CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

sábado, 30 de abril de 2011

SEIS MESTRES DO IMPROVISO

Fonte: Jornal da Besta Fubana

Manoel Xudu

A arte do passarinho
Nos causa admiração:
Prepara o ninho de feno,
No meio bota algodão
Para os filhotes implumes
Não levarem um arranhão.

* * *

João Siqueira

Mulher ao nascer é um anjo;
Sendo moça, um sol nascente,
Sendo noiva, uma esperança,
Sendo esposa, uma semente,
Sendo mãe, é uma fruteira,
Sendo sogra, é uma serpente!

* * *

Pinto do Monteiro

Há vários dias que ando,
Com o satanás na corcunda:
Pois, hoje, almocei na casa
Duma negra tão imunda,
Que a prensa de espremer queijo
Era as bochechas da bunda.

* * *

José Amâncio

Felício já namorou
No seu tempo de rapaz.
Já amou, já foi amado,
Hoje é que não ama mais.
Tá qual ferro de engomar,
Solta fumaça é por trás!

* * *

Dimas Batista

Ali na cabana de alguns pescadores
Fitando a beleza do mar, do arrebol,
Bonitas morenas queimadas de sol,
Alegres ouviram cantar meus amores.
O vento soprava com leves rumores,
O pinho a gemer, depois a chorar.
Aquelas morenas à luz do luar
Me davam impressão que fossem sereias,
Alegres, risonhas, sentadas nas areias,
Ouvindo meus versos na beira do mar.

* * *

Chico Nunes

Sou natural de Alagoas,
Nasci pra ser cantador,
Francisco Nunes Brasil,
Poeta improvisador.

*

A vileza do destino
Espedaçou o meu futuro,
O meu viver é obscuro
Desde o tempo de menino..
Hoje sou um peregrino,
Não sei o que é riqueza,
Bruxuleia a luz acesa,
Perdi a perseverança…
E o retrato da minha infância
Está na minha pobreza.

.

Me meti por tanto atalho
Que não sei mais onde é a entrada
Minha vida tá cortada,
Perdi amparo e agasalho,
Fui como rosa no galho,
Hoje só pétala caída,
Sem perfume, esmaecida,
Levada na tempestade,
Sentindo a dô da saudade
Na sombra negra da vida.

.

Na terra dos marechais,
Sem ter quem me queira bem,
Oh, morte, por que não vens…
Tirar os meus dias finais?
Vivo gemendo meus ais,
Só sei o que é aspereza.
Não apresento nobreza,
Sou igual a uma balança…
E o retrato da minha infância
Está na minha pobreza.

* * *

Imagem: museudapessoa.net

A HISTÓRIA DA ONÇA TAPUIA E O HOMEM DESTEMIDO

Fonte: Jornal da Besta Fubana

Autor: Minelvino Francisco Silva

O homem deve ser homem
Que demonstre seu valor
Cumprindo assim uma lei
De nosso pai Criador
Que dele fez rei das feras
De todas superior

Eu agora vou contar
Um caso que foi passado
A tempos que longe vão
Quando tudo era atrasado
Quando o solo brasileiro
Não era tão habitado

Tinha grandes travessias
Sem haver um morador
Só se encontrava cobra
E tigre devorador
Havia muito selvagem
Bicho feroz comedor

Nas zona do Maranhão
Antigamente existia
Um riquíssimo fazendeiro
Que outro igual não havia
Tinha uma grande fazenda
Numa grande travessia

Nessa grande travessia
O povo ali não passava
Porque havia uma onça
Que a todos devorava
Quem fosse nesse lugar
Com vida mais não voltava

Ninguém podia matar
Pois a onça era encantada
Era uma cabocla velha
Que em onça foi transformada
Era terror dos terrores
Essa fera endiabrada

Um vaqueiro da fazenda
Foi pra o bosque campear
Essa tal onça tapuia
O pobre pôde agarrar
Engoliu de uma só vez
Que não deu para gostar

Quando foi no outro dia
Sem o vaqueiro chegar
O pobre do fazendeiro
Começou a se vexar
Então chamou seus dois filhos
Para irem procurar

E saíram bem armados
O vaqueiro procurado
Subiram por uma serra
Quando foram descambando
Numa pedreira esquisita
Foram uma velha avistando

A pessoa que matar
Este monstro endiabrado
Trazendo a mão dele aqui
Vai ser bem gratificado
Vinte contos em dinheiro
E uma fazenda de gado

Estes homens pra viagem
Andavam bem preparados
Cada com um bacamarte
Os facões bem afiados
Disseram para a viúva
Nós somos dois denodados

Porque nós nunca achemos
Nada pra nos meter medo
Estamos acostumados
Matar onça no rochedo
Nós vamos ver essa onça
O terror deste degredo

A viúva disse: moços
Não queiram arriscar
Quem passa uma hora desta
Não tem para escapar
As mulheres dos senhores
Como eu vão terminar


Eles disseram: senhora
Pra o homem tudo é perigo
Despediu-se da viúva
Com seu compadre e amigo
Entraram na travessia
Para enfrentar o inimigo

Viajaram esses dois homens
Nessa grande travessia
A viúva da fazenda
Por esta forma dizia
A onça vai devorá-los
Valei-me Virgem Maria

Viajaram a tarde toda
Cinco horas realmente
Zé Pedro disse ao outro
Por ser mais experiente:
Vamos ficar aqui mesmo
Não sigamos mais a frente

Zé Raimundo concordou
Muita lenha ali ajuntaram
Fizeram um grande fogo
Assaram carne e jantaram
Com pouco ouviram um rugido
Que ambos se assustaram

Pois era a onça tapuia
Que vinha pra os atacar
Os dois homens destemidos
Ouvindo a onça esturrar
Botava lenha no fogo
Pra mais a mais clarear

Aí foi caindo a noite
A onça mais se danava
Jogava terra no fogo
Horrivelmente esturrava
Esta doida bicha danada
Cada um assim gritava

Às dez horas mais ou menos
Naquela mata sombria
Zé Pedro disse: compadre
Tenho coragem e energia
Mandou o outro dormir
Ele sozinho garantia

Dizendo pode dormir
Com o coração descansado
De meia-noite em diante
Eu vou dormir um bocado
E o senhor me acorda
Porém precisa muito cuidado

Assim mesmo eles fizeram
José Raimundo deitou
Foi logo se adormecendo
Seu companheiro ficou
Ralhando com aquela fera
Lenha no fogo botou

De dez horas em diante
A onça mais se danava
Jogava terra no fogo
Para ver se apagava
O moço acendia o fogo
De vez em quando gritava:

Está doida bicha danada
O homem gritava, então
Na boca do bacamarte
No gume do meu facão
Não temo onça valente
Nem pantera nem leão

Assim naquela peleja
Duas horas tinha dado
Ele chamou seu compadre
Balançando com cuidado
Para ir acender o fogo
Que ele estava cansado

O outro se acordou
Nessa mesma ocasião
Ele disse: meu compadre
Já dormiu uma porção
Eu vou descansar um pouco
Tenha toda precaução

Está certo meu compadre
Disse ele nessa hora
Levantou acendeu o fogo
E gritou sem ter demora;
Está bêba bicha malvada
Sou eu que cheguei agora

Mas o sono traiçoeiro
Cada vez lhe atacava
Ele ia cochilando
O fogo se abaixava
Pois ele com muito sono
Muito baixinho gritava

Pois aquele pobre homem
Que estava cochilando
O fogo se abaixou
A onça foi encostando
Deu um pulo em cima dele
E logo foi agarrado

José Pedro acordou-se
Com o enorme estampido
Não encontrou seu compadre
Só escutou um rugido
Ele não esmoreceu
Porque era destemido

Zé Pedro dizia consigo:
Como homem de valor
Se não vingar meu compadre
Passo até por traidor
Eu vou matar essa onça
Seja lá aonde for


Quando o dia amanheceu
Ele seguiu no roteiro
Sangue ali, sangue acolá
Subindo serra e outeiro
Na pista daquele monstro
Que matou seu companheiro

Seguiu ele no roteiro
Às 11 horas do dia
Ele avistou uma pedreira
Numa serra que havia
Parecendo uma cidade
Onde a onça residia

O moço se aproximando
Daquela enorme pedreira
Porque ia no encalce
Dessa fera traiçoeira
Eu hoje te arranco a língua
Dizia desta maneira

Ele foi chegando perto
Foi avistando um sobrado
Por obra da natureza
Na mesma pedra formado
Um sobrado encantador
Todo bem organizado

No alpendre do sobrado
Tinha uma velha descansando
Era a tal onça tapuia
O moço foi avistando
Olhou tudo direitinho
Logo foi se preparando

Ele armou o bacamarte
Levou na onça encantada
Quando puxou no gatilho
Deu uma pancada danada
Mas o tiro não saiu
A onça foi despertada

A velha naquela hora
Assim que se despertou
Quando foi vendo o rapaz
Em onça se transformou
Partiu para José Pedro
Ele por ela esperou

Veloz como o pensamento
Ele puxou o facão
Pra lutar com essa ferra
Que parecia um dragão
A fera botou-se a ele
Nessa mesma ocasião

Ele meteu-lhe o facão
Debalde os golpes que dava
Dava golpes desmedidos
Mas o facão não cortava
Nos cabelos dessa fera
O facão se embaraçava

Era uma fera horrorosa
Não se pode comparar
Era toda cabeluda
Jamais podia matar
Quem fosse lutar com ela
Só ia a vida entregar

No grande corpo do monstro
Tinha um lugar arriscoso
Bem na roda do umbigo
Do monstro misterioso
Com qualquer um ferimento
Matava o monstro horroroso

