CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

COMO REERGUER A LITERATURA DE CORDEL I

Por Manoel Messias Belizario Neto

O DESÂNIMO DOS POETAS POPULARES



Poetas não desanimem,
Pois fomos predestinados
A levar a poesia
Em seu formato rimado
Até os confins dos tempos
Espalhando este legado.

          Há um desânimo generalizado por parte dos poetas de cordel quanto à publicização de seus cordéis em espaços públicos. Falo da exposição pública sem incentivos de órgãos culturais dos governos e e instituições afins. A última vez que vi um declamador expondo cordéis no meio da rua foi em 1988 na feira livre da cidade de Aguiar PB. De lá para cá não vi mais esta cena em lugar nenhum. Em leituras sobre cordel que tenho feito ultimamente, alguns teóricos e poetas afirmam que o cordel perdeu espaço com o surgimento do rádio, da TV, da internet e diante da indústria cultural disseminada pelos Estados Unidos ao longo do último século e até os dias atuais. Indústria esta absorvida ipsis literis pelo Brasil. Realmente estes fatores influenciaram a decadência do cordel em seu habitat natural que é o meio do povo. Mas aliado a isto o desânimo do poeta popular ampliou o problema. Em João Pessoa hoje vemos muitos segmentos culturais (autônomos) se apresentando no Ponto de Cem Réis. Ao redor deles uma multidão de pessoas admiradas assistindo. Se o poeta popular declamasse seus cordéis com certeza teria público para assisti-lo e até comprar alguns folhetos. Mas por que isto não acontece? Alguém pode me responder: não acontece por que o som das propagandas das lojas encobre a voz do poeta. E eu respondo: e por que não se consegue uma caixa de som – dessas do pessoal que vende CD na rua?
          Outra questão relativa à exposição de cordéis é a divulgação nas livrarias. Esta semana estive em duas livrarias importantes de João Pessoa: a Paidéia e a Livraria do Luiz. Em ambas predominam os cordéis de José Costa Leite e mais ninguém. Quer dizer: temos tantos poetas em João pessoa e na Paraíba, além de Costa Leite, e onde estão suas produções? O vendedor da Paidéia me disse que os outros sempre dizem que vão levar os cordéis, mas só quem deixa é Costa Leite. Como podemos ver, nós poetas populares – me incluo – estamos nos omitindo. Um dos fatores que nos desmotiva é a pouca saída dos cordéis. Temos gasto com a produção e não temos praticamente nenhum retorno financeiro. Mas mesmo assim, não devemos desanimar. Temos que expor nossos trabalhos nos mais diversos pontos de venda de livros e fiteiros para não deixarmos o cordel morrer. Para resolver a questão da publicação – cujo custo praticamente não é reposto devido a pouca saída nas vendas – uma alternativa é a inserção do poeta aos programas de incentivos culturais. Uma vez a publicação conseguida, tira-se uma porcentagem distribui nos espaços de venda dos livros, shoppings, etc.

Imagem:
 http://1.bp.blogspot.com/_3GybrP4KNgw/SlYyjntysvI/AAAAAAAAArU/InBY5ypHQoM/s400/desanimo.jpg

Um comentário:

  1. boa tarde>

    AMIGO caso haja interesse, posso expor suas literaturas na praia de Tambau.
    Podemos trabalhar em sistema de consignação.
    entre em contato:

    trufasdaval@hotmail.com

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