, 10:23)
Fonte Imagem: http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/images/1619_seca/3164245_060315somaliariver.jpg

FLOR MULHER


O senhor da criação,
No auge de seu amor,
Visita o jardim terrestre
E cria a mais linda flor
da qual a beleza é sempre
Celebrada com louvor.


Refiro-me à flor mulher
Que em toda situação
(quer venha nascer na relva
Ou nas brenhas do sertão)
O amor é a lei maioral
Que rege seu coração.


Como mãe exala intenso
Amor incondicional
Sendo ou não correspondida
Pelo lado filial.
Dá a vida por sua prole
Num momento crucial.


Enquanto esposa se entrega
De corpo e alma ao marido.
Renuncia muita coisa
Em função do seu querido.
Colorindo a vida dele
Dando a esta mais sentido.


Conduz a sua família
Com mão de sabedoria.
Organização é  a arte
Que sempre lhe auxilia.
O seu estandarte e bandeira
é uma constante alegria.


Pergunto-te flor mulher:
Onde achas tanta ternura?
Como tu consegues ser
A mais bela criatura?
O que seria do homem
Se faltasse esta figura?


Como manter uma estrela
No céu escuro escondida?
A flor mulher se destaca
Em todo o jardim da vida.
É a bondade divina
Na humanidade esculpida.


Houvera tantas batalhas
À conquista do jardim
Lutando por igualdade
Em relação ao capim.
A flor mulher não desiste
Vai resistir até o fim.


Segue em frente conquistando
Espaço na sociedade.
“Uma flor olhe que escândalo”!
“Respeite por caridade”!
Esta flor há muito tempo
Batalha por igualdade.


Diz-me amigo por que é que
Alguns homens sem valor
Vem agir com desrespeito
Com a nossa linda flor?
Porque um jardim sem as rosas
É um deserto dor.


Como pode haver no mundo
Alguém com tanta frieza
Para maltratar o ser
Mais lindo da natureza.
Querer através do mal
Ofuscar sua beleza?


Honre homem esta mãe,
Esta esposa, esta tua amiga.
Seus conselhos são a voz
Divina por isso os siga.
Ela sempre quer livrá-lo
De toda e qualquer intriga.


Homem respeite esta mãe
Esta esposa, esta mulher.
Ame-a com todas as forças,
Pois tu sabes bem que ela é
Aquele ser que fará
Por ti tudo o que puder.

Autor Manoel Messias Belizario Neto

(modificações para aperfeiçoar a métrica em 21.04.10, 00:45)

Fonte Imagem:
 http://api.ning.com/files/-Wi4mHFqYk17hICj6hnPV4fHSaFEzzLVnahrsbx7tUUwMo2aRtiN-WsYV9iWBJL-lbg-Lo59TdlgcIN4oq25jVM31*I5NilM/MulherFlor.jpg