Naquela luta terrível
Mais de uma hora fazia
O homem no pensamento
De vez em quando dizia:
Valei-me meu bom Jesus
Filho da Virgem Maria

No meio da grande luta
A onça se arrepiou
O umbigo dessa fera
Logo o homem observou
Deu um golpe tão certeiro
Que a fera no chão tombou

Conheceu bicha malvada
Disse o moço jubiloso
Que o homem tem a força
Dada pelo Poderoso
Pra ser rei de todas as feras
Por isso eu digo orgulhoso


Dinheiro naquela gruta
Tinha abundantemente
Dos que ela devorava
De toda classe de gente
Ele logo encheu um saco
De dinheiro urgentemente

Tirou uma mão da onça
Isso sem haver demora
Pra fazenda da viúva
Viajou naquela hora
Disse: eu vou dar de presente
Àquela digna senhora

Ele chegou na fazenda
Quando a viúva o avistou
Disse: com toda certeza
O outro a onça matou
O moço chegou pra perto
E toda história contou

Ele entregou a viúva
A mão de onça encantada
Dizendo: Ela comeu
Meu compadre e camarada
Mas ela não come outro
Porque matei a malvada

A viúva de contente
Soltou foguete no ar
Apanhou 50 contos
Ao moço veio entregar
Ele disse: não senhora
Eu tenho com que passar

Com um saco de dinheiro
Dum tamanho demasiado
Ele ia conduzindo
Que na gruta foi achado
Despediu-se da viúva
Mostrando ser educado

Foi uma grande alegria
Quando ele em casa chegou
A mulher de Zé Raimundo
Por ele lhe perguntou
Zé Pedro lhe respondeu:
Uma fera o devorou

Com esta notícia ela
Chorava para se acabar
Zé Pedro disse: comadre
Nós temos com que passar
E foi buscar o dinheiro
Para a comadre entregar

Com muitas notas de contos
José Pedro ali chegou
Entregou sua comadre
E toda história contou
Passando um pano nos olhos
O choro se acabou

Quando foi vendo o dinheiro
A mulher do Zé Raimundo
Que estava se lastimando
Num sofrimento profundo
Foi recebendo o dinheiro
Alegrou-se num segundo

É ditado dos antigos
Que acho muito engraçado
Que dinheiro faz sorrir
O defunto amortalhado
Mesmo dentro do caixão
Se mexe pra todo lado

Zé Pedro com a família
Foi então negociar
Toda essa sua riqueza
Foi cada vez aumentar
E sempre multiplicando
Pra nunca mais se acabar


A mulher de Zé Raimundo
Que ficou em viuvez
Por ter bastante dinheiro
Casou-se com um burguês
Projetaram o casamento
Casaram no fim do mês

Este livro tem dois V
Um V vai, outro V vem
O certo é quem o comprar
Não emprestar a ninguém
Diga que seu Minelvino
Lá da feira ainda tem.

Imagem: imotion.com.br

quinta-feira, 28 de abril de 2011

TERCEIRA RODA DO CORDEL ACONTECE EM SÃO PAULO

Fonte:varnecicordel.blogspot.com

Por Varneci Nascimento

          Amigos, o terceiro encontro da Roda de Cordel - Círculo de Estudos Sobre o Cordel Brasileiro - acontecerá na próxima sexta-feira, dia 29, a partir das 19h, na sede da Apeoesp, na Praça da República, 282, no Centro da cidade de São Paulo. Abordaremos o primeiro tópico de nossa ementa: História do Cordel. Tema: Francisco das Chagas Batista e a Popular Editora. Segue material nos anexos.

Vejam ementa e roteiro no site: http://aderaldo.blogsome.com

Projeto Literatura Popular em versos da Casa de Rui Barbosa

Fonte: bibletrasufrj.wordpress.com

           O projeto Literatura Popular em versos da Casa de Rui Barbosa conta com um acervo-  o maior da América Latina – com 9.000 folhetos de cordel  formado a partir da década de 1960 disponível para consulta online por meio de suas referências catalográficas, que podem ser consultadas por índices, como o deautor, título, assunto, local de publicação, editora/tipografia, data, gênero literatura de cordel, na basede dados da Biblioteca.

          Desse conjunto, cerca de 2.340 folhetos dos autoresrelacionados em poetas e cantadores estão disponíveis em versão digital,com suas versões originais e variantes.

              Segundo o projeto o cordel é valorizado como expressão poética de alta significação por escritores do porte de Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Mario de Andrade, João Cabral de Melo Neto, motivando (e continua a motivar) estudos e pesquisas nas áreas de Antropologia, Folclore, Lingüística, Literatura, História, entre outras.

Acesse: http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/acervo.html

Inscrições abertas para a Oficina de Literatura de Cordel 26/04/2011 – Bertioga SP.

Fonte: Site Riviera de São Lourenço: rivieradesaolourenco.com

          A Casa da Cultura de Bertioga, junto com a Oficina Pagu, oferecem uma oficina de Literatura de Cordel - "O Varal que contava histórias" , que acontece de 06 de maio a 01 de julho, sempre as sextas feiras.

           Podem participar jovens e adultos interessados em cultura popular, acima de 15 anos.

           A oficina  tem como objetivo principal a criação de cordéis, abrangendo a produção de textos e gravuras.
a professora Norma de Oliveira é formada em Artes Visuais pela UNISANTA. Possui experiência na Secretaria da Cultura e lecionou em escolas de Santos. Trabalha atualmente no Ateliê Arte Brasil, ministrando cursos de Literatura de Cordel.

          Coordenação: Norma de Oliveira
          Oficinas: 06/05 a 01/07 . Todas às sextas-feiras das 14h00 às 17h00.
         Público: jovens e adultos interessados em cultura popular, acima de 15 anos.

Inscrições: Até dia 05/05. Oficina gratuita.
Seleção: primeiros inscritos, total de 20 vagas.
Local: Casa de Cultura - Av. Tomé de Souza, 130, Centro - Bertioga/SP

Imagem: sopadepoesia.blogspot.com

CORDEL: “A CASA QUE A FOME MORA”

Fonte: mundocordel.blogspot.com

Autor: Antonio Francisco

 


Vi o orgulho ferido
Nos braços da ilusão,
Vi pedaços de perdão
Pelos iníquos quebrados,
Vi sonhos despedaçados
Partidos antes da hora,
Vi o amor indo embora
Vi o tridente da dor,
Mas nem de longe vi a cor
Da casa que a fome mora:

Vi num barraco de lona
Um fio de esperança,
Nos olhos de uma criança,
De um pai abandonado,
Primo carnal do pecado,
Irmãos dos raios da lua,
Com as costas semi-nuas
Tatuadas de caliça
Pedindo um pão da justiça
Do outro lado da rua.


Vi a gula pendurada
No peito da precisão,
Vi a preguiça no chão
Sem ter força de vontade,
Vi o caldo da verdade
Fervendo numa panela,
O jejum numa janela
Dizendo: aquí ninguém come!
Ouvi os gritos da fome,
Mas, não vi o rosto dela.

Passei a noite acordado
Sem saber o que fazer,
Louco, louco pra saber
Onde a fome residia
E por que naquele dia
Ela não foi na favela
E qual o segredo dela,
Quando queria pisava
Amolecia e matava
E ninguém matava ela?

No outro dia eu saí
De novo á procura dela,
Mas não naquela favela,
Fui procurar num sobrado
Que tinha do outro lado
Onde morava um sultão.
Quando eu pulei o portão
Eu vi a fome deitada
Em uma rede estirada
No alpendre da mansão.

Eu pensava que a fome
Fosse magricela e feia,
Mas era uma sereia
De corpo espetacular
E quem iria culpar
Aquela linda princesa
De tirar o pão da mesa
Dos subúrbios da cidade
ou pisar sem piedade
Numa criança indefesa?

Engoli três vezes nada
E perguntei o seu nome.
Respondeu-me: sou a fome
Que assola a humanidade,
Ataco vila e cidade
Deixo o campo moribundo,
Eu não descanso um segundo
Atrofiando e matando
Me escondendo e zombando
Dos governantes do mundo.

Me alimento das obras
Que são superfaturadas,
Das verbas que são guiadas
Pros bolsos dos marajás
E me escondo por tráz
Da fumaça do canhão,
Dos supérfluos da mansão,
Da soma dos desperdícios,
Da queima dos artifícios
Que cega a população.

Tenho pavor da justiça
E medo da igualdade,
Me banho na vaidade
Da modelo desnutrida,
Da renda mal dividida
Na mão do cheque sem fundo,
Sou pesadelo profundo
Do sonho do bóia fria
E almoço todo dia
Nos cinco estrelas do mundo.

Se vocês continuarem
Me caçando nas favelas,
Nos lamaçais das vielas
Nunca vão me encontrar,
Eu vou continuar
Usando meu terno xadrez,
Metendo a bola da vez,
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Da burrice de vocês.

Coleção Queima-bucha de Cordel, Mossoró-RN, Outubro de 2006

Imagem: dilmanarede.com.br

quarta-feira, 27 de abril de 2011

UM RIO DE ÀGUA

Fonte: cantinhodadalinha.blogspot.com

AUTORA: DALINHA CATUNDA

UM RIO DE ÀGUA
*
O Céu todo escureceu
A chuva grossa caiu
O transito paralisado
Meu olhar atento viu
Nosso Rio de Janeiro
Em água se consumiu.
*
A correnteza nas ruas
Atraiam a atenção.
O relâmpago riscava
E pipocava o trovão
Desligando num estalo,
Computador, televisão.
*
E num engarrafamento,
Parte da população,
Ficou mesmo à deriva
Que sinistra situação,
Boiando dentro de carros
Sem chance de reação.
*
Duas horas da manhã
Em cima do elevado,
A chuva ainda caia
E o transito parado
Sofria o trabalhador
Encurralado e cansado.
*
Nosso Rio de Janeiro,
Padece com temporais.
E na hora do aperto
É o povão quem sofre mais
Mas não vejo solução,
Só manchetes em jornais.
*
As olimpíadas vêm aí
E eu só queria saber
Se cair um temporal
O que vai acontecer!
Pois sei que o maracanã,
Garanto que vai encher.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda
Visite também: www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.rosarioecordel.blogspot.com

SESC Ler de Gurupi comemora ampliação do acervo da biblioteca com Sarau Literário: “ Cordel e o Cantador” (TO)

Fonte: agora-to.com.br

Autor de sete livros publicados e com participação em dezenas de antologias literárias pelo País afora, Zacarias Martins também falará um pouco de sua trajetória literária e algumas peculiaridades da Literatura de Cordel

                         Zacarias Martins

                Um recital de poesias com o poeta e ativista cultural Zacarias Martins (Foto) marcará a programação do Sarau Literário promovido pelo Sesc ler de Gurupi, no  próximo dia 28 (quinta-feira), às 19 horas. Autor de sete livros publicados e com participação em dezenas de antologias literárias pelo País afora, Zacarias Martins também falará um pouco de sua trajetória literária e algumas peculiaridades da Literatura de Cordel.
             O evento também servirá para comemorar a ampliação do acervo da biblioteca do Sesc ler de Gurupi, que hoje conta com o acervo de aproximadamente 3.000 títulos totalmente informatizados entre livros em gerais, com destaque para livros literário infantil e adulto, jornais e revistas, DVD e CD, 
              Após estudos aprofundados sobre o que é a literatura de cordel, o SESC Ler de Gurupi preparou a 2ª edição do projeto Sarau Literário. Este ano o tema será “Cordel e o Cantador”.
              O objetivo do trabalho com a literatura de cordel e proporcionar o conhecimento, criação e expressão artística, por meio da Literatura de Cordel da região, ou da cultura regional do aluno, a fim de conseguir um melhor desempenho na produção e compreensão dos textos que circulam na escola. Isso permitirá o conhecimento e a valorização de variedades lingüísticas menos prestigiadas socialmente e, conseqüentemente, o respeito e a valorização de outras formas culturais que não aquelas socialmente reconhecidas e valorizadas
                O Sarau é aberto a toda a comunidade e vai contar com apresentação de releitura de cordel, contenda, piadas, músicas nordestinas, repentes, dança, adivinha, trava língua, teatro e a inauguração da Biblioteca. O evento será realizado pelos alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos), PHE (Projeto Habilidades de Estudos) e a comunidade em geral.

POEMAS DE JOÃO BATISTA DE SIQUEIRA (CANCÃO) (2)

Fonte: www.luizberto.com

João Batista de Siqueira, poeta popular mais conhecido por Canção, nasceu em São José do Egito, a 12/05/1912. Em 1950, deixou de participar de cantorias de viola e dedicou-se apenas à poesia escrita. Sua obra já foi classificada pelos críticos como uma versão popular à poesia de poetas românticos como Castro Alves, Fagundes Varela ou Casimiro de Abreu.

Freqüentou a escola por pouco tempo (”não cheguei ao segundo livro”) e foi, também, oficial de Justiça em sua cidade, onde morreu a 05/07/1982. Livros publicados: “Meu Lugarejo”, ”Musa Sertaneja” e “Flores do Pajeú”. Folhetos de Cordel de sua autoria: “Fenômeno da Noite”, “Mundo das Trevas”, “Só Deus é Quem Tem Poder”.

* * *

MOMENTOS MATUTINOS

Nas noites caliginosas
As estrelas luminosas
Pelas grimpas montanhosas
Derramam luz soberana
As florzinhas da paisagem
Dormem por entre a ramagem
Talvez sonhando a imagem
Dos sorrisos de Diana

Os pirilampos pequenos
Vindos de outros terrenos
Pousam, sutis e serenos
Pelos estrumes da terra
Os perfumados vapores
Passam roçando os verdores
Levando os leves rumores
Das águas brandas da serra

A Lua, alta e feliz
Linda mãe dos bugaris
Derrama raios sutis
Por toda extensão da selva
Dos lírios desabrochados
Brancos e imaculados,
Os seus perfumes sagrados
A brisa bafeja e leva

Dentro da floresta densa
A vegetação imensa
Parece ficar suspensa
Nesse ditoso momento
As carnaúbas rendadas
Criadas lá nas chapadas
Abrem as frondes copadas
Para a passagem do vento

A brisa sopra dolente
Por entre a flora virente
O céu de cor transparente
Azul, sem uma só mancha
Branca neve matutina
Envolve a vasta campina
Toalha de gaze fina
Que o dia rasga e desmancha

As corujas traiçoeiras
Com suas asas maneiras
Passam nos ares, ligeiras
Para o grotilhão enorme
Foge o tenebroso véu
Na aroeira, o xexéu
Olhando as cores do céu
Desperta a mata que dorme

Para as bandas do levante
Lindo clarão rutilante
Vem-se alargando, brilhante
Cheio de glória e encanto
A neve se desenrola
E o beija-flor, por esmola
Em cada fresca corola
Deposita um beijo santo

Dos floridos vegetais
Os orvalhos matinais
Como gotas de cristais
Se desprendem tremulantes
Um traço de fina luz
Aquece os verdes bambus
Dos altos cumes azuis
Das cordilheiras distantes

A borboleta amarela
Passa juntinho à janela
Vai pousar, serena e bela
Num lindo caramanchão
O sabiá, lá da mata
No ingazeiro desata
A nota suave e grata
De sonorosa canção

Cantam na serra os pastores
Os tempos de seus amores
Sentindo os brandos calores
Dos raios do sol nascente
E a Natureza selvagem
Estende a sua ramagem
Como rendendo homenagem
A um Deus onipotente.
* * *

SONHO DE SABIÁ

Um sabiá diligente
Voou pela vastidão
Mas por inexperiente
Caiu em um alçapão.
Depois de aprisionado
Ficou mais martirizado
Pensando no seu filhinho
Implume sem alimento
Exposto a chuva e ao vento
Sem poder sair do ninho.

Deram-lhe por seu abrigo
Uma pequena gaiola
Num casebre de um mendigo
Que só comia de esmola.
Só vivia cochilando
Com certeza imaginando
Sua liberdade santa.
Ia cantar não podia
Que a sua voz se perdia
Logo ao sair da garganta.

Tornou-se a pena cinzenta
No rigor do seu castigo
Na saleta fumarenta
Da casa do tal mendigo.
Triste sempre arrepiado
Neste viver desolado
Ia um mês , vinha outro mês,
Assim completou um ano
Sentindo seu desengano
Nunca cantou uma vez.

Depois uma tarde inteira
O pobre do passarinho
Sonhou que ia à palmeira
Onde tinha feito o ninho.
Olhava em frente às campinas
Via por traz das colinas
A natureza sorrindo.
Ao sentir a liberdade
Pensou ser realidade
Sem saber cantou dormindo.

Depois sonhou que voltava
A terra dos braunais
Por onde sempre cantava
Junto aos outros sabiás.
Voava nas ribanceiras
Pousava nas laranjeiras
Olhando o clarão do dia.
Voava através do monte
Voltava a beber na fonte
Que todas manhãs bebia.

No sonho via as favelas
Criadas nos carrascais
Voou baixo, pousou nelas,
Cantou os seus madrigais
Voltou, colheu os orvalhos,
Que gotejavam dos galhos
Dos frondosos jiquiris.
Alegre abria a plumagem
Pra receber a bafagem
Das manhãs do seu país.

Foi a terra dos palmares
Atravessou toda flora
Voou por todos lugares
Que tinha voado outrora.
Passou pelos mangueirais
Entre outros sabiás
Cantou sonora canção.
O seu som melodioso
Estava mais pesaroso
Devido a sua emoção.

Viu a vinda do inverno
Nos quadrantes da paisagem
Ouviu o sussurro terno
Do bulício da folhagem.
Cantou todo arrebol
O brilho morno do sol
Morrendo nos altos cumes.
Sentia quando cantava
Que seu coração chorava
Com mais tristeza e queixumes.

Sonhou catando sementes
Num campo vasto e risonho
Se sentia tão contente
Que sonhou que fosse um sonho.
Olhava pra vastidão
Tocava em seu coração
Um regozijo profundo
Todas delícias sentia
Às vezes lhe parecia
Vivendo fora do mundo.

Voou por entre os verdores
Atravessou as searas
Cantou pelos resplendores
Das manhãs frescas e claras.
Passou pelo campo vago
Bebeu das águas do lago
Posou sobre os arvoredos.
Entrou pelo bosque escuro
Aí sonhou um futuro
Tão triste que teve medo.

Depois sonhou que estava
Trancado em uma gaiola
Ouvindo alguém que cantava
Na porta pedindo esmola.
Ao despertar de momento
Reparou seu aposento
Ouviu falar o mendigo.
Fechou os olhos pensando
Sentiu seu íntimo chorando
No rigor do seu castigo.

Ainda em vão procurava
Sair daquela prisão
Seu olhar denunciava
Piedade e compaixão.
Ao pensar na liberdade
A mais pungente saudade
Devorava o peito seu
Assim o cantor da mata
Ferido da sorte ingrata
No outro dia morreu.

* * *

DEPOIS DA CHUVA

Era uma tarde de abril,
A luz do sol se escoava
Um traço da cor de anil
O céu deserto mostrava
Num lago triste e sereno
Nadava um cisne pequeno
Eriçando as alvas plumas
As derradeiras neblinas
Faziam lindas ondinas
Por entre as brancas espumas

Um sabiá pesaroso
Nos galhos em que nasceu
Cantava, triste e choroso
As mágoas do peito seu
O sol além se deitava
A sua luz se esvaziava
Pela ramagem da horta
A brisa, em leves ruídos
Levava os ternos gemidos
Da tarde já quase morta

A água branda descia
Pelo pequeno gramado
A relva, fresca e macia,
Era um tapete rendado
Se ouvia, lá da colina,
No coração da campina,
Soluçar uma cascata
E o sol, com seus lampejos,
Dava os derradeiros beijos
No rosto verde da mata

O sol, com luz amarela
Dourava os morros azuis
Tornando o céu uma bela
Pulverização de luz
A aura fresca e macia
Por entre a mata fazia
Os mais suaves rumores
As borboletas douradas
Se misturavam vexadas
Bebendo o rocio das flores

As auras rumorejavam
Com lentidão e leveza
Os regatos retratavam
Um lindo céu de turquesa
Os orvalhos cristalinos
Se desprendiam divinos
Da copa dos arvoredos
Nas carnaúbas rendadas
Como com mãos espalmadas
O sol brincava em seus dedos

Voavam pelos verdores
Lindos colibris dourados
Sugando o néctar das flores
Dos jiquiris borrifados
No pomar, um rouxinol
Contemplava o arrebol
Numa profunda tristeza
Um traço débil de luz
Rasgava os panos azuis
Do corpo da Natureza

Depois, os ventos mansinhos
Sopravam no campo vago
Fazendo alguns burburinhos
Na face lisa do lago
As abelhas, preguiçosas,
Se escondiam nas rosas
Que a Natureza burila
E o cisne de brancas penas
Cortava as águas serenas
Da superfície tranqüila.

CORDEL DESENCANTADO

Antonio Barreto – (Santa Bárbara/BA), residente em Salvador

Fonte: barretocordel.wordpress.com

Todos nós aqui sabemos
Que a cultura anda pra trás…
O governo é incapaz
De ofertar o que merecemos
E assim nós padecemos
Nessa onda da exclusão.
Na literatura, então,
Só tem vez o elitizado.
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

II

Patativa, lá no céu,
Certamente está chorando
E prossegue reclamando
Sem poder tirar o chapéu
Ao ver tanto malandréu
Mergulhado na ambição
Botar dinheiro na mão
Mesmo sendo afortunado.
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

III

Tem vez o parlamentar
O juiz, o advogado…
O produtor aloprado
Com seu dom de enganar
E quem merece ganhar
Fica de cuia na mão
Trabalhando sempre em vão
E não é remunerado.
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

IV

O mundo precisa, sim,
De amor e poesia
De saúde, de harmonia
De justiça, de festim
De um anjo querubim
Que tenha bom coração
Mas é sempre o bom ladrão
De todos o mais lembrado.
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

V

Na ponga do carnaval
Tem cachê pra pagodeiro.
Da imprensa ao marqueteiro,
Ganhar dinheiro é normal;
Do axé ao escambal,
Haja grana de montão…
E em Salvador, então,
Tem setor que é explorado…
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

VI

Tem barba patrocinada
Conforme fez a Gillete !
É dinheiro feito a peste
Uma eterna marmelada.
2 milhões, meu camarada,
Me causa decepção.
Mas, no mundo da ilusão,
Estarei sempre acordado:
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

VII

Tem até Um Ponto Trê$
Para criação de Blog…
Já estou ficando “groque”
Com tudo que Ela fez
Aliás a insensatez
Tá no sangue, cidadão!
Mas as “deusas” têm razão,
O Barreto está errado!
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

VIII

De norte a sul do Brasil,
Quem menos precisa ganha;
Prevalece a artimanha
Da cultura varonil
De passar pelo funil,
Por meio de proteção,
Aquele que é grandão
E o resto fica lascado!
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

IX

A grana toda investida
Em projetos musicais
É pomposa de reais
Sem nunca ser dividida
E como não há saída
Nós vamos ao paredão
A cumprir nossa missão
De vate descriminado:
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

X

Toda a elite cultural
Ganha tudo que deseja
E recebe de bandeja
Apoio incondicional
Nesse Brasil desigual
De “Maria” e “Pai João”
Que prima pela exclusão
Deixando o cordel de lado…
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

XI

Precisamos atentar
Aos ruídos da TV…
Tem coisas que a gente vê
Mas não pode revelar,
Então vamos acordar
Para a flecha da exclusão.
Encantado ou falação,
O Cordel será louvado…
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

XII

Nesse espírito mercantil
Tem gente de A à Z!!!
Vocês têm fome de quê,
Estrelas, do meu Brasil?
Joguem tudo no canil
Dêem adeus à ambição
Vamos dividir o pão
Nesse jogo mal jogado.
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

XIII

Muito mais que indiferença
Aos poetas populares,
Que perdem nos seus falares
Nesse mundo de descrença.
Peço então à nossa imprensa
Que nos dê mais atenção.
E que o brado do sertão
Seja assim sacramentado…
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

XIV

A grana que é da gente
Está indo para o ralo
E muitos vão neste embalo
Sem perceber que a Serpente
Lucra muito facilmente,
Na cultura e educação,
Levando todo tostão
Desse país aloprado.
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

XV

Eu não sei se é descaso
Com a cultura popular.
Quero então acreditar
Que Dilma resolva o caso.
Se à vista ou a prazo,
Ela arranja a solução
E põe fim nessa questão
Do cordelista isolado.
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

XVI

Cordeslistas, repentistas,
Legião de emboladores,
Xilógrafos, cantadores,
Meus griôs africanistas
Nós somos fiéis artistas
Sem perder nosso rojão
Vamos cantar o sertão
De coração orgulhado…
Todo artista é respeitado
Porém o poeta não.

XVII

A Globo nos enganou
Com a novela do cordel
Foi deveras infiel
E em nada retratou
A cultura que encantou
O povo dessa Nação
Causando decepção
Nesse “cordel encantado”…
Todo artista é respeitado
Mas o cordelista não!!!

FIM

Salvador,11 de Abril/2011

O encanto da literatura de cordel vem a Rio Preto (SP)

A semana de leitura da Coopec traz atrações como tenda literária, varal de cordel e a presença do escritor e contador de histórias César Obeid. Tudo para valorizar a cultura

                      Fonte: www.redebomdia.com.br

Foto: Milena Aurea/Agência BOM DIA Alunos da Coopec em tenda armada no pátio do colégio: literatura de cordel para incentivar a leitura Alunos da Coopec em tenda armada no pátio do colégio: literatura de cordel para incentivar a leitura

             A semana de leitura da Coopec traz atrações como tenda literária, varal de cordel e a presença do escritor e contador de histórias César Obeid. Tudo para valorizar a cultura

            Durante três dias os alunos do Colégio Albert Sabin vão participar de uma feira de leitura um pouco diferente.

           A arte da literatura de cordel, criada e desenvolvida no interior de alguns estados nordestinos, vai encantar os estudantes nesta quarta-feira (27), quinta e sexta.

          Para o diretor pedagógico do colégio, este é o evento literário mais importante que a Coopec desenvolve. “A mescla das culturas encanta a todos”, diz Carlos Júnior.

           O escritor, educador e contador de histórias César Obeid foi convidado para conversar com as crianças na abertura do evento.

           Nesta quarta-feira (27), das 8h às 15h, o autor fala sobre a literatura de cordel e apresenta aos alunos seu livro “Pela voz do Cordel”, ganhador do 2° Concurso Literatura para Todos, do MEC.

          De acordo com Obeid, a literatura de cordel é nascida  e desenvolvida no interior dos estados nordestinos como uma forma diferente de contar histórias.

          Por meio de poesias e rimas, os leitores encontram paixões, brigas entre cangaceiros e fatos do cotidiano do povo nordestino. “Para se criar um cordel é preciso ler bons folhetos e ouvir os repentistas”, diz Obeid.

          No encerramento da Semana de Literatura da Coopec, na sexta, os alunos do ensino fundamental e médio vão participar de um encontro poético.

           A oficina de “Contar Histórias” é uma mostra de como se desenvolve e motiva os alunos para o hábito da leitura. “Um projeto pioneiro em nossa escola”, diz Carlos Júnior.

          Mais / Durante os três dias, os alunos vão participar de palestras e oficinas de leitura ministradas por professores, tendas literárias e varal literário, onde os alunos vão escrever poemas e deixar recados em forma de literatura de cordel.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Estudantes disseminam literatura em projeto do Ponto de Cultura Cantiga de Ninar

Fonte: pccn.wordpress.com via blog do Toca do Leão

Membros do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente, parceiros do projeto de literatura nas escolas. Ao centro, de vermelho, o autor do livro.

          O Ponto de Cultura Cantiga de Ninar realiza a Gincana Cultural Emir Nunes, e uma das tarefas da competição, que envolve seis escolas públicas de Itabaiana, é estimular o gosto pela leitura entre alunos e a população da cidade. O livro “A Voz de Itabaiana e outras vozes”, que conta a história do Município através da literatura de cordel, é utilizado para despertar o interesse pela leitura e pela memória local. Mais de 400 exemplares do livro estão sendo espalhados pelas equipes da Gincana.
           Para Débora Lins, coordenadora do projeto e Presidente do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente, a leitura aumenta o poder de criticidade dos alunos. “É fundamental para a aprendizagem do ser humano, pois através da leitura enriquecemos nosso vocabulário e dinamizamos o raciocínio”, disse ela, acrescentando que o gosto pela leitura e o amor à terra natal devem ser estimulados na infância e adolescência.
           O autor do livro, Fábio Mozart, disse que espera a adoção da obra na grade curricular pela rede municipal de ensino, como recomenda projeto de lei de um vereador local. “Isso vai contribuir muito para que os estudantes itabaianenses conheçam de forma lúdica e poética a história e a formação de nossa cidade através da poesia de cordel”. O livro “A Voz de Itabaiana e outras vozes” traça o perfil de Itabaiana, conhecida como a “Rainha do vale do Paraíba”, obedecendo a uma cronologia histórica. Contando a história de Itabaiana em versos, o autor também introduz o leitor no universo da poesia narrativa e da literatura de cordel nordestina. “Pode ser uma ferramenta importante tanto para professores e alunos em sala de aula, quanto para leitores de qualquer idade”, declarou Mozart.

Cordelista Antônio Barreto

portaldocordel.com.br

          Texto de Roselí Araujo.

Natural de Santa Bárbara, teve na infância contato com os violeiros e repentistas nas Feiras por onde passava, observava atento com um olhar sertanejo, sonhava com sua cultura nordestina, “então minha alma já era cordelista” ele diz. Mas, somente em 2004 que Antônio Barreto produz oficialmente por incentivo de amigos cordelistas, como Jotacê Freitas e Antônio Vieira e violeiros, seu primeiro cordel, interagindo com outros cordelistas conhecidos na Bahia.
Pertencente a uma família de 18 irmãos, como muitas outras crianças do interior da Bahia Barreto só foi alfabetizado aos 10 anos, como por necessidade teve que se mudar para Salvador para continuar os estudos secundários. “Naquela época ou se ia para Feira de Santana ou para Salvador”, “para quem tinha condições de se manter, quem não tinha, parava por onde desse mesmo” ele conclui.
Em Salvador ele se fixa, trabalha no Pólo Petroquímico e cursa a faculdade de letras.

          Mas o espírito aventureiro, o espírito da infância te acompanha, ele afirma “o sertão é meu lugar”, o sertão está presente na sua vivência, tudo que ele escreve têm a ver com o menino do sertão e o homem urbano, que lembra o jovem  com muita dificuldade de se relacionar com as pessoas e seu primeiro encontro poético com a lua e ela com ele aos 19 anos, no avarandado da casa.
Como um bom cordelista de seu tempo, Barreto escreve sobre temas do seu cotidiano, alerta sobre o HIV, Política (As mentiras que o povo gosta em época de eleição), critica, propõe mudanças, grita com muita poesia e esperteza de cordelista. Seu primeiro cordel foi “O discurso de um caipira”, que estimulou pra mais de 50 livretos, entre eles “Canto Lírico de um Sertanejo”, pelejas como “ A peleja virtual de uma mulher valente com um cabra cismado” junto com “cordelista-feminista-militante” Dona Creuza Meira, e a pouco terminou “Peleja de sabedoria com a Internet”, nesse tempo “já deve de ter” idéias pairando publicações.

           Como professor utiliza o cordel como um instrumento pedagógico, atualmente trabalhando com alunos de 2°grau e em oficinas de cordel, já realizadas em Valença, Sr. do BomFim, Ilhéus, entre tantas outras cidades.

          Com sua viola, ou violão e, quem sabe a guitarra, Barreto segue na sua vida urbana significada pela sua poesia sertaneja.

Contatos de Antônio Barreto:
Tel:
71 3329.3867
Cel: 71 9196.4588
Email:
acobar@bol.com.br
Vídeos

Imagem: feiraculturalbairrodoscapuchinhos.blogspot.com

ANTONIO SILVINO o rei dos cangaçeiros

Fonte: Domínio Público

Autor Leandro Gomes de Barros

O povo me chama grande
E como de fato eu sou
Nunca governo venceu-me
Nunca civil me ganhou
Atrás de minha existência
Não foi um só que cansou.

Já fazem 18 anos
Que não posso descansar
Tenho por profissão o crime
Lucro aquilo que tomar,
O governo às vezes dana-se
Porém que jeito há de dar?!

O governo diz que paga
Ao homem que me der fim,
Porém por todo dinheiro
Quem se atreve a vir a mim?
Não há um só que se atreva
A ganhar dinheiro assim.

Há homens na nossa terra
Mais ligeiros do que gato,
Porém conhece meu rifle
E sabe como eu me bato,
Puxa uma onça da furna,
Mas não me tira do mato.

Telegrafei ao governo
E ele lá recebeu,
Mandei-lhe dizer: doutor,
Cuide lá no que for seu,
A capital lhe pertence
Porém o estado é meu.

O padre José Paulino
Sabe o que ele agora fez?
Prendeu-me dois angaceiros,
Tinha outro preso fez três,
O governo precisou
Matou tudo de uma vez.

Porém deixe estar o padre,
Eu hei de lhe perguntar
Ele nunca cortou cana
Onde aprendeu a amarrar?
Os cangaceiros morreram
Mas ele tem que os pagar.

Depois ele não se queixe,
Dizendo que eu lhe fiz mal,
Eu chego na casa dele,
Levo-lhe até o missal,
Faço da batina dele
Três mochilas para sal.

Um dos cabras que mataram,
Valia três Ferrabrás
Eu não dava-o por cem papas,
Nem quinhentos cardeais
Não dava-o por dez mil padres,
Pois ele valia mais.

Mas mestre padre entendeu
Que ia acertadamente
Em pegar meus cangaceiros
E fazer deles presente,
Quem tiver pena que chore
Quem gostar fique contente.

Meus cangaceiros morreram
Mas ele morre também,
Eu queimando os pés aqui
Nem mesmo o diabo vem,
Eu não vou criar galinhas
Para dar capões a ninguém
.
Tudo aqui já me conhece
Algum tolo inda peleja,
Eu sou bichão no governo
E sou trunfo na igreja.
Porque no lugar que passo
Todo mundo me festeja.

No norte tem quatro estados
À minha disposição,
Pernambuco e Paraíba
Dão-me toda distinção,
Rio-Grande e o Ceará
Me conhecem por patrão.

No Pilar da Paraíba
Eu fui juiz de direito,
No povoado - Sapé,
Fui intendente e prefeito,
E o pessoal dali
Ficou todo satisfeito.

Ali no entroncamento
Eu fui Vigário-Gral,
Em Santa Rita fui bispo,
Bem perto da capital,
Só não fui nada em Monteiro,
Devido a ser federal.

Porém tirando o Monteiro,
O resto mais todo é meu,
Aquilo eu faço de conta
Que foi meu pai que me deu
O governo mesmo diz:
Zele porque tudo é seu.

Na vila de Batalhão,
Eu servi de advogado,
Lá desmanchei um processo
Que estava bem enrascado,
Livrei três ou quatro presos
Sem responderem jurado.

Só não pude fazer nada
Foi na tal Santa Luzia.
Perdi lá uma eleição,
A cousa que eu não queria,
Mas o velho rifão diz:
Roma não se fez n’um dia.

O padre José Paulino
Pensa que angu é mingau
Entende que sapo é peixe
E barata é bacurau
Pegue com chove e não molha,
Depois não se meta em pau.

Eu já encontrei um padre,
Recomendado de papa,
Tinha o pescoço de um touro,
Bom cupim para uma tapa,
Fomos às unhas e dentes,
Foi ver aquela garapa.

Quando o rechochudo viu
Que tinha se desgraçado,
Porque meu facão é forte,
Meu baço é muito pesado,
Disse: vôte, miserável,
Abancou logo veado.

Eu gritei-lhe: padre-mestre,
Me ouça de confissão.
Ele respondeu-me: dane-se
Eu lhe deixo a maldição,
Em mim só tinha uma coroa,
Você fez outra a facão.

Eu inda o deixei correr
Por ele ser sacerdote,
Para cobra só faltava
Enroscar-se e dar o bote,
Aonde ele foi vigário,
Quatro levaram chicote.

Foi tanto qu’eu disse a ele:
Padre não seja atrevido
Tire a peneira dos olhos,
Veja que está iludido,
Eu lhe respeito a coroa,
Porém não o pé do ouvido.

O velho padre Custódio,
Usurário, interesseiro,
Amaldiçoava quem desse
Rancho a qualquer cangaceiro,
Enterrou uma fortuna,
E eu sonhei com o dinheiro!...

Então fui na casa dele,
Disse, padre eu quero entrar,
Sonhei com dinheiro aqui!...
E preciso o arrancar,
Quero levá-lo na frente
Para o senhor me ensinar.

O padre fez uma cara,
Que só um touro agastado,
Jurou por tudo que havia,
Não ter dinheiro enterrado,
Eu lhe disse, padre-mestre,
Eu cá também sou passado.

Lance mão do cavador,
E vamos ver logo os cobres,
Esse dinheiro enterrado
Está fazendo falta aos pobres,
Usemos de caridade
Que são sentimentos nobres.

Dez contos de réis em ouro
Achemos lá n’um surrão,
Três contos de réis em prata
Achou-se n’outro caixão,
Eu disse: padre não chore,
Isso é produto do chão.

O padre ficou chorando
Eu disse a ele afinal
Padre mestre este dinheiro
Podia lhe fazer mal
Quando criasse ferrugem
Lhe desgraçava o quintal.

Ajuntei todos os pobres
Que tinham necessidade
Troquei ouro por papel
Haja esmola em quantidade
Não ficou pobre com fome
Ali naquela cidade.

O padre José Paulino
Acha que estou descansado
Queria fazer presente
Ao governo do Estado
Deu três cangaceiros meus
Sem nada lhe ter custado.

Um desses ditos rapazes,
Estava até tuberculoso,
O segundo era um asmático,
O terceiro era um leproso,
O urubu que o comeu
Deve estar bem receioso.

Tive nos meus cangaceiros
Um prejuízo danado,
Primeiro foi Rio-Preto,
Segundo Pilão-Deitado,
Os homens mais destemidos
Que tinham me acompanhado.

Eu juro pelo meu rifle,
Que o Padre José Paulino
Cai sempre na ratoeira
E paga o grosso e o fino,
Não há de casar mais homem,
Nem batizar mais menino.

Eu sempre gostei de padre
Tenho agora desgostado
Padre querer intervir
Em negócio do Estado?!...
Viaja sem o missal,
Mas leva o rifle encostado.

Em vez de estudar o meio
Para nos aconselhar,
Só quer saber com acerto,
Armar rifle e atirar,
Lá onde ele ordenou-se,
Só lhe ensinaram a brigar.

Depois ele não se queixe,
Nem diga que sou malvado,
Ele nunca assentou praça
Como pode ser soldado?
Não tem razão de queixar-se,
Se tiver mau resultado.

Quatro estados reunidos
Tratam de me perseguir,
Julgam que não devo ter
O direito de existir,
Porém enquanto houver mato,
Eu posso me escapulir.

Eu ganhando essas serras,
Não temo alguém me pegar
Ainda sendo um que pegue,
Uma piaba no mar,
Um veado em mata virgem
E uma mosca no ar.

Eu já sei como se passa
Cinco dias sem comer,
Quatro noites sem dormir,
Um mês sem água beber,
Conheço as furnas onde durmo
Uma noite se chover.

Uma semana de fome,
Não me faz precipitar,
Mato cinco ou seis calangos
Boto no sol a secar,
Quatro ou cinco lagartixas,
Dão muito bem um jantar.

Eu passei mais de um mês
Numa montanha escondido,
Um rapaz meu companheiro
Foi pela onça comido,
Por essa também
Eu fui muito perseguido.

Era um lugar esquisito,
Nem passarinho cantava!...
Apenas à meia noite
Uma coruja piava,
Então uma grande onça,
De mim não se descuidava.

Havia muito mocós,
Eu não podia os matar,
Andava tropa na serra
Dia e noite a me caçar,
No estampido do tiro
Era fácil alguém me achar.

Passava-se uma semana
Que nada ali eu comia,
Eu matava algum calangro
Que por perto aparecia
Botava-os na pedra quente
Quando secava eu comia.

Quando apertava-me a sede
Pegava a croa de frade
Tirava o miolo dela
Chupava aquela umidade
Lá eu conheci o peso
Da mão da necessidade.

Um dia que a tropa andava
Na serra me procurando
Viram que um grande tigre,
Estava em frente os emboscando
Um dos oficiais disse:
Estamos nos arriscando.

E o Antonio Silvino
Não anda neste lugar,
Se ele andassem, aquela onça
Havia de se espantar,
Eu estava perto deles,
Ouvindo tudo falar.

Ali desceu toda a tropa,
Não demoraram um momento,
Um soldado que trazia
Um saco de mantimento,
Por minha felicidade
Deixou-o por esquecimento.

Eu estava dentro do mato,
Vi quando a tropa desceu
O tigre soltou um urro,
Que o tenente estremeceu
Até a borracha d’água
Uma das praças perdeu.

Quando eu vi que a tropa ia
Já n’uma grande lonjura,
Fui, apanhei a mochila,
Achei carne e rapadura,
Farinha queijo e café,
Aí chegou-me a fartura.

Achei a borracha d’água
Matei a sede que tinha,
A carne já estava assada,
Fiz um pirão de farinha
Enchi a barriga e disse:
Deus te dê fortuna, oncinha.

Porque a tua presença,
Fez toda a força ir embora,
O ronco que tu soltasses,
encheu-me a barriga agora,
Eu com a sede que estava,
Não durava meia hora.

E é agora o que faço,
Havendo perseguição,
Procuro uma gruta assim
E lá faço habitação,
Só levo lá, um, dous rifles
E o saco de munição.

Me mudo para uma furna
Que ninguém sabe onde é,
A furna tem meia légua
Marcando de vante a ré,
A onça chega na boca
Mas dentro não põe o pé.

A onça conhece a furna,
Desde a entrada à saída
Porém qual é essa fera
Que não tem amor à vida?
Uma onça parte assim,
Se vendo quase perdida!..
.
Quando eu deixar de existir
Ninguém fica em meu lugar,
Ainda que eu deixe filho,
Ele não pode ficar,
Porque a um pai como eu
Filho não pode puxar.

Pode ter muita coragem
Ser bem ligeiro e valente,
Mas vamos ver suporta
Passar três dias doente,
Com sede de estalar beiço
E fome de serrar dente.

Se não tiver natureza
De comer calango cru,
Passe um mês sem beber água
Chupando mandacaru,
Dormir em furna de pedra
Onde só veja tatu.

Não podendo fazer isso,
Nem pense em ser cangaceiro,
Que é como um cavalo magro
Quando cai no atoleiro,
Ou um boi estropiado
Perseguido do vaqueiro.

Há de ouvir como cachorro,
Ter faro como veado,
Ser mais sutil do que onça,
Maldoso e desconfiado,
Respeitar bem as famílias,
Comer com muito cuidado.

Andar em qualquer lugar
Como quem está no perigo,
Se for chefe de algum grupo
Ninguém dormirá consigo,
O próprio irmão que tiver,
O tenha como inimigo.

O cangaceiro sagaz
Não se confia em ninguém,
Não diz para onde vai,
Nem ao próprio pai se tem,
Se exercitar bem nas armas,
Pular muito e correr bem.

Em meu grupo tem entrado
Cabra de muita coragem,
Mas acha logo o perigo
E encontra a desvantagem
Foge do meio do caminho,
Não bota o meio da viagem.

Porque andar vinte léguas
Isso não é brincadeira,
E romper mato fechado,
Subir por pedra e ladeira,
Como eu já tenho feito,
Não é lá cousa maneira.

Pegar cobra como eu pego
Quando ela quer me morder,
Cascavel com sete palmos,
Só se Deus o proteger,
Mas eu pego quatro ou cinco
E solto-a, deixo-a viver.

Que é para ela saber,
Que só eu posso ser duro,
Eu já conheço o passado,
Nele ficarei seguro,
Penso depois no presente
Previno logo o futuro


Imagem: marcoscostaob.blogspot.com

ERA UMA VEZ UM PLANETA

           Uma reflexão poética sobre os fenômenos da natureza que vem atingindo todo o planeta Terra. Qual a nossa responsabilidade sobre estes acontecimentos ?

Autor: Victor “Lobisomem”

Era uma vez um planeta
Que por Deus fora criado
Com carinho paciência
Amor, zelo e cuidado
Com muita dedicação
O planeta criação
De “Terra” foi batizado

Flutuando no espaço
E cercado por bilhões
De estrelas cintilantes
Juntas em constelações
E acompanhada da sua
Admiradora lua
Fonte de inspirações

Havia também um sol
O astro rei imponente
Acariciando a Terra
Com seu brilho forte e quente
Iluminando distante
Poderoso sol brilhante
E sua energia ardente

Em volta daquele sol
A Terra rodopiava
Num movimento constante
A lua lhe imitava
Num floreio bem bonito
Girando pelo infinito
Parecia que dançava

No planeta Terra as águas
Como um manto cobriam
Lá do alto das montanhas
Em cachoeiras desciam
Estavam em toda parte
Feito uma obra de arte
E pelos rios corriam

Águas doces percorriam
As florestas viajando
Em busca de encontrar
Quem estava lhes esperando
Os oceanos e mares
E os pássaros pelos ares
Iam lhes acompanhando

Pássaros voam cantando
Sobrevoando os rios
Os mares vão agitando
As águas em corrupios
Ondas beijando a areia
É manhã de maré cheia
Os ventos sopram vadios

O céu azul emoldura
Essa obra colossal
Feita pelas mãos divinas
Em um gesto paternal
Obra de rara beleza
Chamada de natureza
Fenômeno sem igual

Criação mais que perfeita
Majestosa harmonia
E o Grande Deus amoroso
Resolveu criar um dia
Encheu-se de esperança
E à sua semelhança
A raça humana nascia

O homem tinha na Terra
Tudo para viver bem
Água limpa, muitos frutos
E os animais também
A natureza vivia
Lhe servindo noite e dia
Sem cobrar nada a ninguém

Naquele lindo planeta
O tempo ia passando
A raça humana também
Ia se multiplicando
Mas sem a preocupação
Sem cuidado e gratidão
Tudo foi modificando

Nada foi acontecendo
Da noite para o dia
Foi tudo bem devagar
Pouca gente percebia
Mas o homem se esqueceu
De cuidar do que era seu
De preservar a harmonia

Deus bastante preocupado
Tudo fez pra ajudar
Mandava muitos sinais
Pro perigo alertar
Mas o homem nem ligava
Com nada se preocupava
Só fazia devastar

Muitos anos se passaram
Milhares, talvez milhões
E hoje aqui estamos
Cheios de preocupações
Em que mundo nós estamos?
Mas mesmo assim não paramos
Com tantas destruições

Devastamos as florestas
Poluímos nosso ar
O mesmo ar que nós mesmos
Estamos a respirar
Se de nós for depender
Nossa água de beber
Pode até se acabar

Dizem que o ser humano
É um ser racional
Fico eu me perguntando
Como é que um animal
Que se diz inteligente
Destrói o meio ambiente
Seu habitat natural?

Apontamos uns aos outros
Pra responsabilizar
O governo, as indústrias
Quem mais podemos culpar?
Mas nada posso dizer
Sem minha parte eu fazer
Para isso melhorar

Seca, enchente, tsunami
Impacto ambiental
Desequilíbrio ecológico
Aquecimento global
Cadê nossa inteligência
Educação, consciência
De um ser racional?

Nunca é tarde, ainda é tempo
De encontrar a solução
Devemos à natureza
Carinho e gratidão
Me desculpe se incomodo
Mas hoje foi deste modo
Que me veio a inspiração

Deus nos dê mais uma chance
Agora eu lhe dou certeza
Nós vamos cuidar direito
De toda essa beleza
Então pra lavar as almas
Peço uma salva de palmas
Pra nossa Mãe Natureza

FIM
Outubro/2007
Autor: Victor Alvim

* Este cordel foi escrito por sugestão e convite de Cláudio Baltar (Parafina) da Intrépida Trupe para ser apresentado com o espetáculo “ÁGUA DE BEBER” no evento ecológico NEUTRALIZO realizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro em outubro de 2007

Fonte:quintal-do-lobisomem.blogspot.com

Mestre José Pacheco

portaldocordel.com.br

      José Pacheco da Rocha, ou José Pacheco, como é mais conhecido, nasceu no Município de Corrientes, em Pernambuco, residindo algum tempo na cidade de Caruaru, naquele mesmo estado.
       Viveu muitos anos em Maceió, Alagoas, vindo a falecer naquela cidade, provavelmente em 1954. Folhetos de sua autoria foram publicados pela Luzeiro Editora, de São Paulo. Recentemente, a Editora Queima-Bucha, de Mossoró (RN), publicou o folheto A intriga do cachorro com o gato. Além disso, há edições de suas obras pela Catavento, de Aracaju (SE); Lira Nordestina, de Juazeiro do Norte (CE); Coqueiro, de Recife (PE), e por outras editoras.
Seus folhetos mais importantes são:
       História da princesa Rosamunda ou a morte do gigante e A chegada de Lampião no inferno. As histórias de gracejos são um dos aspectos marcantes dos cordéis de José Pacheco, considerado um dos maiores cordelistas satíricos do Brasil. Mas o poeta se dedicou também a outros temas, como histórias de bichos, religião e romances.

REFERÊNCIAS

▪ GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Secretaria do Estado de Ciência e Cultura e Departamento de Cultura – INEPAC/Divisão de Folclore. O cordel no Grande Rio. Rio de Janeiro: 1978.
▪ LOPES, Ribamar. Literatura de cordel: antologia. Fortaleza (CE): 1983, BNB.
▪ PROENÇA, Manoel Cavalcanti (Org.). Literatura popular em verso: antologia. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 1986.
▪ CARDOSO, Tânia Maria de Souza Cardoso. Cordel, cangaço e contestação: uma análise dos cordéis "A chegada de Lampião no inferno" (José Pacheco da Rocha) e "A chegada de Lampião no céu" (Rodolfo Coelho Cavalcante). Rio Grande do Norte: Coleção Mossoroense, 2003.
Fonte - site da CASA DE RUI BARBOSA
BIOGRAFIA DE JOSÉ PACHECO
Por Leonardo Vieira de Almeida
Texto extraído do site de ARIEVALDO VIANA via Portal do Cordel

Imagem: mateusbrandodesouza.blogspot.com

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A literatura de cordel ganha vida em Santa Cruz através de seus poetas (RN)

Fonte: Blog de Paulo César: santacruzdotrairi.blogspot.com

          Nunca se produziu tanta literatura de cordel em Santa Cruz como vem acontecendo nos últimos anos.
          Embora a literatura de cordel apresente maior sucesso em estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia, no nosso estado começa a ganhar vida e destaque, especificamente em Santa Cruz, através de poetas como Gilberto Cardoso, Hélio Crisanto, Adriano Bezerra, Edgar Santos, Antônio Borges, João Maria e tantos outros que simplesmente estão tornando popular em nossa cidade essa cultura nordestina.
          O poeta Gilberto Cardoso já produziu sozinho cerca de 18 publicações de cordel com variados títulos e diversos temas.
             Santa Cruz é uma das poucas cidades do Rio Grande do Norte que concentra um significativo número de bons e elevados escritores, poetas e cordelistas do mais alto gabarito.

CORDÉIS ENCANTADOS

Francisco José da Silva - Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC)
filosofranz@yahoo.com.br

Fonte: O Povo Online: opovo.com.br

          O cordel há algum tempo foi considerado como literatura inferior ou mesmo visto como coisa exótica, semelhante ao que se tem feito com as demais manifestações do folclore brasileiro, porém agora alcança um patamar não antes galgado ao se tornar objeto das mais diversas manifestações culturais.

          Atualmente o cordel deixou de ser exclusividade do Nordeste ou das feiras nos interiores, tornando-se um instrumento privilegiado de transmissão de cultura nas edições recentes que têm resgatado os clássicos da literatura nacional e regional na perspectiva da literatura popular, além da simbiose do cordel com o desenho, com os quadrinhos e com as mais diversas manifestações contemporâneas e urbanas, tais como a TV, o cinema e a Internet.

          Vemos o cordel agora invadindo os mais diversos espaços, sejam populares ou eruditos, ganhando aceitação e respeito dos mais diversos produtores culturais e pesquisadores, surge então uma nova modalidade de cordel, mais diversificado, mais dinâmico, com uma nova estética, o que não é nenhuma desvantagem para o mesmo, uma vez que o cordel sempre soube ser reinventado nas mãos dos poetas cordelistas, desde Leandro Gomes de Barros até Azulão, Manoel Monteiro e Rouxinol do Rinaré.

          Faz-se necessário que os pesquisadores reencontrem no cordel aqueles elementos que tem constituído nossa identidade cultural, agora não mais apenas nordestina, mas brasileira em sua essência.

          As raízes do cordel se encontram na literatura popular europeia medieval, nos trovadores, nos escritores dos pequenos livretos (Büchlein, na Alemanha) da literatura de Colportage, etc. Nesse sentido ao ser transposto para o Brasil colonial (um pouco medieval) pelos portugueses, o cordel (de português ‘cordão’ como pensam alguns, ou do latim ‘cordis’, ‘coração’ como pensam outros) adquiriu uma feição totalmente nova, mas carregando os elementos constituintes de sua origem medieval.

          Os temas (reis, rainhas, princesas, cavaleiros e dragões), o estilo (aventuras, comedias, romances), a forma (sextetos, septilhas, etc), misturados com os elementos da cultura nordestina (os beatos, cangaceiros, coronéis) tornou-se um veio incessante que recria nossa cultura em todas as suas dimensões.

          Por essas razões, o cordel torna-se atemporal, pois sobrevive as modas e manias do mundo dinâmico e inquieto de hoje, mas é ao mesmo tempo fincado na realidade histórica e cultural que o produziu.

          Por isso podemos dizer que o cordel é de todas as nossas manifestações populares a mais versátil nos dias atuais. Que as futuras gerações possam aproveitar e valorizar ainda mais essa manifestação cultural autenticamente nossa.

 

Imagem: bazardaboaleitura.blogspot.com

Alunos do Colégio Berlaar criam projeto para resgatar a beleza e a criatividade da Literatura de Cordel – Pará de Minas - MG

Fonte: www.santacruzam.com

Colégio Berlaar Sagrado Coração de Maria, o tradicional colégio das Irmãs, realiza entre os próximos dias 27 e 30 de abril, sua exposicaocolegiodasirmasvigésima primeira feira do livro, como forma de incentivar seus alunos à leitura dos mais diversos gêneros literários existentes. E este ano, para introduzir a feira, os alunos do 6º ano do ensino fundamental, orientados pelo professor Eduardo Aráque, criaram um projeto que resgata a tradição da Literatura de Cordel, trazida de Portugal e enraizada à cultura do nordeste brasileiro. O Professor explica que a idéia do projeto surgiu do interesse dos próprios alunos ao conhecer a beleza e as curiosidades do Cordel. O professor acredita que além de incentivar à leitura e à produção de textos, o projeto tem o objetivo central de oferecer às crianças uma estrutura cultural para entender, inclusive, as referências televisivas que, volta e meia, trazem à tona estas formas de cultura popular. Toda a produção dos alunos já está exposta no quiosque central do pátio do Colégio, e é aberta a visitação dos alunos, seus pais e toda a comunidade escolar. O Projeto Literatura de Cordel fica aberto à visitação até o final da Feria de Livros, que termina no dia 30 de abril. Vale à pena conferir.

Literatura de cordel é destaque esta semana em São José dos Campos (SP)

         Fonte: vnews.com.br 

A literatura de cordel é o destaque de duas atividades que o músico e professor universitário Paulo Barja comanda na Biblioteca Pública Cassiano Ricardo, em São José dos Campos, nesta última semana de abril.
          No dia 26 (terça-feira), às 14 horas, Paulo Barja apresenta ‘Cantos e Contos’, que reune cordeis de sua autoria. E no dia 29 (sexta-feira), às 9 horas, ele ministra a palestra ‘Cordel na Estrada e na Escola’. Os dois eventos têm entrada gratuita.
          Literatura de cordel é um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impresso em folhetos rústicos e exposto para venda pendurado em cordas ou cordeis. Ele nasceu em Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes.
           No Nordeste do Brasil o nome foi herdado, mas a tradição do barbante não continuou. Os poemas são escritos em forma ritmada e alguns ilustrados com xilogravura. Os autores ou cordelistas recitam os versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola.
Exposição: Também prossegue na biblioteca, até o final do mês, a exposição ‘Monteiro Lobato – Outros Aspectos’, que apresenta (em painéis) detalhes significativos da vida e obra do autor Monteiro Lobato, considerado um dos mais importantes escritores infanto-juvenil do Brasil.
           Serviço: Biblioteca Pública Cassiano Ricardo – Rua XV de Novembro, 99, Centro. Funcionamento: de segunda a sexta, das 8h15 às 17h, e sábados, das 8h15 às 13h. Informações: 3921-8845.

Imagem: vivaviver.com.br

domingo, 24 de abril de 2011

VALE A PENA LER DE NOVO: CORDEL: PÁSCOA

 

AUTOR: MANOEL MESSIAS BELIZARIO NETO

A páscoa significa
Que Jesus o salvador
Depois de seu sofrimento
Em lugar do pecador
Vence no terceiro dia
A morte e sua tirania.
Ressuscita por amor.

A páscoa significa
Mudança, renascimento.
Agregar boas ações
Ao nosso comportamento.
Vida nova em Jesus Cristo.
Viver um novo momento.

Às vezes nos esquecemos
Deste significado
Envolvidos no sentido
Impostos pelo mercado.
Muitas vezes Jesus Cristo
Nem ao menos é lembrado.

A páscoa deve trazer
Em nós esta reflexão:
Os bons ensinos de Cristo
Têm regido nossa ação?
Temos empreendido gestos
Em favor de nosso irmão?

Em que a gente tem agido
Quanto aos problemas globais?
(Por exemplo, em relação
Às questões ambientais)
Como temos reagido
Diante destes sinais?

Que nesta páscoa, hoje e sempre
A nossa fonte de luz
Sejam as lições deixadas
Por Nosso Senhor Jesus
Que por amor e paixão
Morreu por nós numa cruz.

Demos então de presente:
Ovos de fraternidade;
Pombos de amor e de paz;
Coelhos de caridade;
Cordeiros de harmonia
Girassóis de humildade.

Imagem: soaresdesigner.blogspot.com

CORDEL: A Páscoa

Fonte: cordelcristao.blogspot.com

Autor: Fernando Paixão

Que Deus santo de Israel
Me dê muita inspiração,
Pra que esse humilde poeta
Possa cumprir a missão
De escrever esse cordel
Falando em libertação.

Uma pessoa querida
Brilhante idéia me deu
De escrever esse trabalho
Para o crente e para o ateu
Falando do surgimento
Da Páscoa do povo hebreu.

A Páscoa significa
No seu étimo: passagem
Saída da escravidão
Para uma nova viagem
Marchando pra liberdade
Com força, fé e coragem.

Na aurora da existência
Um povo foi escolhido,
Por Deus ele foi eleito
Um povo que foi ungido
Povo de sangue guerreiro
Dentre todos preferido.

Esse povo tem história
Que é por demais fascinante
A raiz é Abraão
Que foi arameu errante
Gerou Isaac e Jacó
Pais do povo caminhante.

Jacó teve 12 filhos:
Ruben foi primeiro irmão
Issacar, Dã e Aser,
Levi, Gad e Simeão,
Neftali, Zabulon
Citei nove até então.

Tem ainda Benjamim
Judá, esse também é,
O último que citarei
É personagem de fé,
Tem história fascinante
E seu nome é José.

Nesta lista dos irmãos
Tá faltando uma menina
Seu nome não é citado
Pois a história discrimina
Filha mulher de Jacó
E seu nome era Dina.

Esses filhos de Jacó
Citados na Tradição
Representam todo o povo
De Israel ou de Sião
São personagens sagrados
Patriarcas da nação.

Esse povo descendente
Da linhagem de Jacó
Sofreu uma grande seca
Ficou sofrendo no pó
Foi escapar no Egito
Sob os pés do Faraó.

E nessa terra estrangeira
O povo foi maltratado
Enfrentou duras corvéias
Sob o chicote humilhado
Perdeu sua identidade
Ficou sendo escravizado.

E por ser um povo forte
Superou a humilhação
Suportou o grande peso
Da canga da opressão
Porque sonhava que um dia
Viria a libertação.

Alimentados no sonho
Esse povo ía crescendo
Se tornou tão numeroso
Pois o rei ficou temendo
Que o povo se revoltasse
Foi então logo dizendo:

- Quando uma mulher hebréia
Der a luz a uma criança
E se for um filho macho
Não lhe darei confiança
Sem piedade farei
Com o inocente a matança!

Mas, uma boa parteira,
Não concordou com a morte
Salvou logo uma criança
Porque era bela e forte
A criança era Moisés
Que teve essa grande sorte.

Foi esse mesmo Moisés
Que na corte foi criado
A sua infância foi nobre
Como príncipe, educado,
Mas não aceitava nunca
Ver seu povo injustiçado.

Fervia nas suas veias
Sangue de paz e bondade
Não tolerando a injustiça
Cometeu fatalidade
Assassinou um egípcio
Que cometia maldade.

Moisés teve que fugir
Se tornando um ser errante
Foi em busca de outras terras
Pra outro lugar distante
Mas, Deus logo o convocou
Para seu plano brilhante.

Moisés estava no campo
Apascentando o rebanho
Quando de repente viu
Aquele episódio estranho
A sarça pegava fogo
Era um mistério tamanho!

Do fogo vinha uma voz
Dizendo: - Preste atenção
Escolhi você, Moisés
Juntamente com Aarão
Para libertar meu povo
Das garras da escravidão.

Dizia mais pra Moisés:
- Eu vi, eu vi o lamento
Ouvi o clamor do povo
Por causa do sofrimento
Eu desci pra libertá-lo
Eis que chegou o momento!

Moisés sem nada entender
Começou a recuar
Dizendo: - Não sou capaz
Desta missão enfrentar,
Eis que sou um homem gago
Nem sequer eu sei falar!

Mas, Deus convenceu Moisés
Lhe dando força e coragem
Moisés deixou sua terra
As ovelhas, a pastagem...
E pras terras do Egito
Começou sua viagem.

No Egito Moisés fez
Aquele esforço medonho
Pra convencer faraó
Que realizasse o sonho
Da libertação do povo
Escravizado e tristonho.

O Egito resistiu
Não deixava o povo hebreu
Escapar da escravidão
E Deus então resolveu
Lutar contra o faraó
E o combate então se deu.

O Deus todo poderoso
Mandou pragas pro Egito
Faraó foi suportando
O doloroso conflito
O combate Deus venceu
Mostrando ser Infinito.

Deus mandou para o Egito
Uma praga violenta
Até mesmo o faraó
Tamanha dor não agüenta
A morte dos primogênitos
O Egito inteiro lamenta.

Faraó muito abatido
Deixa o povo ir embora
O povo já deslumbrava
O raiar da nova aurora
Festejou a liberdade
E saiu de estrada afora.

E na noite anterior
Houve então um ritual
O povo se reuniu
Com uma pressa anormal
Nesse momento nascia
A celebração pascal.

E cada família hebréia
Se uniu em oração
Prepararam sua ceia
No meio da escuridão
Porque ao raiar do dia
Viria a Libertação!

A ordem era imolar
Um cordeiro sem defeito
De um ano de idade
Que fosse macho, perfeito
Um cordeiro por família
Pra se cumprir o preceito.

O sangue do animal
No ritual, imolado
Nas travessas e batentes
Deveria ser passado
Pra marcar as residências
De quem será libertado.

Pois naquela mesma noite
Um anjo ia passar
Os primogênitos egípcios
Ele ia exterminar
Os filhos do povo hebreu
Todos iam se salvar.

Houve então a grande ceia
No meio da noite escura
Comendo apressadamente
Carne assada sem gordura
Já com cajado na mão
E o cinto na cintura.

A carne era acompanhada
Com pães ázimos, sem fermento,
Bebiam ervas amargas
Como sinal de lamento
Relembrando a escravidão
As dores e o sofrimento.

Pois então aconteceu
Conforme foi prometido
Deus libertou o seu povo
Que ficou agradecido
Para a terra prometida
O povo foi conduzido.

Todo povo de Israel
Que celebra desde então
O grande acontecimento
Da sua libertação
Até hoje o mantém vivo
Nessa rica tradição.

Foi na Escritura Sagrada
Que muita gente já leu
O grande acontecimento
Que a História conheceu
Ato fundante da fé
Do bravo povo judeu.

Aqui faço uma ressalva
Para o leitor se informar:
O hebreu já celebrava
Antes de se escravizar
A Páscoa é bem mais antiga,
Que se possa imaginar!

Os mais antigos pastores
Nas celebrações pascais
Imolavam um cordeiro
Com gestos e rituais
E com o sangue tingiam
As entradas dos currais.
Pois eles acreditavam
Que com esse ritual
Se protegia o rebanho
Dos espíritos do mal
E o sangue do cordeiro
Tinha poder divinal.

O hebreu lá no Egito
Ao sair da escravidão
Deu novo sentido à Páscoa
E sua celebração.
Páscoa agora representa
A sua libertação.

A Páscoa para o judeu
É grande acontecimento;
Da revelação de Deus
A Páscoa é o fundamento
Recebeu mais um sentido
Com o Novo Testamento.

A Páscoa significa
Para o povo que é cristão
Nascimento, vida nova,
Amor e renovação
Por causa de Jesus Cristo
E sua ressurreição.

Terminei o meu relato
Procurando ser fiel;
Expliquei o que é Páscoa
Nas estrofes do cordel
Falei do maior evento
Da História de Israel.

Imagem: escola3louleturma2tarde.blogspot.com